Copa América 2024

Um mini-guia dos duelos que definirão quatro classificados da Concacaf à Copa América 2024

A Data Fifa terá quatro confrontos diretos em ida e volta na Concacaf, que confirmarão os quatro primeiros classificados da região para a Copa América de 2024

Falta menos de um ano para a realização da Copa América de 2024 e nem todos os participantes estão definidos. As dez seleções da Conmebol serão as de sempre, mas os seis representantes da Concacaf serão conhecidos através de eliminatórias. A entidade da América do Norte, Central e Caribe resolveu usar a Liga das Nações como base. Os quatro vencedores das quartas de final da Nations da Concacaf estarão na Copa América, enquanto os perdedores terão uma nova chance em repescagem para delinear os últimos dois classificados. Esta Data Fifa servirá para que as principais seleções da região se encarem em jogos de ida e volta, em busca da vaga no torneio de 2024.

Serão quatro confrontos diretos bem interessantes. Canadá x Jamaica fazem um embate razoavelmente equilibrado, com a fase recente dos canadenses mais eloquente, embora um elenco qualificado aos jamaicanos. Também será aberto o duelo entre Costa Rica x Panamá, duas seleções muito representativas da América Central, mas com os panamenhos mais embalados. Já em Estados Unidos x Trinidad & Tobago e México x Honduras, o favoritismo se escancara – especialmente no caso dos americanos, com obrigação da classificação por serem sede da Copa América.

Abaixo, aproveitamos para trazer os destaques de cada um desses confrontos. Os times classificados, além da vaga na Copa América, também disputarão o Final Four da Liga das Nações da Concacaf. A competição ocorrerá em março de 2024, no Texas, com semifinais e finais em jogo único. Já a repescagem da Copa América também está marcada para março. Os quatro perdedores das quartas de final serão sorteados em dois confrontos de jogo único, em que os dois vencedores também estarão na fase final da Copa América.

Alphonso Davies, do Canadá (Foto: Icon Sport)

Canadá x Jamaica

O duelo mais interessante dessa semana decisiva envolverá duas seleções que chamam atenção na Concacaf. O destaque para o Canadá é óbvio. Os Canucks vêm de uma campanha fantástica nas Eliminatórias e voltaram à Copa do Mundo depois de 36 anos. O time se portou bem no Mundial do Catar, apesar das três derrotas, mas perdeu um pouco de fôlego desde então. Sucumbiu aos EUA na decisão da Liga das Nações e também nas quartas de final da Copa Ouro. Já em outubro, os canadenses foram goleados pelo Japão na Data Fifa. O técnico John Herdman deixou o comando e o ex-assistente Mauro Biello é o interino. Já em campo, o capitão Atiba Hutchinson se aposentou. O fardo se torna maior nos ombros de gente como Milan Borjan, Steven Vitória, Stephen Eustáquio, Cyle Larin, Jonathan David e principalmente Alphonso Davies.

Enquanto isso, a Jamaica encorpa o seu elenco a partir da chegada de jogadores nascidos em outros países (sobretudo na Inglaterra) e com raízes jamaicanas. O técnico Heimir Hallgrímsson, que levou a Islândia à Copa de 2018, chegou a Kingston em 2022. O desempenho na Copa Ouro foi bom, apesar da pancada do México nas semifinais. Já a sequência recente de resultados também é positiva. A legião de destaques na Premier League inclui Michail Antonio, Bobby Decordova-Reid, Ethan Pinnock e Leon Bailey, enquanto Demarai Gray saiu recentemente. Há também veteranos do elenco com amplo currículo pelos Reggae Boyz, como o goleiro Andre Blake. Era um dos oponentes mais ingratos, e o Canadá não foi muito feliz no sorteio.

Folarin Balogun, dos Estados Unidos (Foto: Icon Sport)

Estados Unidos x Trinidad & Tobago

Os Estados Unidos sobram como melhor seleção da Concacaf nos últimos meses. O US Team fez uma boa campanha na Copa do Mundo, até as oitavas de final. Com o time principal, atropelou México e Canadá para levar o Final Four da Liga das Nações 2022/23. Já com os reservas, ainda conseguiu alcançar as semifinais da Copa Ouro. Em teoria, o grupo de Gregg Berhalter não deve ter problemas para encarar Trinidad & Tobago, rumo à Copa América em casa. A defesa deixa um pouco a desejar, embora vários jogadores estejam em atividade na Europa. O meio-campo compensa com muita qualidade graças às presenças de Yunus Musah, Weston McKennie e Giovanni Reyna. Já na frente, Folarin Balogun se tornou uma adição valiosa já depois da Copa do Mundo. O lamento fica para os desfalques de gente como Christian Pulisic e Tyler Adams, mas ainda assim os americanos devem dar conta do recado.

