Copa América

Paraguai abafou a Bolívia o jogo inteiro e a virada saiu até barata pela superioridade da Albirroja

A Bolívia até abriu o placar num pênalti, mas o Paraguai fez por merecer a vitória por 3 a 1 em Goiânia

O Paraguai estreou de maneira contundente na Copa América e atropelou a Bolívia. Os paraguaios tiveram uma atuação extremamente ofensiva, algo atípico para o padrão de jogo da seleção nos últimos anos, e a vitória por 3 a 1 sobre os bolivianos em Goiânia ficou até barata. Uma expulsão no fim do primeiro tempo atrapalhou La Verde, assim como a equipe enfrenta casos de COVID-19 em seu elenco – os nomes dos atletas afetados não foram divulgados, mas Marcelo Moreno foi uma ausência sentida nesta segunda. De qualquer maneira, os méritos da Albirroja ficaram evidentes na virada, em noite de grandes exibições do trio de meias composto por Ángel Romero, Miguel Almirón e Alejandro “Kaku” Romero Gamarra.

Bastou a bola rolar para que o Paraguai começasse a martelar contra a meta da Bolívia. A Albirroja estava disposta a resolver rápido e não se continha na hora de chutar. Todavia, La Verde ganhou um pênalti logo aos cinco minutos por um toque de mão. Erwin Saavedra cobrou a penalidade e mandou a bola no cantinho, superando o goleiro Antony Silva. Com isso, os paraguaios precisariam intensificar ainda mais suas ações em busca do empate. O jogo virou um ataque contra defesa – até pela lacuna de Marcelo Moreno na linha de frente boliviana.

As jogadas do Paraguai eram coordenadas por Miguel Almirón. O meio-campista ditava o ritmo de sua equipe e distribuía o jogo. Uma breve esperança do empate aconteceu aos 19, num pênalti cometido pelo goleiro Ruben Cordano sobre Gabriel Ávalos. Entretanto, o VAR flagrou um impedimento de Ángel Romero e cancelou a marcação. A sequência da primeira etapa via um abafa da Albirroja, com muitas falhas nas finalizações. Mesmo que Cordano não transmitisse muita confiança, os guaranis perdoavam. Kaku perdeu a oportunidade mais clamorosa, ao completar para fora quando aparecia livre no segundo pau.

Se o Paraguai merecia pelo menos o empate antes do intervalo, a situação se abriu nos acréscimos, quando Jaume Cuéllar recebeu o segundo amarelo e deixou a Bolívia com um homem a menos. No segundo tempo, enfim, a Albirroja aproveitou a vantagem numérica. Ángel Romero chegou a acertar a trave aos 15, numa batida desviada por Cordano, e o goleiro dava sobrevida aos bolivianos de maneira milagrosa. Já aos 17, o gol de empate saiu com Kaku. O meio-campista arriscou de fora da área e acertou um belo chute de primeira no canto. A partir de então, os paraguaios tiraram o peso sobre as costas e construíram a virada naturalmente.

O segundo sairia logo aos 20, quando Cordano salvou a cabeçada de Carlos González, mas Ángel Romero conferiu no rebote dentro da pequena área. Só dava Paraguai e Cordano ainda conseguiu evitar um cenário pior à Bolívia, que assustou apenas num chute de Roberto Fernández que Antony Lopes espalmou. No entanto, Ángel Romero definiu a parada e guardou mais um aos 36. Lançado por Ávalos, o ex-corintiano bateu no cantinho diante do goleiro e correu para o abraço. A partir de então, os paraguaios puderam reduzir um pouco o ritmo e administrar a vantagem. Os bolivianos terminaram o duelo com apenas 22% de posse de bola e quatro finalizações, contra 34 dos guaranis, 11 delas certas.

O Paraguai ganha um descanso maior e folga na próxima rodada da Copa América. Já a Bolívia volta a campo na sexta-feira, quando encara o Chile. A preocupação maior em La Verde, de qualquer forma, está na maneira como os casos de COVID-19 podem atrapalhar ainda mais as pretensões da seleção.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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