Itália

O motivo surpreendente que levou Gasperini a escolher a Roma em vez da milionária Juventus

Ex-Atalanta teve proposta da gigante Velha Senhora, mas optou por time da capital italiana

Após nove temporadas de sucesso e mudança de patamar na Atalanta, Gian Piero Gasperini concordou com a saída do time de Bérgamo e agora irá se aventurar na capital italiana no comando da Roma. Mas, antes de assumir os Giallorossi, o técnico de 67 anos precisou recusar a gigante Juventus por um motivo que chama atenção.

Na entrevista coletiva de apresentação na equipe romana nesta terça-feira (17), o italiano confirmou as informações de que recebeu o convite da Velha Senhora. No entanto, ele sentiu que o clube da Cidade Eterna é o certo porque “pode fazer a diferença”.

— É verdade, eles [Juventus] me ligaram. Tive a sensação de que a Roma era o caminho certo, além dos riscos que me foram apresentados (risos). Pensei que esta era a situação certa, fantástica de se viver, e então refleti sobre isso. Era exatamente do que eu precisava, e estou convencido de que fiz a escolha certa — aqui, sinto que posso fazer a diferença — revelou o treinador.

Gian Piero Gasperini e Claudio Ranieri em apresentação do técnico na Roma
Gian Piero Gasperini e Claudio Ranieri em apresentação do técnico na Roma (Foto: Divulgação)

A distância financeira entre Juventus e Roma ‘esnobada’ por Gasperini

A escolha de Gasperini chama atenção pela distância financeira entre os dois clubes, o que impacta diretamente até aonde seu trabalho pode chegar. Segundo o site “Transfermarkt”, o elenco dos Bianconeri está avaliado em 576,2 milhões de euros (R$ 3,6 bilhões na cotação atual) contra 319 milhões de euros (R$ 2 bilhões) dos Giallorossi.

A distância é grande não apenas no que tem à disposição agora, também no que pode alcançar em receita. Na temporada 2023/24, a Juve teve faturamento de 355,7 milhões de euros (R$ 2,2 bilhões), a 16ª maior do mundo. A Roma faturou 249 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão), 23º. Os dados são de um estudo da Deloitte.

Inclusive, além do aspecto financeiro que poderia pesar na negociação, o treinador também tem uma identificação com o time de Turim, onde começou sua carreira como jogador. Ele ainda foi técnico nas categorias de base por quase uma década entre 1994 e 2003.

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Outras razões para a escolha do técnico ex-Atalanta pela Roma

Na mesma coletiva, Gian Piero também destacou o trabalho dos donos da família Friedkien como algo que pesou na negociação. Nem mesmo as limitações de investimento nas próximas duas janelas de transferências por uma punição da Uefa desanimam o profissional.

— Os primeiros contatos eu tive foi com o Ranieri [ex-técnico e agora consultor da Roma], que me explicou, em detalhes, as coisas boas e ruins que aconteceram nesses últimos anos. Os Friedkin são pessoas com um grande entusiasmo pela Roma. Não sei se isso transparece, mas eles realmente dedicam muito tempo a este clube. Eles têm projetos ambiciosos e, até agora, tiveram dificuldades para realizá-los — disse.

— Disseram-me que identificaram em mim a pessoa que pode construir algo forte. Conversamos sobre nossas ideias. Tenho plena consciência da situação do Fair Play Financeiro para as próximas duas janelas de mercado, mas estamos falando de uma propriedade sólida, que quer investir bem e talvez de forma mais sustentável do que foi feito nos últimos anos. Eles querem a Roma no topo, e isso para mim é o suficiente — finalizou.

Thomas Dan Friedkin (à direita), presidente da Roma, e o filho Ryan Friedkin em partida do Campeonato Italiano
Thomas Dan Friedkin (à direita), presidente da Roma, e o filho Ryan Friedkin em partida do Campeonato Italiano (Foto: Imago)

Gasperini rechaçou falar sobre a pressão que existe em cima do clube da capital italiana e exaltou o clima do clube, usando Napoli, campeão italiano em 2023 e 2025, como um exemplo que é possível competir sem ser de Milão ou Turim.

— De fora, só vejo uma grande paixão pelo futebol e um entusiasmo que deve ser canalizado da melhor maneira. Nos últimos seis anos houve dificuldades, mas podemos corrigir algumas coisas e colocá-las no rumo certo. Se o Napoli conseguiu vencer o Scudetto duas vezes em três anos, e se Paris se tornou uma capital também do futebol — e não só do turismo —, isso significa que é possível vencer fora de Turim ou Milão também.

O novo comandante, porém, assumiu que seu principal objetivo na Serie A será se classificar para Champions League na próxima temporada e não acredita no título nacional. A Roma estreia em 24 de agosto no Campeonato Italiano 2025/26 contra o Bologna, em casa. O time também disputará a Liga Europa e a Copa da Itália.

— Quero tornar os jogadores mais fortes, criar uma base sólida e, talvez no próximo ano, elevar o nível dos jogadores a serem trazidos. Se você tem talento dentro do grupo, até vender algumas peças pode ser uma força — finalizou.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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