Copa América

Brasil x Argentina no Maracanã: Três vitórias emblemáticas da Seleção no clássico, com as bases dos três primeiros títulos mundiais

Aproveitamos a final da Copa América para recontar as histórias de triunfos do Brasil em 1960, 1963 e 1970 sobre a Argentina

O duelo entre Brasil x Argentina não foi tão frequente no Maracanã quanto poderia se imaginar. O embate deste sábado é apenas o 12° clássico realizado no estádio, mesmo sendo a mais tradicional casa da seleção brasileira. E a decisão da Copa América interrompe um intervalo de 23 anos sem que a partida acontecesse no templo carioca, desde uma amarga vitória da Albiceleste por 1 a 0, gol de Cláudio López, na preparação das equipes à Copa do Mundo de 1998. Desde então, o Superclássico foi organizado por AFA e CBF de Londres a Pequim, mas nunca mais havia ocorrido no Maraca.

Na primeira metade do Século XX, antes que o Maracanã fosse construído, Brasil e Argentina se enfrentaram sete vezes no Rio de Janeiro. Foram três jogos no Estádio de Laranjeiras e outros quatro em São Januário. A Seleção venceu cinco duelos e só perdeu um. Já no Maraca, o primeiro jogo só aconteceu em julho de 1957, por conta do rompimento entre as federações que perdurou uma década. A Albiceleste ganhou por 2 a 1 o encontro válido pela Copa Roca, mas aquela seria uma ocasião bem mais marcante aos brasileiros, afinal. Foi o primeiro jogo de Pelé, com 16 anos, vestindo a amarelinha. Marcou inclusive o gol dos anfitriões.

Dos 11 encontros anteriores entre Brasil e Argentina no Maracanã, três valeram pela Copa América. A Seleção se deu melhor em 1979 e 1989, com gols memoráveis de Tita e Bebeto. Já em 1983, mesmo o empate por 0 a 0 não atrapalhou a classificação dos brasileiros aos mata-matas, em tempos nos quais não havia sede fixa na competição. Já os amistosos se concentraram sobretudo na década de 1960. De 1960 a 1970, foram cinco partidas entre os rivais. A Canarinho dava um chocolate na Albiceleste, com quatro vitórias e um empate, incluindo três goleadas.

Aproveitando essas histórias menos lembradas, recontamos três vitórias do Brasil sobre a Argentina no Maracanã neste período de 1960 a 1970. A Seleção abarcava as gerações que conquistaram os três primeiros títulos mundiais ao país, enquanto a Albiceleste, por mais que elencasse grandes ídolos dos clubes, estava distante na representatividade internacional. No fim das contas, a hegemonia brasileira era expressa, por mais que os argentinos passassem a dominar a Libertadores com seus clubes na mesma época.

12 de julho de 1960, Brasil 4×1 Argentina

Brasil e Argentina tinham feito partidas movimentadas em maio de 1960, pela Copa Roca. Os dois encontros aconteceram no Monumental de Núñez, mas a Seleção conseguiu ficar com a taça. Depois da vitória da Albiceleste por 4 a 2 no primeiro embate, a Canarinho deu o troco e ganhou o reencontro por 4 a 1 na prorrogação, depois dos 2 a 0 no tempo normal. No entanto, Vicente Feola não contou com seus principais craques naquela ocasião. Os únicos titulares do título de 1958 que apareciam na escalação eram Gylmar, Djalma Santos e Bellini.

Dois meses depois, Brasil e Argentina voltaram a se pegar pela Taça do Atlântico, torneio que reunia ainda Uruguai e (ironicamente) Paraguai. A Seleção havia vencido os paraguaios, mas perdido para os uruguaios. Assim, deveria derrotar os argentinos no Maracanã para ter chances de ficar com o troféu. Feola ganhou reforços preciosos em relação aos duelos anteriores. A defesa mantinha a trinca formada por Gylmar, Djalma Santos e Bellini, mas contou com a presença de Nilton Santos, além do zagueiro Aldemar. No meio, os palmeirenses Zequinha e Chinesinho formavam a dupla central. Já no ataque, o vascaíno Sabará acompanhava o trio santista composto por Pelé, Pepe e Coutinho – este, em sua segunda aparição na equipe nacional, aos 17 anos.

