Copa América

Admitindo suas fraquezas, a Argentina jogou nas falhas da Venezuela e se coloca no caminho do Brasil

A Copa América já deixou bem claro que esta Argentina não vai deslumbrar na competição. É um time com seus vários problemas, entre uma defesa pouco confiável e um ataque que não vê seus astros renderem o melhor. Assim, as pancadas sofridas ao longo da fase de grupos levaram o técnico Lionel Scaloni a priorizar uma formação mais resguardada nesta sexta-feira. E a Albiceleste segue em frente no torneio continental, ao derrotar a Venezuela por 2 a 0. Nem de longe os argentinos fizeram uma partida impressionante. Mas exibiram uma incomum segurança atrás e foram ajudados pelas circunstâncias. O gol no início prejudicou uma Vinotinto com pouca qualidade para sair ao jogo. E, na etapa complementar, quando o abafa se prometia maior, os bicampeões mundiais puniram os erros dos venezuelanos com o segundo tento. Lionel Messi continua devendo, em mais uma atuação apagada. Mas é ele que se coloca no caminho do Brasil, nas semifinais. O duelo acontece na próxima terça-feira, no Mineirão, às 21h30.

As escalações

Mais uma vez, Lionel Scaloni trouxe mudanças na Argentina. Juan Foyth se tornou o terceiro lateral direito do time no torneio, com Germán Pezzella retornando à zaga. Já no meio-campo, uma trinca composta por Rodrigo de Paul, Leandro Paredes e Marcos Acuña – este, ganhando o lugar de Giovani Lo Celso, pouco funcional na fase de grupos. Na frente, Lionel Messi tinha liberdade na armação, com a dupla de ataque formada por Lautaro Martínez e Sergio Agüero. Já a Venezuela retomava o seu 4-1-4-1, mais resguardado. A dupla de zaga tinha Jhon Chancellor e Luis Mago, diante dos problemas de Yordan Osorio e Mikel Villanueva. Já nas pontas, os escolhidos eram Jhon Murillo e Darwin Machis, dando apoio a José Salomón Rondón.

Lautaro põe a Argentina em vantagem

Assim como aconteceu diante do Catar, a Argentina começou o jogo buscando o ataque. E mereceu o gol precoce, pressionando a Venezuela. A primeira chance surgiu aos dois minutos, quando Lautaro Martínez deu bom passe e Sergio Agüero chutou em cima de Fariñez, que desviou para fora. A principal alternativa da Albiceleste vinha pelo alto, com uma sequência de escanteios. Germán Pezzella teve a oportunidade de anotar o primeiro, mas não pegou em cheio na bola. O tento, ainda assim, sairia logo aos nove. Após mais um escanteio, Agüero chutou mascado a sobra e, no meio do pagode, Lautaro foi muito inteligente para desviar de letra. Belo gol, sem dar tempo de reação a Fariñez.

Vinotinto sem álcool

A Venezuela fazia uma atuação desencontrada durante os primeiros minutos. Tinha dificuldade para ligar o seu ataque e, principalmente, dava sinais claros de sua desconcentração na defesa. Demorou alguns minutos até que a Vinotinto entrasse nos eixos e começasse a sair mais para o jogo. A partida caiu drasticamente de nível a partir de então. Os venezuelanos precisavam criar no ataque, mas não demonstravam aptidão a isso. Até mesmo a frágil defesa argentina passava ilesa. Do outro lado, a Albiceleste não tinha sucesso em encaixar os contragolpes. Parecia mais um amistoso do que um jogo competitivo, dada a falta de intensidade dos times. O meio-campo operário utilizado por Scaloni primava mais pelo trabalho sem a bola do que na saída para o ataque.

Messi em falta

As chances de gol só ressurgiram pouco antes do intervalo. A Venezuela teve o seu melhor lance em falta cobrada na área, que rendeu uma cabeçada para fora de Chancellor. Foi o que acordou a Argentina, novamente investindo nas bolas alçadas. Messi apareceu um pouco mais, dando a enfiada para um cruzamento de Acuña, que Roberto Rosales travou antes que chegasse a Lautaro. Mesmo assim, o camisa 10 outra vez estava distante de seu melhor, em raros lampejos.

