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Conmebol confirma que Copa América 2021 será realizada no Brasil

Depois de Colômbia e Argentina deixarem de serem sedes por protestos e pela pandemia, Conmebol encontrou na CBF uma aliada disposta a realizar o torneio mesmo em meio a uma pandemia ainda descontrolada; jogos devem ser em São Paulo, Brasília, Recife e Natal

Em meio a um conjunto de caos, a Conmebol confirmou nesta segunda-feira pela manhã que a Copa América 2021 será realizada no Brasil. O anúncio foi feito nas redes sociais da entidade, que ainda garantiu que o calendário está mantido para a competição, com início no dia 13 de junho. Ainda serão confirmados os locais dos jogos. Em comunicado pelo Twitter, a Conmebol agradeceu ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e à sua equipe, além da CBF pelos esforços em levar o torneio para o país. A situação da pandemia no Brasil também é grave, assim como na Argentina e em outros países sul-americanos.

“O governo do Brasil demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano”, disse o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez. “O Brasil vive um momento de estabilidade, tem comprovada infraestrutura e experiência acumulada e recente para organizar uma competição dessa magnitude”, diz ainda a nota da entidade sul-americana.

O Brasil registou 950 mortes por Covid-19 neste domingo e chegou a 462.092 mortos, oficialmente, pela doença. A média móvel de mortes no Brasil dos últimos sete dias chegou a 1.844 pessoas, segundo mostram os números do consórcio dos veículos de imprensa.

Inicialmente, a Copa América 2021 seria sediada em conjunto entre a Colômbia e a Argentina, ainda em 2020. A Conmebol adiou a competição para 2021, como aconteceu no com competições esportivas pelo mundo. Em 2021, porém, as coisas se complicaram. Protestos na Colômbia se acentuaram, o que começou a complicar inclusive a realização de jogos da Sul-Americana e Libertadores no país. Diante de protestos cada vez mais intensos, a Conmebol decidiu tirar a Copa América da Colômbia.

A ideia inicial era que a Argentina fosse sede única, mas diante de tantos problemas com o controle da pandemia, o governo argentino mudou de posição. Antes defensor da realização do torneio no país, a administração de Alberto Fernández se viu em uma situação complicada de agravamento da pandemia. O aumento das restrições no país fez com que jogos de futebol de torneios locais fossem adiados. A Copa América estava mantida, mas foi ficando cada vez mais difícil manter o torneio de pé. O governo argentino estava prestes a anunciar nesta segunda-feira que não realizaria a Copa América e a Conmebol se antecipou, anunciando que o torneio não seria mais no país.

A própria Conmebol afirmou naquele momento que analisava propostas para outros locais de realização do evento. Havia um rumor para levar a Copa América aos Estados Unidos, inclusive com a presença de público, já que a vacinação no país está em estado mais avançado que qualquer país sul-americano. Segundo o ge.globo, Venezuela e Equador também se candidataram para receberem a Copa América. A Conmebol, porém, queria uma solução local. Já negociava com o Chile para receber os jogos inicialmente marcados para a Colômbia. Paraguai e Brasil se ofereceram para receber a competição. O Brasil acabou levando.

A última Copa América, em 2019, também foi realizada no Brasil. Este, aliás, foi um fator considerado pela Conmebol para dar ao país a nova edição em um momento de emergência. Outro argumento usado foi o que o país tem muitos estádios em condições de receberem os jogos de última hora, sem tantos problemas. A ideia da Conmebol é realizar a final no Maracanã, no Rio de Janeiro, na data inicialmente programada, 10 de julho.

Segundo Martín Fernández em matéria no ge.globo, o Brasil não era considerado como possibilidade até o início da reunião de emergência realizada pela Conmebol nesta segunda-feira pela manhã. O cenário mudou quando foi citado que o Brasil tinha vários estádios de Copa do Mundo ociosos, como o Mané Garrincha, em Brasília, Arena da Amazônia, Arena Pernambuco e Arena das Dunas, em Natal. O governo brasileiro foi consultado sobre a possibilidade e deu sinal verde.

O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil não serão interrompidos durante o torneio, o que os torna concorrentes pelo uso dos estádios. A ideia, portanto, é colocar um grupo para jogar em Manaus e Brasília e outro para jogar no Recife e em Natal. Isso já mudou ao longo da manhã: Manaus seria retirada a São Paulo incluída, ainda não se sabe em que estádio. A disputa ficaria localizada em estádios não utilizados no dia a dia do futebol brasileiro, enquanto a Copa América é disputada. Uma situação tão maluca que certamente ficará na história como um exemplo do caos que é o futebol brasileiro.

Resta saber como tudo isso vai acontecer em meio a um Brasil que também sofre com a pandemia da Covid-19 e com um clima político agitado pela CPI da pandemia. Considerando como o presidente da CBF, Rogério Caboclo, conduz o futebol brasileiro em meio à pandemia, não é uma surpresa que o torneio tenha vindo para o Brasil. Afinal, em março, quando São Paulo, por exemplo, paralisou o Campeonato Paulista diante do agravamento da pandemia, o dirigente fez reunião dizendo que o futebol não podia parar. A sua forma de lidar com o caso já era mal vista e ficou ainda pior com uma crise interna recente, que falamos no nosso podcast.

O Brasil teve protestos no último sábado, com pautas difusas, mas com um tom contra o presidente Jair Bolsonaro. Resta saber como serão realizados os jogos da Copa América em meio a essa crise sanitária, política e econômica que vive o país. Parecia claro que a Conmebol queria a realização da Copa América fosse como fosse. Encontrou no Brasil, pelo presidente da CBF, especialmente, um aliado que também está disposto a passar por cima de tudo para que a bola role. Veremos qual será o resultado disso.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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