Serie A

Como lesão de De Bruyne ajudou brasileiro no Napoli e fez Conte voltar às raízes

Problemas físicos no meio-campo obrigaram nova estrutura tática no atual campeão italiano

Na disputa emocionante pela liderança da Serie A, o Napoli superou a irregularidade para dividir a ponta com o Milan, ambos com 31 pontos, acumulando três vitórias seguidas. Parte dessa melhora do time ocorre por dois fatores: uma mudança tática de Antonio Conte após a lesão de Kevin de Bruyne e o brilho de um brasileiro.

Quando o meia belga, maior contratação do time para esta temporada, sofreu uma problema físico na coxa na vitória por 1 a 0 sobre a Internazionale, os napolitanos só ganham do Lecce e ficam três jogos sem vencer: empates em zero com Como e Eintracht Frankfurt e derrota por 2 a 0 ao Bologna.

A volta por cima, que garante cinco vitórias nos últimos seis jogos (único revés foi para o Benfica, 2 a 0, pela Champions League), vem contra a Atalanta, 3 a 1, quando fica marcada uma mudança tática de Conte.

Conte volta à linha de 3 no Napoli e potencializa David Neres

David Neres e Hojliund celebram gol do Napoli
David Neres e Hojlund celebram gol do Napoli (Foto: Imago)

Para acomodar De Bruyne no time campeão nacional da última temporada, que atuava nas formações 3-5-2 ou 4-3-3, o técnico do Napoli passou a usar um 4-1-4-1 tendo Scott McTominay como meia esquerda e com liberdade para flutuar para dentro e o belga centralizado.

Após a lesão do craque ex-Manchester City, Conte tentou voltar a um 4-3-3, com McTominay se juntando novamente ao meio e escalando dois pontas “raiz” bem abertos, o que acabou não dando certo.

Então, vem o jogo contra a Atalanta e o treinador pentacampeão da Itália decide retornar ao esquema com três zagueiros, tirando um dos meio-campistas, e mantendo dois jogadores de lado de campo no ataque bem agudos: David Neres e Noa Lang.

Sem a bola, o time se porta em um 5-4-1, o que garantiu maior consistência defensiva, em especial pela presença de mais um zagueiro. No momento ofensivo, com os alas subindo para ocupar o corredor e os pontas flutuando para dentro, ganhou superioridade numérica por dentro e mais velocidade e imprevisibilidade com Neres e Lang ajudando Hojlund.

A nova estrutura do Napoli após a lesão de Kevin de Bruyne
A nova estrutura do Napoli após a lesão de Kevin de Bruyne (Foto: Tactical Board/Trivela)

O brasileiro ex-São Paulo foi um dos grandes favorecidos por essa mudança. Titular em cinco dos últimos seis jogos, Neres marcou três gols, deu uma assistência e criou a jogada de outro gol no período.

A dinâmica veloz do time ficou evidente na vitória sobre a Atalanta, quando em três toques, saiu na cara do gol para balançar as redes: Di Lorenzo acionou Hojlund por dentro, devolvendo logo em seguida para o jogador disparar. Ele marcou outro tento nessa partida e também fez o que garantiu o 1 a 0 sobre a Roma em confronto direto pela liderança do Campeonato Italiano.

Contra a Juventus, Neres participou diretamente da vitória por 2 a 1, primeiro com um passe rasteiro para Hojlund e depois em levantamento na área que terminou em outro tento do dinamarquês. A cria de Cotia foi eleito pela torcida o melhor jogador do Napoli em novembro

— Quando uma equipe encontra equilíbrio, é mais fácil para todos jogarem juntos. Assim como, quando as coisas não funcionam, fica mais difícil para todos. Agora que encontramos esse equilíbrio no nosso jogo, tudo está mais simples — disse o brasileiro ao streaming “Amazon Prime Video” na última quarta-feira (10).

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Mudança tática do campeão da Serie A foi por obrigação, diz técnico

A mudança de 4-3-3 para 3-4-3 aconteceu pelas várias lesões no meio-campo, como explicou Conte ao “Amazon Prime”. Além de Kevin de Bruyne, Billy Gilmour, Anguissa e mais recentemente Lobokta sofreram com problemas físicos. Elmas, mais ofensivo, teve que virar um volante junto de McTominay no meio desse cenário complexo.

Voltamos a jogar com três (zagueiros) por obrigação, porque não temos meio-campistas de origem: sobraram Lobotka e McTominay. É uma necessidade. O Elmas é um coringa que está indo muito bem porque é um garoto muito receptivo, aprende imediatamente, e nós o catapultamos para essa função — justificou Conte.

— Ainda há o Vergara, que é um jovem de muito potencial, mas eu precisei encontrar uma solução também por uma questão numérica. Todos que se lesionaram no meio-campo, exceto o Lobotka, vão precisar de um tempo, então precisamos torcer para que não aconteçam mais problemas.

A previsão de retorno para os três meias fora é para os primeiros meses de 2026. Até lá, Conte deve manter a estrutura que tem dado certo e ganhará um reforço ofensivo: Romelu Lukaku, de volta aos treinos após uma lesão na pré-temporada. O Napoli volta a campo neste domingo (14), quando visita a Udinese pela 15ª rodada do Campeonato Italiano.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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