A Argentina era treinada por Guillermo Stábile, que retomou o comando brevemente mesmo depois da decepcionante campanha na Copa de 1958. Nomes como José Varacka, Norberto Boggio e Beto Menéndez eram os remanescentes do Mundial da Suécia. E a Albiceleste também contava com outras boas figuras naquele período de transição, como o goleiro Antonio Roma e o atacante Rubén Héctor Sosa, presentes na Copa de 1962. Porém, estariam distantes de competir com o Brasil, numa partida fantástica de Pelé, que liderou a goleada por 5 a 1.

O Maracanã recebeu 60 mil torcedores naquela noite. E a Argentina até saiu em vantagem, aos cinco minutos, com Sosa. Porém, a reação do Brasil seria contundente. Antes dos 25 minutos, a Canarinho já tinha assinalado três gols. Chinesinho empatou o duelo num tiro rasteiro, Pelé marcou o seu na sequência de cabeça e Pepe ampliou cobrando pênalti – numa jogada em que o Rei encadeou uma série de dribles, antes de ser derrubado na área por Carmelo Simeone. Os brasileiros ainda precisaram lidar com a lesão de Coutinho na primeira etapa, substituído pelo atacante vascaíno Delém – que faria carreira no país vizinho como jogador do River Plate e, anos depois, seria um dos primeiros treinadores de Diego Maradona, à frente do Argentinos Juniors.

Aquele Brasil x Argentina, todavia, guardaria uma confusão tremenda antes do intervalo. Os argentinos perderam a cabeça depois da virada e partiram para a agressão. Néstor Cardoso cuspiu no rosto de Pelé, que revidou com uma cabeçada no nariz do adversário. A partir de então, começou uma confusão generalizada que resultou na expulsão de Varacka – por chamar o árbitro adversário de “sem vergonha”. Pelé não voltaria para o segundo tempo, substituído por Waldo, lenda do Fluminense. Com um jogador a mais, a Seleção completou seu serviço. Delém deixou sua marca, driblando dois antes de bater para as redes, e Pepe fechou a contagem com seu segundo gol, num de seus famosos canhotaços. Waldo ainda ficou no quase, acertando a trave, enquanto a Argentina preferiu gastar o tempo trocando passes.

Um fato curioso naquela partida é que, para confundir a marcação argentina, Pelé vestiu a camisa 8. Chinesinho jogou com a 10, mas aparecia recuado no meio-campo. Mesmo com o Rei presente durante apenas 45 minutos, o Jornal do Brasil destacava em sua manchete: “Brasil foi ótimo e Pelé soberbo”. O periódico ainda dizia que Pelé deu “uma das maiores exibições já apresentadas por um jogador no Estádio do Maracanã”. Por fim, destacava: “Em quatro vezes seguidas, Pelé rompeu o bloqueio de três argentinos para fazer a torcida gritar e alegrar-se de tal modo como há muito tempo não se via. Com a bola no peito, no chão e até mesmo longe de seus pés, Pelé atraiu para si toda a atenção do Maracanã”.

O Jornal dos Sports salientava que o “Sratch fez exibição memorável”. Também Pelé era o mais festejado pelo jornal, conforme sua avaliação individual: “Foi a maior figura do time no primeiro tempo. Realizou jogadas de sonho, deslumbrando os próprios argentinos. Agora não há mais dúvida de que Pelé é mesmo um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos e o maior jogador do mundo na atualidade. Ninguém pode amortecer uma bola no peito, na coxa, dominá-la na cabeça com a suavidade desse autêntico Diamante Negro que é Pelé”.

