Por que escolhas de técnicos ameaçam temporada da Serie A italiana
Parte dos principais times do futebol italiano trocaram de treinadores e algumas decisões são contraditórias
Com início marcado para 23 de agosto, a próxima edição da Serie A chega com interrogações em parte dos principais times do país. Isso porque Internazionale, Atalanta, Roma, Milan, Fiorentina e Lazio, seis dos oito primeiros do último Campeonato Italiano, trocaram de treinadores.
Os únicos que não mudaram a comissão técnica foram o atual campeão Napoli, mantendo Antonio Conte em uma reviravolta após a permanência parecer improvável, e a Juventus, com uma contraditória decisão de manter Igor Tudor no cargo.
A opção da Velha Senhora, inclusive, se assemelha às escolhas questionáveis de Inter (Cristian Chivu), Atalanta (Ivan Juric) e Milan (Massimiliano Allegri) para ocupar o cargo de treinador, o que pode afetar diretamente a competitividade no futebol italiano em 2025/26.
Técnicos que pouco mostraram nos últimos anos assumem protagonistas da Serie A
Chivu – Internazionale

O fim da era Simone Inzaghi nos Nerazzurri após quatro anos foi um choque. O time, em queda física ao fim da última temporada, sucumbiu na luta por todos os títulos e a última partida do ex-técnico foi a derrota por 5 a 0 na final da Champions League.
Na preparação para o Mundial de Clubes, a direção do gigante de Milão correu por um substituto e apostou as fichas primeiro em Cesc Fàbregas, que fez sucesso com estilo de jogo ofensivo e agressivo com o Como na última Série A. No entanto, o espanhol optou por seguir na Lombardia e, sem muita criatividade, a Inter contratou o velho conhecido Chivu.
O ex-zagueiro atuou por sete anos no time e, após o fim da carreira nos gramados, treinou times juvenis do clube azul e preto entre 2018 e 2024. Na última temporada, ele estreou como técnico no futebol profissional. Chivu esteve no Parma entre fevereiro e maio com a missão de salvar o time do rebaixamento no Campeonato Italiano.
O romeno até conseguiu, mas seu time nunca empolgou em desempenho, mesmo que não fosse possível conseguir tão rápido em um elenco limitado, e ainda teve um histórico de resultados ainda pior, com três vitórias em 13 jogos.
A escolha de Chivu para o comando técnico em si chama atenção por ser totalmente uma aposta para o melhor grupo de jogadores do futebol italiano, sempre favorito ao título nacional. O treinador, segunda opção da direção do clube, ainda precisa se provar na função e não chega com enormes credenciais.
A eliminação nas quartas de final do Mundial de Clubes para o Fluminense, apesar de frustrante, é pouco para avaliar o trabalho, que ainda mostrava muito legado de Inzaghi na estrutura do time e na forma de jogar. O elenco ainda vive crise com críticas públicas do capitão Lautaro Martínez e a possível saída de Çalhanoglu.
Tudor – Juventus

Chivu tem o mérito de ser identificado com a Inter pelos tempos de jogador, o que deve ter pesado na escolha do clube, e algo parecido com é a relação entre Tudor e Juventus. O croata, contratado em março para apagar o “incêndio” causado por Thiago Motta no elenco bianconero, atingiu o objetivo de se classificar para a próxima Champions League, mas sem empolgar.
As cinco vitórias em nove jogos vieram em cima de dois rebaixados e outros três times da parte debaixo da tabela do campeonato — a Juve também perdeu para o Parma de Chivu no período. Nos duelos mais difíceis, a competitividade ficou abaixo nos empates com Lazio, Bologna e Roma.
O treinador, aos 47 anos, já rodou em sete clubes diferentes em mais de 16 temporadas de carreira entre base e profissional. Os bons trabalhos foram raros e o único título conquistado até hoje foi uma Copa da Croácia pelo Hajduk Split.
Por esse contexto, o clube tentou contratar Conte, que preferiu seguir no Napoli, e Gian Piero Gasperini, que após nove anos de sucesso na Atalanta preferiu a Roma ao invés da Velha Senhora. Um sintoma de como a gestão alvinegra está desprestigiada veio na justificativa da recusa do experiente treinador: “Aqui, sinto que posso fazer a diferença”.
A falta de convicção em Tudor se comprovou no desempenho do time na Copa do Mundo de Clubes. Novamente, a Juve falhou com louvor nas partidas mais complexas, com derrotas merecidas para Manchester City (5 a 2) e Real Madrid (1 a 0), e venceu jogos de menor apelo (Al-Ain e Wydad).
Há, no entanto, uma leve esperança. Mesmo que em duas partidas acessíveis, a Juventus mostrou um futebol ofensivo e dominante que, se for a tônica da temporada, tem potencial. A escalação era um 3-4-3 com liberdade posicional para os alas, os atacantes e até o zagueiro pela esquerda Llody Kelly, que subia para o ataque como um lateral no estilo Bastoni, da Inter.
Juric – Atalanta

