Futebol italiano

Reviravolta na Itália resulta em queda de ídolo e busca por ‘plano D’ para assumir a seleção

Tetracampeã mundial ainda não chegou a um nome para assumir a função de treinador para tentar disputar a Copa de 2030

Depois de sonhar com Pep Guardiola e se acertar com Andrea Pirlo, a Itália voltou à estaca zero em relação ao futuro de sua seleção. Paolo Maldini e Leonardo, que foram apontados pela Federação Italiana (FIGC) como responsáveis por definir o próximo comandante para o ciclo até a Copa do Mundo de 2030, deixaram seus cargos nesta segunda-feira (27) diante da reviravolta que fez Pirlo não assumir a Azzurra.

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Maldini e Leonardo, diretor de seleções e consultor da FIGC, respectivamente, levaram o nome de Pirlo para a aprovação de Giovanni Malagò, presidente recém-eleito da entidade. Entretanto, a relação de Pirlo, campeão mundial em 2006 como jogador, com uma casa de apostas da Rússia fez com que a FIGC recusasse a contratação do treinador, atualmente nos Emirados Árabes Unidos.

A decisão incomodou Maldini e Leonardo, segundo informações da imprensa italiana. Com a recusa de Guardiola para assumir a tetracampeã mundial, a dupla se aproxima da renuncia de seus respectivos cargos — já que não tiveram suas sugestões acolhidas pelo novo presidente da FIGC. Ainda que não tenham sido confirmadas oficialmente as saídas, a cúpula do futebol italiano já projeta a seleção sem a dupla.

— Quero agradecer a Paolo Maldini e Leonardo pela estima e pela confiança que demonstraram em mim. Conheço a competência, a seriedade e o amor que ambos sempre dedicaram ao futebol italiano — afirmou Pirlo nesta segunda-feira.

Nas primeiras horas desta segunda-feira, após Pirlo se pronunciar oficialmente, a FIGC colocou outro nome na mira para assumir a seleção italiana: Thiago Motta, ex-treinador da Juventus e do Bologna. A ideia era que, com este treinador, Maldini e Leonardo desistissem da renúncia — fato que não deve se concretizar.

Itália vai em busca de ‘plano D’ para o cargo de técnico

A alta cúpula do futebol italiano, com representantes de clubes, da Serie A e da FIGC, se reuniu nesta segunda-feira, em Milão, em busca de alternativas para a seleção após a ruptura com Pirlo. A tendência é que, sem Maldini e Leonardo, a Azzurra aposte em um “plano D” nas próximas horas.

Motta tem o perfil desejado pela dupla escolhida pela FIGC para encontrar o novo técnico: um técnico jovem, moderno e capaz de gerir as categorias de base do futebol italiano — bem como administrar os jovens talentos. No Bologna, o treinador trouxe inovações na formação de suas equipes; Na Juve, apesar de bons desempenhos entre 2024 e 2025, não conseguiu levar a equipe ao topo do futebol nacional.

Guardiola, Pirlo e, agora, Motta. Ainda que o ex-treinador da Juventus não tenha sido completamente descartado do leque de opções da FIGC, segundo aponta a “Gazzetta dello Sport”, um quarto nome volta ao radar da seleção italiana: Roberto Mancini, que levou a Itália à sua última glória em campo.

Pep Guardiola aplaude torcida do Manchester City
Pep Guardiola aplaude torcida do Manchester City (Foto: Mark Pain / IMAGO)

Mancini teve seu nome cogitado ao longo das últimas semanas, mas não se tornou prioridade de Maldini e Leonardo. O treinador levou a Itália ao título da Eurocopa de 2021, contra a Inglaterra, mas foi demitido após eliminação na repescagem da Copa do Mundo de 2022, contra a Macedônia do Norte.

O ex-treinador de Manchester City, Internazionale, Lazio e da Arábia Saudita se aproxima da figura que Malagò avalia como positiva para a Itália: veterano e experiente, capaz de recolocar a tetracampeã mundial na Copa do Mundo depois de três fracassos consecutivos (2018, 2022 e 2026).

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Itália tem duelos pela Liga das Nações em setembro

Dirigentes do futebol italiano afirmaram, ao longo das últimas horas, que não tinham conhecimento da relação de Pirlo com as apostas na Rússia. Mesmo assim, este atraso em nomear um novo comandante atrapalhou a programação da seleção italiana.

Guardiola era o plano A da Itália, mas recusou o convite para desejar um período sabático, distante do futebol. Já Pirlo, que chegou a comandar a Juventus, agradava Maldini e Leonardo, apesar de ter um contrato com a casa de apostas russa. Depois da reunião nesta segunda-feira, a tendência é que a FIGC tenha um novo posicionamento a respeito do futuro da seleção ainda nesta terça-feira (28).

Desde a demissão de Gennaro Gattuso, pós-eliminação para a Bósnia e Herzegovina na repescagem da Copa do Mundo 2026, em abril, a Itália não tem um comandante efetivo. Silvio Baldini, técnico sub-21 da Itália, comandou a seleção nos dois últimos amistosos, em maio.

Independentemente do próximo treinador, a Itália já tem na mira seus próximos compromissos pela Liga das Nações em mente. No dia 25 de setembro, o novo comandante da Azzurra estreia diante da Bélgica, pela primeira rodada da competição da Uefa.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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