Serie A

Título da Inter reforça status que rivais correm atrás e é exemplo de transição de técnicos

Nerazzurri chegam ao 21º taça da Serie A com três rodadas de antecedência e já miram desafio para próxima temporada

A três rodadas do fim da Serie A, o Scudetto já tem dono. A líder Internazionale só precisava empatar com o Parma neste domingo (3), mas, em San Siro, mostrou o porquê é o melhor time do futebol italiano e venceu por 2 a 0, chegando à 21ª taça nacional de sua história.

É uma conquista incontestável em uma competição que tinha a expectativa de ser equilibrada pelas diferentes forças no começo da temporada, como Napoli, Juventus, Roma, Milan e Como.

Acabou que os Nerazzurri dominaram quase que de ponta a ponta o Campeonato Italiano, com breves períodos de disputa com os napolitanos ou com os rivais de Milão. Dois fatores em especial marcam esse título: a distância do elenco da Inter à frente dos concorrentes e uma transição suave na comissão técnica que causou pouco impacto.

No fim, elenco da Inter pesou para conquista da Serie A

Elenco da Inter comemora título da Serie 2025/26
Elenco da Inter comemora título da Serie 2025/26 (Foto: IMAGO / Insidefoto)

Os dois maiores rivais da Inter na disputa pelo Scudetto 2025/26, Napoli e Milan, tiveram dificuldade, justamente, na maior força da líder.

A Inter, campeã nacional três vezes desde 2021, consolidou a retomada de seu protagonismo montando um elenco recheado de opções, o que seus rivais precisam correr atrás para competir com ela. O time titular de Cristian Chivu tem praticamente um reserva para cada posição — às vezes, mais de um.

Com isso, sente pouco os problemas físicos ou a queda de desempenho de seus jogadores. Henrikh Mkhitaryan, aos 37 anos, perdeu o ritmo das últimas temporadas. Então, surgiu Piotr Zielinski para tomar a posição no meio-campo. Hakan Çalhanoglu não esteve sempre à disposição, abrindo espaço para Petar Sucic se consolidar na primeira temporada.

O brasileiro Luis Henrique, mesmo que em alguns momentos muito criticado, também foi por um bom tempo um substituto para Denzel Dumfries.

O Napoli, por outro lado, passou quase que todos os meses da temporada que iniciou em agosto do ano passado com lesões de seus principais jogadores.

O maior reforço dos Azzurri, Kevin de Bruyne, só foi titular em 13 das 35 rodadas disputadas até aqui da Serie A. Ele passou quase cinco meses afastado por um problema na coxa. Mesma região em que Romelu Lukaku sofreu um problema que o deixou fora por praticamente todo o ano.

Na ausência dos dois, David Neres tomou o protagonismo. Mas não durou muito: em janeiro, precisou passar por cirurgia no tornozelo. Frank Anguissa, Billy Gilmour e Stanislav Lobotka foram outros desfalques pesados durante o ano. Antonio Conte fez o possível e buscou alternativas táticas, mudando a formação. Porém, lidando com a Champions League até o começo de 2026, não conseguiu manter o time competitivo sempre.

O Milan é um caso diferente. O elenco do time teve pesadas saídas com Tijani Reijnders, Malick Thiaw, Theo Hernández e outros. O grupo de jogadores, mesmo com 12 chegadas, incluindo Luka Modric, piorou em comparação ao grupo que terminou em oitavo no último ano.

Massimiliano Allegri, porém, conseguiu, à sua maneira conservadora e nem sempre tão agradável de assistir, tornar os Rossoneri competitivos e fazê-los em certo momento lutar pelo título.

Faltaram mais opções para que pudesse fazer frente à Inter. Praticamente não teve um centroavante confiável pelas más fases de Niclas Füllkrug e Santiago Giménez. Com Rafael Leão, sua maior arma ofensiva, em mau momento, não tinha alternativas para substituí-lo. Christopher Nkunku não entregou o mesmo nível que teve no RB Leipzig há alguns anos.