Como Tudor, Juric tem uma carreira longa e de poucos bons trabalhos. Em uma trajetória quase toda na Itália, nunca conquistou títulos, até por só treinar times modestos, e, quando deu o passo acima na carreira, falhou.
Foi assim na Roma, substituindo Daniele de Rossi e piorando um vestiário já quente, demitido em menos de dois meses de trabalho e no Southampton, com duas vitórias em 14 jogos e confirmando um rebaixamento na Premier League que parecia inevitável antes dele chegar.
Mesmo com esse currículo, foi o croata de 49 anos o escolhido pela Atalanta para ser o primeiro a suceder o maior técnico de sua história. O apego afetivo, novamente, pesou: Juric foi auxiliar de Gasperini nas passagens por Inter e no Palermo antes de se aventurar na carreira solo, podendo ser considerado um “pupilo” do comandante italiano.
O time de Bérgamo, no entanto, também teve pouca convicção. Antes de anunciar seu técnico, especulou Thiago Motta, Maurizio Sarri, Vincenzo Italiano e Francesco Farioli, todos mais promissores ou com carreiras superiores do que o escolhido.
A Atalanta sempre se notabilizou por ser criativa no mercado e potencializar nomes em baixa ou pouco falados. Mas isso veio com Gasperini. Agora com Juric, fica a dúvda se isso continuará, podendo ter um elenco enfraquecido caso confirmem as saídas de Ederson e Lookman, ambos alvos da Internazionale.
Allegri – Milan

Diferente de todos os nomes da lista, Allegri é um vencedor nato. Com carreira longeva, é hexacampeão da Serie A (inclusive um pelo Milan, em 2011) e penta da Copa da Itália, além de duas vezes vice-campeão da Europa. A capacidade de criar times competitivos, porém, parece ter se perdido desde o fim de sua primeira passagem na Juventus, em 2019.
Ele retornou à Velha Senhora entre 2021 e 2024, mas foram três anos de um futebol burocrático, sem esperança de futuro e que consolidou a figura atual de coadjuvante atual da Juve na Itália.
A expectativa no Milan, substituindo Sérgio Conceição, é de desempenho e resultado próximo disso. O Rossonero não aposta em Allegri para vencer títulos ou mudar de patamar, até porque o elenco piorou com as saídas do capitão Theo Hernández e do melhor jogador do time no último ano, Tijjani Reijnders.
Alcançar uma competição europeia, o que nem conseguiu em 2024/25, deve ser o máximo que o lado vermelho e preto de Milão conseguirá na próxima temporada.
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Escolhas podem abrir brecha para Napoli e Roma aproveitarem
Se quatro dos melhores elencos da Itália trouxeram incógnitas para beira do campo, dois deles tem nomes consolidados ocupando a função. O Napoli, mantendo a base do time campeão e trazendo Kevin de Bruyne, Lucca Lorenzo e Luca Marianucci, tem tudo para manter o nível com Conte, só que tendo que administrar a disputa da Champions.
Isso, claro, se a relação entre o técnico e o presidente Aurelio De Laurentiis continuar o mínimo tolerável. A imagem da comemoração do título, com o treinador nem olhando no rosto do mandatário ao ser parabenizado, mostrava algum problema de relacionamento, mas que parece ter sido resolvido com uma conversa ao final da temporada.
Sono più empatico io quando mi alzo e guardo dentro il water #Conte pic.twitter.com/AGTCqTAkW0
— stefano goitre (@stegoi3) May 23, 2025
— No final de cada temporada, há uma conversa entre o treinador e o clube para perceber se ambos compartilham a mesma visão para o futuro e para alcançar o sucesso. Posso confirmar que a nossa visão é a mesma, porque somos pessoas sérias. Discutimos, como na temporada passada, avaliando os prós e os contras — revelou Conte à emissora “Sky Sport Itália”.
— Conte tem garantias e vou apoiá-lo em todos os seus pedidos para reforçar o Napoli e alcançar os melhores resultados possíveis — reafirmou De Laurentiis.
Para a Roma, a tendência é que Gasperini monte um time intenso e forte como fez em Bérgamo. Para isso, os Romanos, que já tinham um elenco interessante com Dybala, Manu Koné e outros, pode ganhar as adições de Richard Ríos, do Palmeiras, Wesley, do Flamengo, e Evan Ferguson. As contratações dão um claro indício de como o treinador deve replicar o esquema 3-5-2 na capital italiana.
Como Conte no Napoli, também há outros trabalhos consolidados que terão continuidade. O Como de Fàbregas, 10º na Serie A passada mesmo vindo da segunda divisão, e o Bologna de Vicenzo Italiano, campeão da Copa da Itália, prometem outro ano forte e buscam um próximo passo na competição de pontos corridos.
Sarri de volta à Lazio também é trabalho que chama atenção caso o nível da passagem anterior seja replicado. Todas essas respostas virão a partir de agosto. A competição terminará em 24 de maio de 2026.
Jogos da primeira rodada da Serie A 2025/26
- Genoa x Lecce
- Sassuolo x Napoli
- Milan x Cremonese
- Roma x Bologna
- Cagliari x Fiorentina
- Como x Lazio
- Atalanta x Pisa
- Juventus x Parma
- Udinese x Verona
- Internazionale x Torino