Pelé justificava que sua cabeçada no adversário foi “sem querer”, enquanto Feola sustentava uma versão de que o craque tinha saído por questões físicas – de fato, vinha de uma contusão no tornozelo pelo Santos. Já do outro lado, o técnico Stábile se mostrou irritado. Afirmou que “Pelé era o jogador perfeito, mas também o pior desportista que ele viu”. Os argentinos ainda diziam que, se o Rei não fosse substituído, o duelo se transformaria numa batalha campal. No fim das contas, a Argentina permitiu que o Brasil conquistasse a Taça do Atlântico. Na última rodada, com uma goleada da Albiceleste sobre o Uruguai, o troféu caiu no colo dos brasileiros.

16 de abril de 1963, Brasil 5×2 Argentina

O Brasil confirmou sua supremacia naquele momento com a conquista da Copa do Mundo de 1962. O primeiro reencontro com a seleção principal da Argentina após o Mundial do Chile aconteceu em abril de 1963, pela Copa Roca. As duas partidas daquela edição ocorreriam no Brasil, uma no Morumbi e outra no Maracanã. Dentro do palco paulista, a Albiceleste se deu melhor e acabou confirmando o triunfo por 3 a 2.  Os brasileiros precisavam do troco no Maraca para assegurar o troféu.

Aimoré Moreira era o treinador da Seleção, que preservava a base campeã em 1962. Gylmar, Djalma Santos e Mauro comandavam a defesa, completada por Claudio Danni e Altair. Zito fechava a cabeça de área, com Mengálvio na ligação – o novato Gérson entraria no segundo tempo, em sua quarta partida pela equipe nacional, assim como Zequinha. Já o ataque mantinha a base do Santos, com Dorval, Pepe e Pelé, além do botafoguense Amarildo, em alta depois do estupendo desempenho no Mundial. Zagallo seria outra alternativa utilizada durante o segundo tempo.

Já a Argentina dirigida por Horacio Amable Torres não contou com nenhum atleta de Boca Juniors e River Plate. A base da equipe era composta por nomes do Independiente que conquistaria a Libertadores no ano seguinte, como o atacante Mario Rodríguez e o meio-campista Raul Savoy. Os nomes mais conhecidos, todavia, defendiam o Rosario Central. O goleiro era Edgardo Andrada, que depois virou ídolo do Vasco e seria mais lembrado pelo milésimo gol de Pelé. Já no segundo tempo, entrou no ataque César Luis Menotti, que defenderia Santos e Juventus da Mooca no fim da carreira, antes de se tornar um dos treinadores mais importantes da história da Albiceleste – com o título Mundial em 1978.

O Brasil venceu por 4 a 1 no tempo normal, antes de aplicar 5 a 2 na prorrogação. O regulamento confuso daquela Copa Roca não garantia que a diferença de gols fosse suficiente ao título nos 90 minutos, mas valia o troféu se o empate prevalecesse no tempo extra. Apesar da sobrevida à Argentina, não foi daquela vez que os vizinhos impediram mais um show da Seleção. Mais um show de Pelé. O camisa 10 participou dos cinco gols da partida. Anotou três, dois convertendo pênaltis que ele mesmo sofreu. Enquanto isso, faria as jogadas para Amarildo balançar as redes duas vezes. Enrique Fernández e Mario Rodríguez anotaram para os argentinos, em tentos sem impacto para o desfecho da competição.

Durante o primeiro tempo, Pelé marcou seu primeiro gol de pênalti e depois assinou uma jogadaça para Amarildo escorar. Só então a Argentina descontou, com Fernández. O segundo tempo, então, guardou o melhor momento do Brasil. Pelé de novo fez fila até sofrer o pênalti que ele converteu, antes de driblar a marcação e bater no canto para o quarto tento canarinho. Diante do domínio, a Seleção trocava passes e se poupava à espera da prorrogação, já que mais gols não adiantavam de nada no tempo normal. Foi quando, diante da sequência de toques, a torcida no Maracanã começou a gritar olé.

No início da prorrogação, a Argentina deu um enorme susto ao marcar com Rodríguez. Naquele momento, ia ficando com o título. O Brasil partiu para a pressão e conseguiria o empate no tempo extra, com grande atuação de Gérson e Pelé. No fim das contas, o herói seria Amarildo. O Possesso mandou uma cobrança de falta na trave e, por fim, aproveitou um lance genial do Rei. Pelé de novo escapou dos defensores com seus dribles, servindo o companheiro na hora de arrematar.