Na última temporada, o Napoli, campeão com um ponto de vantagem, sem competições europeias a disputar e eliminado cedo na Copa da Itália, se aproveitou de uma Inter que se dividia entre a trajetória que terminou com o vice da Champions e a disputa do Scudetto. É um caminho para superar o recheado elenco nerazzurri.

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Chivu foi safo em aproveitar legado de Inzaghi na Internazionale

A tarefa da Inter não era simples ao fim da última temporada. O elenco, fisicamente esgotado por disputar dois títulos até o fim e perdê-los, parecia no limite. A saída de Simone Inzaghi, técnico que recolocou o time na primeira prateleira do futebol europeu, indicava o início de uma era negativa.

Chivu assumiu ainda no Mundial de Clubes, entre junho e julho, e, desde o início, optou por não ser uma grande ruptura com o que vinha sendo construído, afinal, ele treinou diferentes categorias na base do clube de Milão entre 2018 e 2024 e passou sete anos como jogador por lá.

— Ele sempre foi uma pessoa muito calorosa, muito próxima. Quando começou no cargo, o time o aceitou imediatamente. Pessoalmente, ele é muito bom, muito acessível, aberto a tudo. Isso, claro, acabou sendo positivo para o time — elogiou Çalhanoglu em março deste ano ao canal turco “KAFA Sports”.

A estrutura continuou no característico 3-5-2, com os alas sendo os pilares para o time atacar pelos lados — Federico Dimarco, com 17 assistências na Serie A, foi o craque da Inter na campanha –, os zagueiros das “pontas” do trio com liberdade para subir, um trio de meio-campo capaz de criar e “destruir” e a dupla de ataque completa com Lautaro Martínez e Marcus Thuram.

Chivu, porém, conseguiu deixar sua assinatura em outros aspectos. A equipe se tornou mais vertical do que antes e menos paciente com a bola em vários momentos, apesar de manter uma média de posse de bola em 59%, mesmo número da temporada anterior, segundo o “SofaScore”.

Ainda tem um fator muito claro que foi a maior confiança nos jovens jogadores. Francesco Pio Esposito, treinado por Chivu na base, de 20 anos, voltou de um empréstimo ao Spezia, na Serie B, e se consolidou como um dos reservas para a dupla de ataque, assim como Yann Bonny, 22. Somados, eles marcaram 11 gols.

A rotação no meio-campo também foi um mérito do técnico. Sucic, promessa croata contratada para esta temporada, entra nesse fator e na questão dos jovens. Zielinski não tinha se firmado no seu primeiro ano em Milão, virando um pilar com o novo técnico.

— Acho que Chivu tem uma vantagem: dá oportunidade para todo mundo. Até para os jogadores jovens ele dá chances. O nosso técnico anterior, o Simone, pensava um pouco diferente. Ele trabalhava mais com jogadores experientes — revelou Çalhanoglu, na mesma entrevista.

A temporada, porém, ainda não acabou. Em 13 de maio, a Inter joga a final da Copa da Itália com a Lazio e pode fechar 25/26 com uma dobradinha.

Pio Esposito celebra gol da Internazionale
Pio Esposito celebra gol da Internazionale (Foto: IMAGO / Gribaudi/ImagePhoto)

Chivu tem duas missões para a próxima temporada

O próximo passo para Chivu é fazer a Inter competitiva no cenário europeu enquanto lida com a Serie A. Nesta temporada da Champions League, a equipe caiu nos playoffs para a sensação Bodo/Glimt, que venceu tanto a ida como a volta.

Os Nerazzurri tinham tudo para avançar direto às oitavas após vencer as quatro primeiras na fase de liga, mas uma sequência de três derrotas para Atlético de Madrid, Arsenal e Liverpool brecou isso.

Inclusive, os jogos grandes têm sido outro calcanhar de Aquiles do time, tendo perdido no Campeonato Italiano as duas para o Milan, uma para a Juventus e outra para o Napoli, que empatou no returno.

O técnico romeno, mesmo contestado quando chegou por ser pouco testado, mostrou boa gestão e parece ter alternativas para tornar a Internazionale ainda mais competitiva em 2026/27.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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