Copa América

Messi: “É uma loucura, é inexplicável a felicidade que sinto. Muitas vezes tive que sair triste, sabia que uma hora ia acontecer”

Craque falou da luta para conquistar seu primeiro título pela seleção e do alívio, até para a família

O apito final no Maracanã guardou uma imagem que ficará gravada por décadas na memória da seleção argentina. Lionel Messi, de imediato, se ajoelhou no gramado. E todos os companheiros saíram correndo para felicitar o capitão. Eles sabiam o que significava conquistar a Copa América contra o Brasil, depois de um hiato de 28 anos e muitas decisões perdidas pela Argentina. Porém, sabiam ainda mais o que aquele troféu significava ao camisa 10, ao ídolo de todos eles. Certamente sentiram a honra por conseguir e também por ajudá-lo. Cantaram o nome da lenda, jogaram-no para o alto e celebraram aquele instante que tanto ansiou.

A entrevista de Messi depois do jogo enfatiza a importância da Copa América para ele. Não se esqueceu de exaltar os companheiros e o treinador, mas também falou do valor pessoal que a taça possui. Mais do que isso, sabe como aquele momento seria importante à sua família, ao povo argentino. Entre um misto de alívio e regozijo, o camisa 10 enfim vivia seu festejo com a Albiceleste.

O alívio pela conquista

“Eu precisava tirar essa espinha da garganta, poder conseguir ganhar algum título com a seleção. Estive muito perto em vários anos, sabia que em algum momento ia acontecer. Agradeço a Deus por me dar esse momento, no Brasil e contra o Brasil. Creio que ele estava guardando para mim. É uma loucura, é inexplicável a felicidade que sinto. Muitas vezes tive que sair triste, sabia que uma hora ia acontecer, e não havia melhor momento. Esse grupo merecia de verdade, é algo impressionante, muito feliz”.

A maneira como jogou no sacrifício

“Eu não estava machucado, mas vinha arrastando uma dor na coxa. As últimas partidas foram seguidas, sem tempo para descanso. Estávamos iguais, com apenas o suficiente para a final, mas por sorte tudo saiu bem”

A felicidade também pela família

“Muitíssimas vezes sonhei com isso. Dedico à minha família, minha mulher, meus filhos, meus pais, meus irmãos, que muitas vezes tiveram que sofrer – como eu ou até pior que eu. Sempre tivemos que sair de férias depois e passar vários dias tristes, sem ganhar nada. Desta vez será diferente”

A festa na Argentina

“Eu vi os festejos e também me disseram. No Obelisco, no monumento à bandeira em Rosário, em todos os lados. Aproveito para agradecer o reconhecimento do povo de Rosário na sexta, é algo emocionante. Fico feliz que a Argentina possa desfrutar, que possamos levar essa taça para lá. Era tão desejada, tanto a queríamos e agora vamos levar. Creio que ainda não temos consciência do que realmente fizemos, além de sermos campeões. Agora estamos muito felizes, comemorando, mas será um jogo que ficará para a história, termos vencido a final contra o Brasil e dentro do Brasil”

A confiança no grupo

“Confiava muito neste grupo, que ficou muito forte desde a última Copa América, onde já aconteceram muitas coisas boas. Um grupo de pessoas muito boas, que sempre seguem em frente, que nunca se queixam de nada. Foram muitos dias trancados, sem poder ver a família, mas o objetivo estava claro. Ganhamos a possibilidade, pudemos ser campeões e a felicidade é imensa”

A estrela de Di María e os outros companheiros do passado

“Disse a Fideo que teria sua revanche, ele teve a sorte de poder fazer o gol, dar o triunfo para a gente. Gostaria de compartilhar isso com os companheiros que passaram, estivemos perto muitas vezes e não aconteceu. Eles também mereciam poder viver algo assim. Sei que estão felizes por nós, pela Argentina. Compartilho com eles porque eles também fizeram muito por essa seleção. Coube a nós levantarmos o troféu, mas é um trabalho de muitos anos”

O papel de Scaloni

“Isso é mérito de Scaloni, o que ele fez, o que ele construiu. Já são três anos que iniciou seu processo, sempre buscou o crescimento, sempre quis o melhor para a seleção. Soube montar um grupo espetacular, um grupo ganhador, merece o reconhecimento. Faz muito tempo que a Argentina não era campeã da Copa América e hoje consegue por suas mãos”

O futuro da seleção

“Sempre que você ganha, tem que aproveitar a onda, é mais fácil quando os resultados acompanham. Temos que aproveitar isso e sobretudo esse grupo de jogadores. Disse que eles eram o futuro da seleção e não me equivoquei, demonstraram ganhando esse título. Faz tempo que vínhamos trabalhando juntos, é um grupo de rapazes espetaculares, fico muito feliz sendo parte deste grupo. Desfrutei muito esses 45 dias e termina de uma maneira impressionante, com a consagração”

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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