“O Brasil manteve a Copa Roca em seu poder ao derrotar a Argentina por 4 a 1 no tempo normal e empatar por 1 a 1 na prorrogação, ontem à noite, no Maracanã, quando mais uma vez Pelé foi o melhor do jogo, marcando e provocando gols, numa exibição extraordinária, que chegou ao auge no segundo tempo, quando os brasileiros trocaram mais de trinta passes consecutivos, num olé humilhante”, avaliou o Jornal do Brasil, antes de salientar as individualidades. “Pelé, em mais um magnífico show de futebol, foi a maior figura do jogo, com uma atuação espetacular, por seu talento e seu espírito de luta. Sua atuação foi acompanhada de perto por Djalma Santos, Zito e Altair, todos brilhantes e cumprindo com absoluta segurança suas missões”.

Já o Correio da Manhã fez a seguinte avaliação: “Numa apreciação geral, pode-se concluir que o escrete do Brasil jogou muitos furos acima do que fizera no Morumbi. Em termos de reabilitação, alcançou-a plenamente. Entretanto, faltam ainda alguns acertos para que ele chegue a realizar o que se espera”. Sobre Pelé, escreveram: “A maior figura do jogo, com uma exibição notável. Os dois pênaltis que cobrou e marcou foram sofridos em cima dele. Assinalou um gol de fora da área e os dois tentos feitos por Amarildo, os passes vieram de seus pés”.

8 de março de 1970, Brasil 2×1 Argentina

O Brasil jogou mais dois amistosos contra a Argentina no Maracanã na sequência da década de 1960. Empatou por 0 a 0 em junho de 1965 e goleou por 4 a 1 em agosto de 1968, numa ocasião em que não chegou a contar com força máxima – Zagallo chamou vários novatos, entre eles Paulo Cézar Caju e Roberto Miranda. Jairzinho acabou como destaque. O reencontro no estádio ficou para março de 1970, durante a preparação brasileira para o Mundial. Brasileira, já que os argentinos acabaram sucumbindo diante do Peru nas Eliminatórias e apenas veriam a Copa de casa.

João Saldanha era o treinador do Brasil, mas sofria pressões pelos maus resultados e também pelos posicionamentos políticos em tempos de ditadura. Não havia ajudado muito a derrota por 2 a 0 para a Argentina no Beira-Rio, quatro dias antes do embate no Maracanã. A base tricampeã mundial, ainda assim, estaria em campo no Rio de Janeiro. Saldanha escalou o Brasil com Leão no gol, em sua estreia pela equipe nacional. A defesa tinha Carlos Alberto Torres, Brito, Fontana e Marco Antônio. Piazza ainda aparecia no meio ao lado de Gérson, com Clodoaldo restrito ao segundo tempo. Já o ataque alinhava Jairzinho, Pelé, Dirceu Lopes e Edu, com Paulo Cézar Caju saindo do banco.

A Argentina se via sob as ordens de Juan José Pizzuti, histórico treinador do Racing, que havia conquistado Libertadores e Mundial três anos antes. O time reunia vários jogadores de sucesso em clubes argentinos, como Agustin Cejas (Racing), Oscar Malbernat (Estudiantes), Roberto Perfumo (Racing), Norberto Madurga (Boca Juniors), José Omar Pastoriza (Independiente), Miguel Brindisi (Huracán), Rodolfo Fischer (San Lorenzo), Daniel Onega (River Plate) e Oscar Más (River Plate). Alguns deles fariam sucesso no próprio futebol brasileiro.