Trinidad & Tobago, afinal, está num escalão mais baixo do futebol da Concacaf. A equipe sequer disputou a fase final das Eliminatórias para a Copa de 2022 e caiu na fase de grupos da Copa Ouro – sendo goleada por 6 a 0 pelos reservas dos EUA. Os resultados em setembro e outubro foram melhores, abrindo o caminho para tentar a sorte na Copa América. Mas a equipe comandada por Angus Eve precisa de um milagre. O elenco se concentra na liga local e em clubes pouco expressivos do exterior. Um raro nome de destaque é o do atacante Levi García, jogador do AEK Atenas e importante no último título do Campeonato Grego. Parece pouco para intimidar os americanos.

Santiago Giménez, do México (Foto: Icon Sport)

México x Honduras

O México atravessa um dos piores momentos de sua história recente. E isso mesmo considerando a conquista da Copa Ouro, que trouxe um alívio, mas não invalida as críticas. El Tri fez uma participação péssima na Copa do Mundo e virou freguês dos EUA na Liga das Nações. Um bom papel na Copa América será importante para recuperar o moral. Jaime Lozano foi efetivado como técnico, após ocupar inicialmente como interino o lugar de Tata Martino. Já em campo, o elenco teve dias melhores no passado, mas ainda garante seus figurões. Guillermo Ochoa continua firme no gol, dono da braçadeira de capitão. A defesa reúne opções como Jesús Gallardo e César Montes. O meio-campo é protagonizado por Edson Álvarez e Luis Chávez. Já na frente, a confiança fica sobretudo para Hirving Lozano e Santiago Giménez, dois nomes em boa fase na Holanda. Raúl Jiménez também segue como uma alternativa na frente.

O lado bom para o México é que Honduras também passa longe de seus melhores períodos. Os Catrachos não venceram um jogo sequer nas Eliminatórias para a Copa de 2022, mesmo entrando diretamente no octogonal decisivo. O desempenho na Copa Ouro também foi risível, com a eliminação na fase de grupos. Desde então, os hondurenhos buscaram o comando de um velho conhecido: Reinaldo Rueda, nome de relevo no futebol de seleções e que levou o país para a Copa do Mundo de 2010. O problema é que o material humano não é bom, com o time quase todo restrito à liga local. Diferentemente de outros tempos, são raros os destaques de Honduras em atividade na Europa. Anthony Lozano, Alberth Elis e Luis Palma oferecem mais perspectivas neste sentido, todos eles à disposição do ataque. Também é um time com vários nomes na MLS, como Romell Quioto, Andy Najar e Bryan Acosta.

Adalberto Carrasquilla, do Panamá (Foto: Icon Sport)

Costa Rica x Panamá

As duas seleções que disputam o posto de principal força da América Central na atualidade duelarão por uma vaga na Copa América. A Costa Rica está um passo à frente, se for considerada a aparição na última Copa do Mundo. Os Ticos cresceram durante o Mundial e caíram de maneira até honrosa, depois da traulitada sofrida contra a Espanha na estreia. Porém, os resultados não animam desde então, com derrotas acumuladas ao longo do ano e uma campanha fraca na Copa Ouro, com queda para o México nas quartas de final. O técnico Luis Fernando Suárez saiu e a aposta é em Gustavo Alfaro, que vem de uma memorável passagem pelo Equador. O elenco costarriquenho passa por uma renovação em relação à geração dourada da Copa de 2014. Até permanecem figurinhas carimbadas como Joel Campbell, Yeltsin Tejeda, Bryan Oviedo e Francisco Calvo, mas os veteranos são cada vez mais escassos. Keylor Navas, lesionado, fará muita falta na meta – sempre faz a diferença. A aposta fica em garotos como Jewison Bennette e Brandon Aguilera, que tentam se firmar no futebol inglês.

Já o Panamá pode não ter chegado à Copa do Mundo, mas vem de um ano ótimo em 2023. Disputou a fase final da Liga das Nações, mesmo derrotado pelo Canadá na semifinal. Brilhou na Copa Ouro, com uma campanha até a decisão, capaz de deixar pelo caminho nos mata-matas Catar e Estados Unidos – apesar da derrota para o México na final. A Maré Vermelha também possui a seu favor as vitórias nos dois últimos encontros com a Costa Rica, ambos neste ano, tanto na Nations passada quanto na Copa Ouro. Vai bem o técnico Thomas Christiansen, dinamarquês radicado na Espanha, que dirigiu clubes como Leeds United e Union St. Gilloise antes de desembarcar em solo panamenho em 2020. O elenco possui jogadores com currículos extensos, a exemplo de Luis Mejía, Michael Murillo, Alberto Quintero, Aníbal Godoy e Cecilio Waterman. Apesar disso, há poucos resquícios da envelhecida geração da Copa de 2018. Quem encanta é Adalberto Carrasquilla, meio-campista de 24 anos do Houston Dynamo. Gastou a bola na Copa Ouro, a ponto de ser eleito o melhor jogador da competição.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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