Copa América

Acabou a espera: Depois de 28 anos, a Argentina reconquista a Copa América em pleno Maracanã

Di María anotou um lindo gol, Argentina travou o Brasil e Messi levantou sua almejada taça

Pela primeira vez desde 1993, enfim, a Argentina volta a conquistar um título com a sua seleção principal. A Copa América ganhou ares até de obsessão pela Albiceleste, pela maneira como o país bateu na trave insistentemente nos últimos anos. E a taça viria no Brasil, dentro do Maracanã, contra os maiores rivais. Foram 90 minutos pouco empolgantes, de muitas faltas e arbitragem ruim. Porém, os argentinos precisaram de um lance principal para garantir o triunfo por 1 a 0, graças a um golaço de Di María. Depois disso, o time de Lionel Scaloni se empenhou bastante para garantir a segurança na defesa e travar os oponentes. A Seleção de Tite construiria muito pouco e exigiria apenas duas defesas difíceis de Emiliano Martínez. Faltaram ideias e calma para qualquer reação. Ficou a festa da Argentina e, em particular, de Messi, com seu aguardado troféu pela equipe nacional.

As escalações

Tite não trouxe mudanças em relação à semifinal contra o Peru. Manteve a equipe, com Lucas Paquetá formando uma trinca no meio com Casemiro e Fred. Já na frente, Neymar se combinaria com Richarlison e Everton Cebolinha. Do outro lado, Lionel Scaloni realizou cinco trocas em relação ao triunfo sobre a Colômbia nos pênaltis. A linha defensiva mudou praticamente inteira. Cristian Romero voltava de lesão ao miolo da zaga, com Marcos Acuña e Gonzalo Montiel nas laterais. Leandro Paredes aparecia no meio, recuando e fechando a cabeça de área. Já a volta de Ángel Di María seria essencial, mesmo na vaga de Nico González. Lionel Messi se complementava mais à frente com Lautaro Martínez.

Começo travado

Os primeiros minutos de jogo já guardaram uma partida muito pegada, com pouca emoção e diversas entradas duras. Fred precisaria de três minutos para tomar o primeiro cartão amarelo. Os argentinos também não deixavam de bater e Neymar teria seu calção rasgado. O Brasil ficaria um pouco mais no campo de ataque, com rápidas recuperações. Paquetá ajudava bastante nesse papel. Porém, a Argentina estava sempre atenta para travar qualquer tentativa de arremate. Os albicelestes chegavam junto, sem dar muito respiro aos anfitriões. Foram 20 minutos fracos, em que os brasileiros tinham dificuldades para construir.

Golaço de Di María

A primeira grande chance da partida aconteceu aos 22 minutos. E rendeu um golaço da Argentina, para abrir o placar. O avanço se iniciou com um lançamento fabuloso de Rodrigo de Paul, do campo de defesa. Renan Lodi falhou na hora de cortar e permitiu que Di María passasse livre em suas costas. O veterano dominou com muita categoria e, livre diante de Ederson, demonstrou uma frieza imensa. Um toquinho por cobertura deixou o goleiro totalmente vendido e permitiu que o ponta corresse para o abraço. Ofensivamente, os argentinos tinham sido nulos até então, mas aproveitaram muito bem sua oportunidade.

Brasil demora a responder

O Brasil sentiu o gol. Não conseguiu reagir de imediato e abusava dos erros. A resposta se limitaria a um chute de longe de Casemiro, que Emiliano Martínez não teve problemas para segurar. A Argentina conseguia esfriar o jogo e se dava melhor também na batalha de nervos. Além disso, Di María parecia pronto a atormentar Renan Lodi. Qualquer ação do ponta era um problema ao lateral. Messi, por sua vez, não apareceria tanto. Aos 32, teria um bom lance após passe errado de Fred. No contragolpe, porém, o camisa 10 mandou para fora. Já Neymar, mesmo participativo, sofria com a marcação cerrada e suas jogadas não tinham continuidade.

A Argentina trava

Tite até buscou mudar a disposição do Brasil durante o fim do primeiro tempo, com Neymar e Richarlison mais centralizados. Não surtiu muito efeito. Era um jogo muito picotado, com uma arbitragem que não demonstrava muito pulso na condução da partida, além de ser mais complacente aos albicelestes. E a Argentina conseguia fazer os ponteiros girarem, como num atendimento a Di María na linha de fundo. A Seleção se limitava a espasmos e quase sempre seus arremates acabavam travados. A volta de Cristian Romero era muito importante na zaga, pela firmeza nos combates.

