Futebol italiano

‘Podemos ter apenas 16 jogadores’: Fàbregas revela obstáculo pouco conhecido da Champions

Clube italiano desbancou gigantes Milan e Juve para estar na competição continental, mas já enfrenta obstáculos antes da estreia

O discurso de Cesc Fàbregas na véspera da “Copa Como” — torneio de pré-temporada organizado pelo time italiano — foi além da preparação para uma temporada inédita na história do clube. Enquanto comentava sobre reforços, jovens da base e o planejamento para disputar simultaneamente a Serie A e a Champions League, o treinador fez um alerta que chamou atenção: o Como pode enfrentar dificuldades para inscrever um elenco numeroso na competição continental.

O motivo, segundo ele, não está relacionado ao mercado de transferências ou ao orçamento da equipe, mas às exigências impostas pela Uefa para a composição das listas de inscritos. A declaração surgiu quando Fàbregas explicou que o time ainda vive um processo de consolidação fora das quatro linhas.

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Apesar do crescimento acelerado nos últimos anos — culminando com uma classificação histórica para a Champions após a campanha de 2025/26 —, o Como ainda não possui uma estrutura de formação capaz de atender plenamente aos critérios estabelecidos pela entidade europeia.

— Temos limitações quanto às listas de jogadores da Uefa. Ainda não temos uma academia capaz de nos garantir um certo número de jogadores, e podemos nos ver jogando a Champions com um elenco de 16 ou 17 jogadores. É por isso que precisamos desenvolver nossos jogadores. É um processo que leva tempo e não pode ser concluído em dois ou três anos.

A fala, embora tenha causado estranheza à primeira vista, faz referência a um regulamento pouco discutido fora dos bastidores do futebol europeu, mas que pode influenciar diretamente o planejamento esportivo de clubes em ascensão.

O que Fàbregas quis dizer sobre o regulamento da Uefa?

Fàbregas orienta jogadores durante jogo do Como
Fàbregas orienta jogadores durante jogo do Como (Foto: Emanuele Pennnacchio / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Para disputar a Champions League, cada equipe pode inscrever até 25 atletas na chamada Lista A. No entanto, esse número máximo só é alcançado caso o clube cumpra uma série de requisitos relacionados à formação de jogadores.

O regulamento da Uefa determina que até oito vagas da lista sejam destinadas a atletas considerados “formados localmente”. Dentro desse grupo, até quatro precisam ter sido desenvolvidos pelo próprio clube, enquanto os demais podem ter sido formados por outras equipes da mesma federação nacional.

O ponto central é que essas vagas não podem ser simplesmente preenchidas por qualquer jogador. Se um clube não possuir atletas suficientes que atendam aos critérios exigidos, perde espaço na lista de inscritos. Em outras palavras, não há possibilidade de substituir essas vagas por reforços contratados no mercado.

É justamente nesse cenário que o Como se encontra. A equipe italiana vive uma ascensão meteórica. Depois de anos distante da elite, conquistou o acesso à Serie A, consolidou-se rapidamente entre os principais times do campeonato e agora disputará a Champions pela primeira vez. O desenvolvimento esportivo, porém, aconteceu em um ritmo muito mais acelerado do que a evolução de sua estrutura de base.

Por isso, o clube ainda não dispõe de um número suficiente de jogadores que tenham cumprido o período de formação exigido pela Uefa para serem considerados atletas formados em casa. A consequência pode ser uma lista reduzida para o torneio continental.

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Crescimento acelerado do Como cobra seu preço

Jogadores do Como celebram classificação para Champions League
Jogadores do Como celebram classificação para Champions League (Foto: Emanuele Pennnacchio / ZUMA Press Wire / IMAGO)

A preocupação de Fàbregas também ajuda a explicar parte das decisões tomadas pelo Como nesta janela de transferências. Na mesma entrevista, o treinador destacou que o clube conseguiu agir rapidamente para substituir saídas importantes, citando as chegadas de Kaiki Bruno (ex-Cruzeiro) e Luis Milla (ex-Getafe).

O espanhol também fez questão de elogiar Mattia Liberali, promessa do futebol italiano formada no Como, revelando que o jovem antecipou a apresentação por iniciativa própria e já será utilizado durante a Copa Como.

Além disso, Fàbregas afirmou que atletas como Riccardo Cassano e Fabio Rispoli — ambos produtos da base do clube — terão oportunidades ao longo da temporada.

A declaração ganha ainda mais peso quando analisada sob a ótica do planejamento de médio e longo prazo. Em um clube que ainda trabalha para fortalecer sua academia, oferecer minutos aos jovens não representa somente uma alternativa esportiva, mas também um investimento estrutural.

A própria fala de Fàbregas reforça essa ideia ao afirmar que esse processo “não pode ser concluído em dois ou três anos”. Isso ocorre porque o status de jogador formado pelo clube depende de um período mínimo de desenvolvimento nas categorias de base durante a adolescência.

Não basta contratar jovens promissores imediatamente antes da disputa da Champions. É necessário que eles permaneçam tempo suficiente vinculados ao clube para atender aos critérios da Uefa.

O caso do Como ilustra um desafio comum a equipes que crescem rapidamente no cenário europeu. Enquanto instituições tradicionais acumulam gerações de atletas formados em suas categorias de base e raramente encontram dificuldades para preencher as listas continentais, projetos emergentes precisam equilibrar resultados imediatos com a construção de uma estrutura sustentável.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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