Copa América

Depois de um grande primeiro tempo, o Brasil tomou sufoco no segundo, mas se garantiu na final da Copa América

Brasil foi amplamente superior na primeira etapa, mas só marcou um gol e depois veria o Peru dificultar demais nos 45 minutos finais

A seleção brasileira disputará mais uma final de Copa América. O Brasil cumpriu seu favoritismo e derrotou o Peru por 1 a 0 na semifinal, disputada no Estádio Nilton Santos. Os brasileiros agora aguardam Argentina ou Colômbia na decisão. A equipe de Tite fez um excelente primeiro tempo, apresentando um futebol envolvente e de ótimas tramas. Contudo, o baile rendeu apenas um gol e dificultou a segunda etapa. Com as mudanças realizadas por Ricardo Gareca, os peruanos melhoraram muito na volta do intervalo e deram alguns sustos, mas a Seleção conseguiu preservar o placar. Os 90 minutos refletem um pouco o que é o Brasil neste torneio, com momentos ótimos, mas oscilação dentro das partidas e riscos que pareciam desnecessários.

Sem o expulso Gabriel Jesus, Tite resolveu sacar também Roberto Firmino da equipe titular. A Seleção entrou com Neymar, Richarlison e Everton Cebolinha se combinando no ataque. Além disso, Lucas Paquetá ajudava na articulação e dava mais ofensividade ao meio-campo. Outra escolha importante era Ederson no gol, encerrando o rodízio com Alisson. Já o Peru não poderia contar com André Carrillo, expulso diante do Paraguai. A equipe tinha Christian Cueva e Sergio Peña abertos no meio, num 5-4-1. Gianluca Lapadula era o destaque no ataque.

O Brasil realizou seu melhor primeiro tempo nesta Copa América. O jogo da Seleção fluiu bastante, com a flutuação de Paquetá e as aproximações de Casemiro, enquanto Renan Lodi avançava na esquerda. Além disso, Neymar mantinha o altíssimo nível apresentado no torneio e deslumbrava, com um ótimo repertório de dribles e tabelas. Mesmo que a vantagem fosse pequena, a superioridade brasileira era inquestionável. O Peru mal se aproximou da área de Ederson, com apenas uma finalização nos 45 minutos iniciais.

O domínio do Brasil ficou claro desde o início e Neymar poderia ter marcado o primeiro logo aos oito minutos. Numa enfiada de Paquetá para Richarlison, o atacante rolou para trás e o camisa 10 chegou batendo, mas errou o alvo. Tão importante quanto as boas trocas de passes brasileiras era a pressão da equipe, que garantia a recuperação imediata. E se ainda estava difícil para invadir a área, os anfitriões arriscavam chutes de longe. O goleiro Ricardo Gallese mantinha a segurança.

O abafa do Brasil se tornou mais intenso aos 20 minutos. Foi quando Gallese se desdobrou para evitar o gol. O arqueiro faria uma ótima intervenção em tiro de longe de Casemiro, pouco antes de operar dois milagres. Conseguiu fechar o ângulo de Neymar à queima roupa e ainda pegou de forma incrível o rebote de Richarlison, quando a meta se via aberta. Já aos 24, numa saída do goleiro no limite da grande área, Neymar conseguiu cruzar e a zaga peruana travou Everton Cebolinha na hora da finalização. Mesmo que os chutes não fossem tão bons, a Seleção criava e desenvolvia ótimas tramas.

O gol do Brasil parecia questão de tempo. Veio aos 35 minutos, a partir de uma roubada de bola de Richarlison. Neymar recebeu na esquerda e acelerou. Mesmo marcado por dois, o atacante descolou uma caneta e só rolou ao meio da área. Paquetá estava desmarcado e estufou as redes. Paquetá e Neymar, aliás, impressionavam pela maneira como se entendiam nas tabelas. A Seleção seguiu melhor até o intervalo, mas sem acertar as conclusões. Enquanto isso, o Peru pouco ameaçou do outro lado. No máximo, teve um chute que bateu no cotovelo de Thiago Silva e acabou não sendo revisado pelo VAR.

Ricardo Gareca realizou duas trocas para o segundo tempo, colocando Marcos López no lugar de Miguel Trauco na lateral esquerda e também tirando o zagueiro Christian Ramos para a entrada do meia Raziel García. Com isso, a seleção peruana se soltou empurrou o Brasil ao campo de defesa. O primeiro chute aconteceu aos quatro minutos, quando Lapadula fintou Thiago Silva e bateu firme para uma defesa complicada de Ederson. A Seleção não conseguia construir seu jogo da mesma maneira e se via acuada. Ederson ainda precisaria rebater outro arremate, quando Raziel García arriscou de fora da área.

Somente depois dos 15 minutos é que o Brasil começou a escapar, buscando os contra-ataques e acelerando seus avanços. Cebolinha e Neymar voltariam a tentar pelas pontas, mas os chutes não foram bons. Também haveria uma reclamação de pênalti sobre Richarlison após empurrão nas costas, que o árbitro não deu e o VAR sequer revisou. E a primeira troca de Tite aconteceu aos 25, com Everton Ribeiro na vaga de Cebolinha. Não que o time tenha melhorado muito. O Peru seguia no ataque e ameaçava a tranquilidade dos brasileiros. Faziam falta as chances perdidas no primeiro tempo.

O Peru ganhou mais presença de área com Santiago Ormeño no lugar de Cueva. E o atacante logo assustou, após uma cobrança de falta, em que Ederson saiu em falso. Já o Brasil viria com uma troca tripla aos 39: Militão, Fabinho e Vinícius Júnior ocupavam as vagas de Lodi, Fred e Richarlison. A Seleção ganhou mais escape. Se não rendeu lances claros, pelo menos os brasileiros seguravam mais a bola no ataque e gastavam o tempo. Era um fim de jogo muito pegado, com diversas faltas. A pior notícia para o Brasil ficaria por conta da saída de Paquetá, sentindo, para dar lugar a Douglas Luiz. No fim das contas, deu para segurar o placar e a classificação.

O Brasil disputará a sua sétima final de Copa América nas últimas dez edições, com seis títulos neste intervalo. Cumpre as expectativas sobre a equipe no torneio, por mais que a inconstância dentro dos jogos gere críticas. De qualquer maneira, claramente o time de Tite está um nível acima de seus adversários na competição. Neymar gasta a bola e Paquetá é quem mais se sobressai entre seus companheiros. Já o Peru sai com a sensação de dever cumprido, ao alcançar as semifinais pela quarta vez nas últimas cinco edições. O time de Ricardo Gareca fez boas atuações e sai revigorado para a sequência das Eliminatórias. Voltar à Copa do Mundo seria um grande prêmio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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