A Venezuela aperta

O cenário da partida não mudou muito durante o início do segundo tempo. A Argentina jogava pelos contra-ataques e quase aumentou aos sete minutos. Leandro Paredes descolou um belíssimo passe e Lautaro Martínez saiu de frente para Fariñez. Tentou tirar do goleiro, mas mandou na lateral da trave. Messi buscava mais o jogo e acelerava, mas logo a Venezuela passou a ocupar o campo de ataque, empurrando a defesa albiceleste. As principais jogadas vinham pela esquerda, com Darwin Machís. Para dar mais força ao setor ofensivo, Dudamel colocou Yeferson Soteldo em campo, sacando o zagueiro Luis Mago e reconfigurando a equipe no 4-2-3-1. Já a resposta de Lionel Scaloni veio com a entrada de Ángel Di María, outra vez no lugar de Lautaro Martínez, para formar outra linha de quatro no meio-campo. Depois, botaria Lo Celso na vaga de Acuña.

Armani evita o empate

Apesar do volume de jogo e da movimentação incessante, a Venezuela demorou a forçar a primeira defesa de Franco Armani. Ela aconteceu apenas aos 25 minutos, em ótima intervenção do camisa 1. Ronald Hernández saiu às costas de Nicolas Tagliafico e chutou forte, mas o tiro veio em cima do arqueiro, que espalmou. A Vinotinto apertava e Dudamel aumentou a presença de área, com Josef Martínez no lugar de Machís. Era o sinal mais claro da blitz.

O banho de água fria

A Venezuela não se encaixou imediatamente após a mudança. E pagou as consequências. Um aviso veio em passe espetado a Agüero, para que Fariñez ficasse com a bola. Porém, logo depois a Vinotinto saiu jogando errado. Melhor em campo na tarde, preenchendo muito bem o lado direito, De Paul fez o desarme e passou a Agüero. O atacante chutou da entrada da área, sem tanta força. Era uma defesa relativamente tranquila para Fariñez, mas o goleiro deixou o tiro espirrar para o lado e Lo Celso não perdoou o erro no rebote, anotando o segundo gol aos 28 minutos. Os argentinos sentiam o alívio e não jogariam mais no limite em sua defesa. À Venezuela, de qualquer forma, não restava outra alternativa além de perseverar. Quase a equipe descontou aos 38, em cobrança de escanteio desviada por Rondón, que gerou outra ótima defesa de Armani. No fim, os lances mais perigosos seriam ainda da Albiceleste, preciosista demais nas conclusões. Agora, é se preparar ao clássico contra o Brasil.

Ficha técnica

Argentina 2×0 Venezuela

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Árbitro: Wilmar Roldán, da Colômbia
Gols: Lautaro Martínez, 9’/1T; Giovani Lo Celso, aos 28’/2T
Cartões amarelos: Tomás Rincón, Yangel Herrera, José Salomón Rondón (Venezuela); Lautaro Martínez, Marcos Acuña (Argentina)
Cartões vermelhos: nenhum

Argentina: Franco Armani, Juan Foyth, Germán Pezzella, Nicolás Otamendi, Nicolás Tagliafico; Rodrigo de Paul, Leandro Paredes, Marcos Acuña (Giovani Lo Celso); Lionel Messi; Sergio Agüero (Paulo Dybala), Lautaro Martínez (Ángel Di María). Técnico: Lionel Scaloni.

Venezuela: Wuilker Fariñez, Ronald Hernández, Jhon Chancellor, Luis Mago (Yeferson Soteldo), Roberto Rosales (Luis Seijas); Junior Moreno; Jhon Murillo, Yangel Herrera, Tomás Rincón, Darwin Machís (Josef Martínez); José Salomón Rondón. Técnico: Rafael Dudamel.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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