Copa América

Brasil vai de menos a mais e goleia a seleção peruana, com Neymar liderando o ótimo segundo tempo

Com uma série de grandes arrancadas e tabelas, Neymar teve uma atuação de gala no Rio de Janeiro

A seleção brasileira emendou a segunda vitória consecutiva na Copa América, com uma excelente apresentação no segundo tempo. Depois de 45 minutos iniciais em que até abriu o placar, mas não convenceu, o Brasil melhorou bastante na etapa complementar contra o Peru. As mudanças de Tite causaram impacto, assim como a equipe veio com uma postura mais ativa. Porém, o grande destaque ficou mesmo para Neymar, gastando a bola. O camisa 10 marcou um gol, mas ainda melhor foram as suas jogadas individuais e suas arrancadas. Atuação que valeu a goleada por 4 a 0 no Estádio Nilton Santos, ainda com tentos de Alex Sandro, Everton Ribeiro e Richarlison para concluir a contagem.

O Brasil entrou em campo com uma série de mudanças em relação à estreia contra a Venezuela. Danilo, Militão, Fred, Gabriel Jesus e Neymar foram mantidos. Enquanto isso, as novidades ficavam por conta de Éderson, Thiago Silva, Alex Sandro, Fabinho, Everton Cebolinha e Gabigol. Já na seleção peruana, destaque à manutenção de Gianluca Lapadula, após se destacar nas Eliminatórias. Christian Cueva era escalado, mesmo depois de desrespeitar os protocolos relativos à COVID-19.

Tite apostava num 4-4-2, com Neymar e Gabigol mais soltos à frente. A Seleção começou a partida tentando apertar na marcação e, depois de um início mais travado, o time não demorou a sair em vantagem. Fred teve a primeira tentativa, mas bateu para fora. Já aos 12, ocorreu o gol inaugural. Alex Sandro cruzou e, depois do corte parcial da zaga, Gabriel Jesus pegou a sobra na linha de fundo. O atacante passou para o meio de imediato e Alex Sandro emendou para o fundo das redes. Durante esses primeiros minutos, o Brasil manteve certa segurança, mas o gol gerou comodismo e o futebol era meramente burocrático. No máximo, Fabinho assustaria num chute para fora.

Com a retração do Brasil, a seleção peruana começou a se soltar mais no jogo. À vontade, o time de Ricardo Gareca tomou o controle da partida sobretudo nos 15 minutos finais, com mais posse de bola. Renato Tapia chutou de longe e Ederson pegou em dois tempos. Já a melhor chegada aconteceu aos 39, quando Yoshimar Yotún recebeu o passe de Cueva e tentou marcar de cavadinha. A bola já tinha passado por Ederson, quando Danilo conseguiu cortar com o peito. Sem fluir, a Seleção só voltou a arriscar pouco antes do intervalo, numa batida de Alex Sandro que seguiu por cima do travessão.

Depois de um primeiro tempo em ritmo de treino, que não agradava, o Brasil voltou com mudanças para a segunda etapa. Richarlison e Everton Ribeiro entraram nos lugares de Gabigol e Everton Cebolinha, com Gabriel Jesus deslocado ao comando do ataque. Com isso, Neymar passou a flutuar mais e a Seleção melhorou substancialmente, conduzida pelo camisa 10. Danilo teria a chance numa batida para fora. Já aos 15, a arbitragem anotou um pênalti sobre Neymar após ótima arrancada, mas a checagem do VAR corrigiu a marcação e voltou atrás.

Mesmo sem o penal para o Brasil, o segundo gol parecia questão de tempo pela melhora da equipe na etapa complementar. Veio aos 23 minutos, numa grande jogada de Neymar. O camisa 10 recebeu na entrada da área e ajeitou com um giro para acertar o chute preciso, que morreu no canto da meta de Pedro Gallese. Logo depois, seria a vez de Roberto Firmino entrar em campo no lugar de Gabriel Jesus.

O Brasil manteve uma rotação alta e Gallese precisaria trabalhar. O goleiro faria uma boa defesa em batida de Richarlison aos 27, depois de uma arrancada linda de Neymar. Logo depois, o camisa 10 também tentaria e mandaria para fora. O Peru poderia reduzir a diferença numa bola alçada, mas Alex Valera conseguiu isolar a bola ao finalizar na pequena área. Foi apenas uma exceção, diante do baile dos brasileiros, com os lances surgindo em sequência e uma série de avanços individuais de Neymar. O craque arriscaria de novo ao lado da meta adversária numa cobrança de falta, enquanto Gallese pararia Firmino.

A goleada, de qualquer maneira, tomaria forma depois dos 44. O terceiro, o mais bonito da noite, surgiu numa boa trama coletiva. Primeiro, Neymar tabelou com Everton Ribeiro, que devolveu de calcanhar. Depois, o camisa 10 abriu com Richarlison na esquerda e o atacante passou para o próprio Everton Ribeiro chegar batendo. Por fim, o quarto coube nos acréscimos. Neymar deu uma linda enfiada de primeira para Firmino, que parou em Gallese. No rebote, Richarlison bateu duas vezes até estufar as redes. A equipe ainda tentou o quinto, até o apito soar. Fim de papo em uma atuação que agradou pela reta final.

Na saída de campo, Neymar chorou na entrevista, ao ser perguntado inicialmente sobre seus números: “É óbvio que para mim é uma honra muito grande fazer parte da história da seleção brasileira. Pra ser bem sincero, meu sonho era sempre jogar pela Seleção, vestir essa camisa. Nunca imaginei chegar a esses números. Pra mim é até emocionante, porque passei por muita coisa nesses dois anos que são bem difíceis, complicadas, sabe. E esses números não são nada não. A felicidade que eu tenho é de jogar pelo Brasil, de representar meu país, minha família. Hoje estamos vivendo um momento muito atípico, no mundo inteiro e não só aqui, e ser o espelho pra alguém, ser a alegria de alguém, é uma alegria enorme. Realmente a história que estou construindo aqui, eu quero que minha família e meus amigos estejam orgulhosos. Espero que todo mundo que goste de futebol esteja orgulhoso de mim, porque esses números não são nada, o que realmente importa para mim é vestir a camisa da seleção brasileira”.

“Chegamos aqui sem saber de muita coisa que estava acontecendo. Não sabíamos se ia ter Copa América, se não ia ter. Desde o começo respeitamos muito nossas hierarquias. Nunca vamos dizer não à camisa da Seleção. Há pouco me emocionei por dizer o que representa a Seleção. Jamais vou dizer não ao meu país. Discordar de alguma coisa, ter uma opinião diferente do que tem os demais acho que é o respeito pelo outro. Tínhamos nossa opinião, expressamos, mas estamos aqui defendendo a Seleção. Foi bem complicado, difícil, mas a alegria de estar em campo e jogar pela Seleção sempre vai existir. Tanto a mim quanto ao nosso grupo. Estamos todos contentes de estar vencendo e representar nosso futebol”, complementou.

A Seleção lidera o Grupo B da Copa América com seis pontos. A Colômbia aparece em segundo com quatro pontos. O Brasil folga na próxima rodada e jogará apenas na quarta-feira, em embate com os colombianos que vale a liderança. A Venezuela tem um ponto, enquanto Equador e Peru estão zerados.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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