Copa América 2024

Em jogo fraquíssimo, a seleção peruana se valeu da regra do impedimento e dos pênaltis para desbancar o Uruguai

A bola sofreu na Fonte Nova. Como de praxe nestas quartas de final da Copa América, Uruguai e Peru fizeram uma partida muito fraca tecnicamente. A Celeste foi melhor ao longo dos 90 minutos, mas não apresentou um grande futebol e lamentou o grito que ficou preso na garganta. Os uruguaios tiveram três gols anulados pela arbitragem, em impedimentos difíceis de serem marcados, mas todos confirmados pelo VAR. A Blanquirroja não reclamou da sorte, com um futebol extremamente pobre, no qual nem assustaram Fernando Muslera. Após os 90 minutos arrastados, a definição ficou para os pênaltis. E, logo na primeira cobrança, Luis Suárez parou em Pedro Gallese, abrindo caminho à vitória peruana. Com os 5 a 4 na marca da cal, o time de Ricardo Gareca pegará o Chile na semifinal e terá a chance de se vingar da eliminação para os rivais na mesma fase em 2015.

As escalações

O Uruguai não trouxe muitas mudanças em sua escalação. Óscar Tabárez manteve seu sistema, com preferências em peças específicas. Giovanni González ganhou a posição na lateral, Federico Valverde se confirmou no meio e Giorgian de Arrascaeta ganhou a disputa com Nicolás Lodeiro na ponta. Já o Peru, diante da lesão de Jefferson Farfán, optou por pontas mais incisivos. Edison Flores e André Carrillo vinham pelos lados, com Christian Cueva centralizado na armação.

Desde o início, uma partida ruim

O começo do jogo já teve pouquíssima qualidade. Nenhum dos times se expunha e errava demais na criação das jogadas. Tentavam forçar as bolas longas, sem muito repertório para cadenciar a saída de jogo. O Uruguai deu o primeiro susto, em uma cabeçada de Luis Suárez que quase encobriu Pedro Gallese, mas saiu por cima do travessão. Logo depois, Nahitan Nández passaria pela direita e bateu prensado, facilitando a defesa do goleiro. O Peru tentaria se postar um pouco mais no campo de ataque, mas a zaga uruguaia se defendia confortavelmente, sem qualquer inventividade dos peruanos.

O Uruguai melhora

A situação do Uruguai melhorou quando seu meio-campo passou a funcionar, saindo para o jogo com mais velocidade e conectando com os atacantes. Foi neste momento que as oportunidades começaram a aparecer. Suárez forçou uma boa defesa de Gallese e Edinson Cavani isolou o rebote, em desperdício inacreditável na pequena área, mas o lance acabou cancelado por impedimento na construção. Depois, Nández tentou uma cabeçada sem direção. E ainda houve um gol anulado de Giorgian de Arrascaeta, em passe de Nández, que estava impedido.

Mais chuva que bola

Como sempre, Paolo Guerrero era o alvo das jogadas do Peru. O centroavante era muito bem acompanhado pela marcação uruguaia e não tinha vida fácil. As divididas eram firmes. Aos 28, chegou a invadir a área e pedir um pênalti, mas José Maria Giménez foi apenas na bola para antecipá-lo. Do outro lado, Cavani e Suárez também não mostravam grande inspiração. O camisa 21 chegou a sair de frente para o gol, após bom passe de Arrascaeta, mas chutou em cima de Gallese, que fechava o ângulo. O Pistolero ainda furaria um lance na sequência. Já o Peru teve um esboço ou outro antes do intervalo, nada que realmente ameaçasse Fernando Muslera.

Mais emoção no segundo tempo (mas nem tanto)

O início do segundo tempo seria um pouco mais promissor. Federico Valverde cobrou falta frontal e forçou uma ótima defesa de Gallese, que buscou a bola no alto. O Peru também jogava de maneira um pouco mais solta, dando um susto em cruzamento de Edison Flores, que Guerrero não pegou em cheio. Diego Godín ainda perderia um gol feito dentro da área. Suárez tocou para o meio após cobrança de escanteio e, de frente para o crime, o zagueiro isolou. E quando Cavani conseguiu marcar, aos 13, aproveitando um lançamento às costas da zaga, estava poucos centímetros impedido, provocando outra anulação. Logo depois, o marasmo voltou a imperar em Salvador.

O Uruguai tenta, mas a bandeira levanta

O Uruguai foi melhor no segundo tempo e tinha volume, pressionando a defesa do Peru. Faltava acertar a construção das jogadas. E, pela terceira vez na tarde, a Celeste teve um gol anulado. Aos 28, Cáceres recebeu na esquerda e cruzou. Suárez apareceu livre na área, completando com o joelho. Estava um pouco à frente dos defensores quando o passe saiu, o que o bandeirinha flagrou. Do outro lado, o Peru se resumia a lampejos, mas nada que realmente testasse Muslera. Parecia acomodado em arrastar aos pênaltis. A Celeste insistiu um pouco mais, sobretudo nas bolas alçadas. O árbitro Wilton Pereira Sampaio ainda deu sete minutos de acréscimos, para absolutamente nada. A definição ficaria para os pênaltis. A partida foi tão ruim que a torcida comemorou o apito final, apenas pelo sádico desejo de ver os penais.

Suárez terminou como vilão

Suárez cobrou a primeira do Uruguai. Encheu o pé, mas não bateu bem. Gallese acertou o canto e defendeu com a barriga. Logo depois, Guerrero mandou no canto e deixou o Peru em vantagem. Cavani botou a Celeste em pé de igualdade, com um chute firme. Por mais que Muslera tenha caído ao lado certo e triscado na bola, não defendeu o segundo tiro peruano, de Ruidíaz. Stuani, que saíra do banco apenas para cobrar, fez o dele com segurança. Yotún recolocou a Blanquirroja em vantagem, mandando no ângulo, e Rodrigo Bentancur segurou as esperanças charruas. Muslera ficou no quase de novo quando Advíncula converteu. E, após Lucas Torreira vencer Gallese, Flores bateu no meio para colocar a seleção do Peru na semifinal.

Ficha técnica

Uruguai 0x0 Peru (5×4 para o Peru nos pênaltis)

Estádio: Fonte Nova, em Salvador
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio
Gols: nenhum
Cartões amarelos: Diego Godín, Federico Valverde (Uruguai); Christian Cueva, Carlos Zambrano (Peru)
Cartões vermelhos: nenhum

Uruguai: Fernando Muslera, Giovanni González, José María Giménez, Diego Godín, Martín Cáceres; Nahitan Nández (Lucas Torreira), Federico Valverde (Cristhian Stuani), Rodrigo Bentancur, Giorgian de Arrascaeta; Luis Suárez, Edinson Cavani. Técnico: Óscar Tabárez.

Peru: Pedro Gallese, Luis Advíncula, Carlos Zambrano, Luis Abram, Miguel Trauco; Renato Tapia, Yoshimar Yotún; André Carrillo (Christofer Gonzáles), Christian Cueva (Raúl Ruidíaz), Edison Flores; Paolo Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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