O Brasil tinha sido muito criticado pela derrota em Porto Alegre. Venceu no Maracanã por 2 a 1, mas ainda sem exibir seu melhor futebol. A Seleção abriu o placar logo no primeiro minuto, em falta cobrada por Edu, que Cejas rebateu e Jairzinho guardou no rebote. A Canarinho partiu para o ataque e desperdiçou boas chances, até que a Argentina conseguisse equilibrar. Além disso, a compactação entre os diferentes setores ajudava os brasileiros. Porém, aos 22 minutos, a Albiceleste empatou. Num lançamento de Malbernat, Brindisi bateu com efeito da ponta direita e conseguiu vencer Leão, totalmente vendido. O time de Saldanha sentiu o tento.

Somente no segundo tempo é que o Brasil realmente reagiu. A entrada de Clodoaldo foi primordial, na segunda partida oficial do jovem pela equipe nacional. O ritmo da Seleção melhorou, com o volante trabalhando bem a bola ao lado de Gérson. A insistência precisou se manter durante algum tempo, diante da resistência dos zagueiros argentinos e das ótimas defesas de Cejas. Porém, os brasileiros apresentaram mais fôlego na reta final e acabaram balançando as redes a sete minutos do fim. Mais uma obra-prima de Pelé.

O camisa 10 recebeu a bola na entrada da área, ajeitou e mandou um lindo chute por cobertura para tirar do alcance de Cejas. A pelota até parecia que iria para fora, mas ainda beijou o travessão, com o goleiro paralisado. Mais uma noite de Rei dentro do Maracanã pelo Superclássico, por mais que o camisa 10 fosse dúvida antes do compromisso, ao arder em febre durante a véspera.

Destacando a boa entrada de Clodoaldo já na manchete, o Jornal do Brasil comentava em seu lide: “Mesmo sem apresentar ainda um bom padrão de jogo, a seleção brasileira demonstrou alguma melhoria em relação à partida do Beira-Rio e conseguiu a reabilitação frente aos argentinos, domingo à tarde, no Maracanã. A entrada de Brito fez com que a defesa se firmasse, mas a equipe só chegou a se entender melhor depois que Saldanha substituiu Piazza por Clodoaldo”. A equipe do jornal, ainda assim, deu a maior nota individual para a participação de Marco Antônio na lateral esquerda.

A imprensa argentina reconhecia os méritos do Brasil e aplaudia Pelé, pela maneira como decidiu no fim. O La Nación escreveu: “Fomos superados por um time que desta vez se encontrou e teve um jogador chamado Pelé”. Já o periódico A Crônica salientou em sua manchete que “O Rei fez justiça”, apontando que a Albiceleste se portou de maneira muito defensiva.

O Correio da Manhã seria mais crítico: “Lenta, insegura, cheia de tropeços, a seleção venceu. A questão é saber como ela estará na época da Copa. Se o gol sensacional de Pelé e os 2 a 1 do marcador foram suficientes para que a torcida deixasse o Maracanã tranquila e até certo ponto satisfeita, as falhas da nossa seleção continuam bem evidentes, tornando ainda difícil uma previsão sobre o comportamento da equipe no México”. O periódico dizia que Pelé “jogou razoavelmente, marcando um gol antológico”, mas criticava os desempenhos de Dirceu Lopes e Edu. “Dirceu jogando 20% do que joga no Cruzeiro, penetrando bisonhamente na área, sem diálogo com Pelé, chutando como um atacante de várzea. Vamos torcer para que Tostão fique bom, pois do contrário estaremos sem homem de área”.

Uma semana depois do jogo contra a Argentina, o Brasil empatou um jogo-treino com o Bangu. Existia uma pressão sobre João Saldanha pelos resultados e também por suas escolhas. A gota d´água veio quando o treinador entrou armado na concentração do Flamengo para tirar satisfação com o técnico Yustrich. Em 17 de março de 1970, nove dias depois do triunfo no clássico, Saldanha seria demitido por João Havelange. Ainda saiu dizendo que Pelé não deveria jogar a Copa, mas indicou Zagallo para assumir seu lugar. Com o novo treinador, Pelé respaldado, Clodoaldo efetivado como titular, Tostão de volta e outras mudanças pontuais, viria o tri mundial. Já outro superclássico contra os argentinos no Maraca ficaria para depois, reeditado somente em 1976.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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