‘Tem personalidade’: Como brasileiro ex-Botafogo foi de quase negociado a titular na Inter
Após início de poucos minutos e especulação de uma possível saída, ala cai nas graças do técnico Cristian Chivu
A temporada de transição da Internazionale após a saída de Simone Inzaghi tem sido marcada pela aparição de alguns novos nomes. E um deles é um brasileiro que quase deixou o time após apenas alguns meses na Itália.
Luís Henrique chegou ao gigante de MIlão do Olympique de Marseille, em junho de 2025, por 25 milhões de euros (R$ 160 milhões na época), valor que chamou atenção naquele momento. Após a disputa do Mundial de Clubes, atuando em três partidas (uma como titular), o ex-Botafogo viveu um início de 2025/26 de poucos minutos.
Até o final de novembro deste ano, ele tinha atuado em apenas nove partidas. Foram míseras duas vezes como titular e outras sete oportunidades após sair do banco de reservas. O detalhe é que o brasileiro sequer entrou em campo em oito jogos por escolha tática de Cristian Chivu.
No último mês, surgiram rumores de uma possível saída do jogador, com um suposto interesse do Lyon. Mas tudo mudou a partir de uma oportunidade, que o ala abraçou e não largou mais.
"Enorme salto qualitativo para a minha carreira"
— Trivela (@trivela) June 7, 2025
Após saída do técnico Simone Inzaghi, clube italiano se reforça e Luis Henrique será mais um brasileiro no Mundial de Clubes, que começa no próximo final de semanahttps://t.co/NwOzPOqtVt
Como Luís Henrique virou titular na Internazionale
O jogo contra o Pisa, pela 13ª rodada da Serie A no dia 29 de novembro, é uma espécie de divisor de águas para a passagem de LH pela Inter. Na ocasião, ele voltou a ser titular sob o comando de Chivu.
Desde então, ele iniciou todos os seis jogos seguintes. Inclusive, em duelos mais complicados e de peso maior. O brasileiro iniciou contra Como, Liverpool, pela Chcampions League, e Atalanta.
A virada de Luís Henrique inicia pela lesão do titular da ala direita, Denzel Dumfries. Chivu tentou com Carlos Augusto, canhoto, que não se firmou improvisado pela direita, enquanto o jovem Andy Diouf, recém-chegado da França como LH, ainda se adaptava.
Então, obrasileiro aproveitou essa lacuna para tomar conta de seu lugar. Contra o Como, uma das sensações do futebol italiano, mostrou sua principal característica de arrancada e drible ao partir do campo de defesa, invadir a área e deixar um marcador no chão antes de tocar para o gol de Lautaro Martínez que abriu o placar.
— Luis Henrique tem personalidade e técnica. Ele tem coragem e a capacidade de partir para o um contra um — elogiou Chivu, ainda em junho.
L'accelerazione fenomenale di Luis Henrique, che prende il volo 🪽
— Inter ⭐⭐ (@Inter) December 7, 2025
E la zampata del 🐂@redbull pic.twitter.com/El6tDYFbS9
O atacante de origem também teve boas atuações frente a Venezia (quando atuou como ala pela esquerda) e Atalanta, quando, no último domingo (28), poderia ter saído com um gol ou uma assistência. Com o placar ainda zerado, o ala saiu na cara de Carnesecchi e tentou driblá-lo, mas o goleiro fechou o ângulo e pegou o chute. No rebote, LH tocou para Barella perder uma chance com a meta adversária aberta.
Ainda que sofra com algumas críticas de torcedores nas redes sociais, o jogador tem tudo para continuar atuando, visto que a lesão de Dumfries é grave e o holandês só deve retornar em março de 2026.
— Luis é um dos recém-chegados e chegou a um ambiente diferente daquele a que estava acostumado. Aqui, as expectativas e a pressão são extremamente altas: cada detalhe é julgado e analisado minuciosamente, e não é fácil para ele — disse Chivu em coletiva no último final de semana.
— Nos últimos jogos, porém, vi um jogador à altura da tarefa: fez a sua parte, dando a sua contribuição. Talvez tenha faltado um pouco de iniciativa, mas taticamente fez o que tinha que fazer. É claro que Dumfries é um jogador diferente, com mais gols no currículo, mas precisamos dar tempo e confiança a Luis Henrique para que ele possa expressar suas qualidades, porque ele tem muitas — completou o treinador.

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Ex-Botafogo aponta razão para melhora
O jogador de 24 anos acredita que seu bom momento está ligado pelos mais minutos em campo e a adaptação a um novo futebol.
— Estou trabalhando muito e procuro estar pronto para tudo o que o treinador me pede. Em relação ao início da temporada, estou jogando mais e me sinto bem, todos os meus companheiros me dão confiança e me ajudam — disse, após o triunfo sobre a Atalanta, ao “DAZN”.
— [O que está mudando no seu jogo] Penso que o tempo de jogo e meus companheiros me ajudam muito. […] As dificuldades [na adaptação] foram causadas pelo alto nível da Inter e porque eu precisava de tempo para me inserir nas dinâmicas de jogo — reiterou, à “Sky Sports”.
Ainda em agosto, ao jornal “Gazetta dello Sport”, destacou o papel de Chivu. “Ele tem alma de jogador, então entende do que você precisa e o que sente por dentro. Me dá confiança e liberdade para driblar, quer que eu jogue o meu futebol, que arrisque, me incentiva a tentar o um contra um“, revelou.
— Estou aprendendo muito na parte tática; aqui o posicionamento é realmente importante. Mas, da minha parte, acho que também levo alegria brasileira, dribles e um pouco de ousadia — completou.
Já que Dumfries tem um longo período de recuperação pela frente, Luis Henrique deve continuar firme e forte na ala da Internazionale, afastando os boatos de uma possível saída e podendo ser uma peça importante no time que lidera a Serie A e está no top-8 da Champions League.



