Copa América

De volta ao gol da Venezuela, Fariñez pegou tudo para frustrar a Colômbia com o 0 a 0

Joel Graterol, do América de Cali, havia sido titular nos três jogos anteriores da Venezuela no lugar do goleiro do Lens

Sem nenhum motivo para não fazer isso, dada a configuração dessa Copa América, Reinaldo Rueda está revezando a dupla de ataque da seleção colombiana. Contra o Equador, jogou com Miguel Borja e Santos Borré. Para enfrentar a combalida Venezuela, apostou no entrosamento de Duván Zapata e Luis Muriel, ambos da Atalanta. Nenhuma das duas brilhou até agora. A Venezuela praticamente repetiu o time que havia pegado o Brasil. Não que tivesse muita opção depois de um surto de Covid-19 comprometer quase metade do seu elenco. Teve apenas uma mudança. Uma mudança importante.

Se a Venezuela conseguiu segurar o 0 a 0 contra a Colômbia, foi graças às oito defesas de Wuilker Faríñez, que retornou para baixo das traves da Venezuela após três jogos como reserva de Joel Graterol e correspondeu à confiança do treinador José Peseiro com uma atuação incrível.

Faríñez é um jovem goleiro de apenas 23 anos, mas já tem 27 partidas pela seleção venezuelana. E uma grande campanha. Foi o arqueiro do Mundial Sub-20 de 2017, quando ajudou a sua equipe a chegar à decisão. Foi decisivo na disputa de pênaltis contra o Uruguai nas semifinais, antes da derrota para a Inglaterra na grande decisão.

Já havia estreado pelo time principal, mas ganhou de vez a posição depois daquele vice-campeonato. Não atrapalhou que Rafael Dudamel era o comandante das duas seleções. Desde agosto de 2017, perdeu apenas três jogos da Venezuela e foi titular em todos os outros. É um dos raros goleiros do mundo que enfrentou Lionel Messi três vezes e não recebeu uma garrafa da Budweiser. Mais raro ainda, tem apenas 1,80 metros.

Mas desde que a seleção se reuniu para a rodada dupla das Eliminatórias e o começo da Copa América, havia sido preterido por Graterol. Não foi uma decisão absurda de Peseiro porque a transferência do Millonarios para o Lens não deu tão certo quanto ele gostaria. Foi reserva do sétimo colocado do Campeonato Francês. Atuou apenas três vezes pela Ligue 1 e seis no total, atrás do veterano Jean-Louis Leca. Graterol, por outro lado, vinha colecionando boas exibições pelo América de Cali na Libertadores.

Mas Faríñez voltou ao gol da Venezuela para enfrentar a Colômbia e foi o melhor em campo. De longe. Uma lenta seleção colombiana não teve o seu melhor jogo, mas chegou a produzir o bastante para fazer pelo menos um gol – 23 finalizações, oito no alvo. O problema é que Faríñez não deixou.

Depois de Luis Muriel roubar a bola no campo de ataque, Cardona recebeu, abriu à perna direita e bateu rasteiro. Faríñez caiu para fazer a sua primeira boa defesa na noite. Aos 32, Cardona achou Zapata entre a defesa venezuelana. Ele dominou bem abrindo espaço para o chute. Não foi a melhor finalização, e Faríñez nem foi tão bem nessa jogada, espalmando ao lado. Para sua sorte, Muriel mandou o rebote para fora.

Depois de pegar outra de Zapata, em jogada individual, Faríñez fez a defesa mais plástica do jogo para evitar o que seria um golaço. Cuadrado cruzou da direita, Uribe matou no peito e virou um voleio. Com uma mão, Faríñez espalmou por cima do travessão. Nos minutos finais, teve outra intervenção importante. Outra jogada de Cuadrado pela direita. Borja foi acionado e dominou erguendo a bola. Faríñez pulou como um goleiro de handebol para desviar.

O empate provavelmente não fará nenhuma diferença prática em um formato esdrúxulo que classifica quatro seleções em cada grupo com cinco. A Colômbia passará, a Venezuela talvez não. Mas é um ponto bacana diante de todas as dificuldades da semana passada e, para Faríñez, é um recado importante ao seu treinador depois de três jogos na reserva.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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