Copa América 2024

Em goleada que soou como obrigação, a atuação de Coutinho foi o ponto alto para o Brasil

Valeu para testes no time, valeu para o saldo de gols, valeu para Philippe Coutinho pedir passagem como um dos protagonistas do time. No mais, o duelo entre Brasil e Haiti pela Copa América acabou soando como um amistoso. Os caribenhos não tiveram uma atuação tão concentrada quanto contra o Peru e expuseram todas as suas fragilidades. Melhor para a Seleção, que goleou por 7 a 1. No entanto, nada que merecesse além de elogios pontuais. Diante das as circunstâncias, o placar deixou a sensação de obrigação.

O Brasil voltou a mostrar as virtudes que valeram os poucos elogios após o empate com o Equador: o padrão de jogo e o controle de posse de bola. Nada mais natural diante de um adversário que parecia nervoso, mal conseguindo passar da linha central e com jogadores discutindo entre si. Apesar disso, a Seleção pecava na hora de invadir a área. Até que Philippe Coutinho resolveu chamar a responsabilidade, como costuma fazer pelo Liverpool, e abrir o placar com grande jogada individual.

A partir de então, a goleada se escancarou. Avançando bastante pelo lado direito, o Brasil criou o segundo gol por ali, com Jonas servindo Coutinho, após trapalhada da zaga. E um novo erro permitiu o terceiro, quando o goleiro Placide saiu jogando errado e abriu o caminho para Renato Augusto estufar as redes de cabeça. Com o placar estabelecido para o segundo tempo, Dunga começou a fazer suas avaliações na volta do intervalo. Colocou Gabigol no lugar de Jonas e o novato respondeu logo aos 13 minutos, marcando o quarto em boa finalização. Depois, foi a vez de Lucas Lima entrar no lugar de Casemiro, formando um meio-campo mais leve. E justamente o santista fez o quinto.

O grande momento da partida, no entanto, veio aos 24 minutos da segunda etapa. A partir de um rebote de Alisson, James Marcelin fez o gol de honra do Haiti. Causou uma explosão nas arquibancadas em Orlando, na qual a maioria dos torcedores era composta por haitianos. Apesar da goleada, os jogadores também celebraram bastante. O simples gol contra os brasileiros, por toda a relação da ilha com a Seleção, possui um significado imenso.

Por fim, o Brasil seguiu martelando para fechar a goleada. Renato Augusto fez o sexto a partir de jogada individual, enquanto Philippe Coutinho fechou a conta com seu terceiro, em belo chute cruzado. O fim de um passeio.

A importância da goleada é mínima ao Brasil, pensando no contexto. Olhando para a tabela, dá à equipe o direito do empate contra o Peru na rodada final. Seu reflexo está mais na forma como o placar elástico influenciará o comportamento da equipe. Se os jogadores irão ganhar embalo, como deveria acontecer, ou se haverá alguma acomodação. Pela fome com que a Seleção jogou ao longo dos 90 minutos, ao menos as expectativas crescem para a sequência.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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