Richarlison aparece mais

O Brasil voltou para o segundo tempo com uma formação mais ofensiva. Fred, com amarelo, deu lugar a Roberto Firmino. Com isso, Tite deixava o meio mais leve e ganhava poder de fogo. A Seleção até começou melhor, conseguindo abrir bem os lances na direita com Richarlison. O atacante chegaria a balançar as redes aos sete minutos, mas estava impedido no lançamento de Paquetá e o tento foi anulado. Logo depois, Neymar acharia Richarlison e o atacante chutou firme, mas Emiliano Martínez realizou boa defesa.

Argentina se acerta

A Argentina efetuou sua primeira alteração com a entrada de Guido Rodríguez no lugar de Leandro Paredes. A Albiceleste evitou um pouco mais os riscos e o Brasil voltou a esfriar. Logo Tite entraria com Vinícius Júnior na vaga do apagado Everton Cebolinha, enquanto Nicolás Tagliafico substituiu Giovani Lo Celso, acertando a marcação pelo lado esquerdo. A partir desse momento, a Albiceleste voltou a ficar um pouco mais com a bola e apostava nas jogadas para cima de Renan Lodi. Faltou finalizar, por mais que Messi e Di María conseguissem bons dribles.

Várias trocas

A Seleção parecia bagunçada em campo. Tinha muita pressa e poucas ideias. A Argentina chegava junto nas divididas e não dava respiro, matando as jogadas na intermediária – na falta, mas também na bola. Enquanto isso, o Brasil não tinha trocas de passes e nem infiltrações. As enfiadas quase sempre eram interceptadas. A partir dos 30 minutos, os dois treinadores gastaram mais alterações. Tite veio com Emerson e Gabigol nos lugares de Lodi e Paquetá. Já Scaloni mandou a campo Germán Pezzella, Exequiel Palacios e Nicolás González, sacando Romero, Di María e Lautaro.

Emi Martínez salva

Os minutos finais eram de desespero do Brasil e pancadas da Argentina. Otamendi tomaria o amarelo depois de uma entrada duríssima e os brasileiros se irritaram. A Seleção começou a encontrar um pouco mais de espaços, nas laterais da área, mas a defesa conseguia bloquear os chutes. Gabigol chegou a pintar livre num lance pela esquerda, mas o carrinho salvador de Pezzella evitou o perigo. Até mesmo Messi se desdobrava na marcação. E quando finalmente houve um tiro no alvo, numa batida forte de Gabigol após cobrança de falta, Emi Martínez espalmou muito bem.

A Argentina garante o título

Messi poderia ter matado o jogo aos 43 minutos. De Paul achou um passe fenomenal e o camisa 10 apareceu livre pelo lado esquerdo da área. Escorregou na hora de tirar Ederson, num enfeite excessivo, e permitiu que o goleiro se recuperasse. A partir de então, bastaria à Argentina gastar o tempo e não perder a viagem nas entradas. O Brasil parecia depender de um milagre. Os cinco minutos de acréscimos estavam picotados. Aos 48, Ederson precisou aparecer decisivamente de novo, quando De Paul ia saindo na cara do gol e o arqueiro fechou seu ângulo. E ficaria nisso. Pobre demais, a Seleção sequer partiria para o chuveirinho. Os argentinos gastaram os últimos segundos até o apito final.

O que fica do Brasil

O Brasil não fez uma boa campanha na Copa América. Os momentos de maior brilhantismo dependeram de Neymar, mas o time oscilou demais e não apresentou muita qualidade coletiva. Isso pesou bastante no Maracanã. Foi uma noite horrenda da Seleção, com meros lampejos e pouco efeito das alterações. Que a arbitragem não tenha sido boa, foi pouquíssimo dos brasileiros – e de Tite para acertar o time. Neymar até tentou conduzir a equipe, mas se viu encaixotado. Mesmo com uma campanha até a final, fica pouco da competição. Pela primeira vez na história, o Brasil perde uma Copa América em casa.

O que fica da Argentina

A cena mais bonita no Maracanã aconteceu no apito final. Os jogadores da Argentina saíram correndo para abraçar Messi e jogar o craque para o alto. Para o camisa 10, particularmente, essa conquista tem um significado especial. Conduziu o time rumo à decisão, apesar da noite apagada no Maracanã, muito preciosista em seus principais lances. No entanto, a Albiceleste se mostrou mais bem servida de coadjuvantes. Di María de novo se tornou decisivo. Romero, Montiel e De Paul foram excepcionais. A conquista dependeu de um lance e de muita briga depois disso. Para, no fim, prevalecer a festa dos argentinos no Maraca. Este é o 15° troféu da Argentina na Copa América, voltando a igualar o Uruguai como maiores campeões do torneio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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