Copa América

O predestinado Paquetá saiu do banco para decidir, e Brasil teve que suar para segurar vitória com um a menos

Uma entrada inconsequente de Jesus no começo do primeiro tempo obrigou o Brasil a se acuar até ouvir o clemente apito final

Lucas Paquetá saiu do banco de reservas para acertar o meio-campo da seleção brasileira, mas, em menos de dois minutos, marcou o único gol da vitória por 1 a 0 sobre o Chile no Estádio Nilton Santos, uma partida em que o time de Tite teve que brigar e se defender durante mais de 40 minutos após a expulsão inconsequente de Gabriel Jesus no começo do segundo tempo.

Após um primeiro tempo interessante em que a proposta de jogo do Chile funcionou um pouco melhor que a brasileira, Tite voltou do intervalo com uma mudança decisiva e, enquanto ensaiava tomar o controle das ações, Jesus levou cartão vermelho por um chute no queixo de Mena – sério: ele levantou muito o pé.

A expulsão naturalmente condicionou muito o restante da partida, que teve o Brasil se defendendo com afinco e contando com esporádicas e excepcionais arrancada de um maduro Neymar para esfriar um pouco a empolgação do Chile, cavar umas faltas e até criar algumas oportunidades de matar o jogo no contra-ataque.

No fim, o Chile não conseguiu aproveitar a vantagem numérica, criou apenas duas ou três chances de verdade, e foi eliminado da Copa América. O Brasil enfrentará o Peru, na segunda-feira, também no Nilton Santos, às 20h.

Encaixe ruim para o Brasil

O Brasil entrou com o seu 4-2-3-1 que se assemelha mais a um 4-2-4 com a bola (e um 4-4-2 sem ela): Richarlison e Jesus pelos lados, Neymar e Firmino se revezando entre a armação e a referência. Mas perdeu totalmente o meio-campo no primeiro tempo. O Chile tinha Vidal e Aránguiz em cima de Fred e Casemiro, Vargas prendendo os zagueiros e Alexis Sánchez livre para armar entre as linhas de defesa e meio-campo brasileiras.

Esse encaixe levou o Chile a ter quase 60% de posse de bola durante boa parte do primeiro tempo. E além de controlar mais as ações, também era perigoso quando esticava em velocidade. Aos 19 minutos, Vargas saiu nas costas da defesa, ficou cara a cara com Ederson e tentou a cavadinha. Mandou para fora, e o lance foi invalidado por impedimento, mas foi um sinal de perigo.

O Brasil respondeu com cruzamento de Neymar da esquerda para a segunda trave, onde Firmino apareceu se jogando e não conseguiu pegar em cheio na bola. No outro lado, Vargas partiu em velocidade, deixou Thiago Silva na saudade e bateu cruzado para ótima defesa de Ederson.

A equipe de Tite ainda conseguiu terminar o primeiro tempo com duas boas chances em sequência. Uma boa combinação entre Firmino e Jesus terminou com o cruzamento rasteiro do atacante do Manchester City. Neymar se antecipou para desviar, mas não pegou bem. A bola bateu na marcação e saiu em escanteio.

Como nos melhores momentos deste time, Neymar armando o jogo pelo meio encontrou o passe nas costas da defesa do Chile. Jesus brigou com a marcação, ganhou e bateu forte, para ótima defesa de Cláudio Bravo.

O predestinado – e a expulsão

Tite voltou para o segundo tempo com Lucas Paquetá na vaga de Firmino. Uma tentativa de recuperar o meio-campo, mas acabou recebendo um prêmio ainda maior. Logo no primeiro minuto, Fred passou para Casemiro que deu o toque para Paquetá tabelar com Neymar, ganhar de Sebastián Vegas no corpo e encher o pé para abrir o placar.

Parecia que o Brasil havia encontrado uma solução para o quebra-cabeça, mas nem dá para ter certeza porque, logo em seguida, Jesus entrou com o pé tão alto em uma dividida que acertou um chute no queixo (!) de Mena. Foi devidamente expulso.

Neymar contra rapa

Daí para frente, o jogo ficou bem simples. O Chile tentou atacar (e raramente realmente conseguiu), o Brasil se defendeu e Neymar contra-atacava praticamente sozinho. Prender a bola, buscar a jogada individual e chamar a falta são características que encaixam perfeitamente nessa situação de inferioridade numérica, e Neymar teve inteligência para esfriar o jogo quando tinha a oportunidade, devolver um ou dois socos e principalmente não perder a cabeça diante da marcação acirrada dos chilenos.

Por outro lado, após um ótimo primeiro tempo, o Chile decepcionou pelo pouco que produziu durante tanto tempo com um jogador a mais. Chegou a ter um gol anulado por impedimento, colocou uma bola na trave, em cabeçada de Brereton e exigiu uma boa defesa de Ederson em pancada de Meneses da entrada da área.

Boas oportunidades, mas insuficientes para evitar a sua saída da Copa América, enquanto o Brasil, com mais uma vitória, desta vez mais brigada do que qualquer outra coisa, avançou às semifinais.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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