Itália

Ataque mortal, ferrolho na zaga: como Internazionale de Simone Inzaghi se tornou uma potência na Itália

Líder (com sobras) da Serie A, a Internazionale de Inzaghi continua provando que não foi finalista da última Champions League à toa

Campeã de copas nas últimas temporadas, a Internazionale agora mostra sua força no campeonato de pontos corridos na Itália. Isso porque, após 26 rodadas, os Nerazzurri lideram a Serie A com 69 pontos, 12 a mais que a vice-líder Juventus. Além disso, estão na briga pelo título da Champions League, onde fora vice-campeões na última temporada. E nada disso seria possível se não fosse por Simone Inzaghi.

Contratado em 2021 sob olhares de desconfiança, já que tinha recém-iniciado sua carreira na Lazio, o treinador italiano aos poucos foi provando seu valor. Mais do que isso, Inzaghi foi capaz de ser campeão com a Inter de Milão nos últimos anos, apesar das mudanças frequentes no elenco. Para fazer dinheiro, os Nerazzurri se desfizeram de peças fundamentais, como Romelu Lukaku e Edin Dzeko, que não ficaram para 2023/24.

Apesar disso, o técnico não reclamou. Pelo contrário. O italiano continuou trabalhando, em silêncio, para deixar a Internazionale mais competitiva temporada após temporada. E tudo está dando resultado, já que os Nerazzurri de Simone Inzaghi se tornaram uma potência nacionalmente e adversários a serem batidos no cenário europeu. Para isso, ele implementou suas ideias de jogo.

Pautado em um 3-5-2 moderno, a Inter tem um ataque mortal, com Lautaro Martínez e Marcus Thuram sendo os principais responsáveis por colocar a bola na rede. Lá atrás, os Nerazzurri continuam com um ferrolho na zaga, com De Vrij, Pavard e Bastoni protegendo a meta defendida por Sommer. E como tudo isso funciona com precisão com Inzaghi? É o que a Trivela vai te responder.

Quem é Simone Inzaghi e o que ele pensa para o futebol?

Muito antes da área técnica, Simone Inzaghi foi atacante nos tempos de jogador. Contudo, há quem lembre dele como o “irmão de Filippo Inzaghi”, que fez história no arquirrival da Internazionale, o Milan. Mas, focando no atual treinador dos Nerazzurri, ele começou sua carreira no Piacenza, mas ficou marcado pelas oito temporadas que passou na Lazio, onde levantou títulos.

Inzaghi ergueu um scudetto, uma Supercopa da Uefa, três Copas Itália e duas Supercopas da Itália. Após pendurar as chuteiras, em 2010, ele caiu de cabeça nos estudos para se tornar técnico, começando sua carreira nas categorias de base dos Biancocelesti. E não demorou muito para ele assumir o time profissional da Lazio. A mudança aconteceu em 2016, e ele deu um baita cartão de visitas.

Ao todo, Simone Inzaghi foi campeão da Copa da Itália (2019), bicampeão da Supercopa da Itália (2017 e 2019), e 4º colocado na Serie A 2019/20, conquistando vaga para a Champions League, cuja última participação dos Biancocelesti no torneio aconteceu em 2015/16. E o técnico levou a Lazio até às oitavas de final da competição na temporada seguinte. Isso foi suficiente para a Inter de Milão apostar em sua contratação.

Após a saída de Antonio Conte, os Nerazzurri apostaram em Inzaghi. A escolha pelo treinador italiano levantou dúvidas, já que ele tinha assumido apenas um time antes de chegar à Internazionale. Só que isso não foi um problema. A prova são as duas Copas da Itália (2021/22 e 2022/23), além as três Supercopas da Itália (2021, 2022 e 2023), além de um vice na Série A em 2021/22, e um 3º lugar em 2022/23.

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Estatísticas da Internazionale que você precisa saber

Há quase três anos no cargo, Simone Inzaghi foi capaz de implementar sua filosofia na Internazionale. O time do técnico italiano pode ser definido em alguns pilares: eficiência, adaptação e flexibilidade. Os Nerazzurri buscam manter a posse de bola para chegar ao ataque, mas fazem uma transição rápida. Além disso, sabem se defender sem a bola e pressionar a defesa adversária. Confira algumas estatísticas na Serie A:

  • Melhor ataque (67 gols)
  • Melhor defesa (12 gols)
  • Mais jogos sem levar gols (17)
  • 1º em grandes chances criadas (85)
  • 4º em posse de bola (média de 56% por partida)
  • 3º em passes certos (média de 461 por jogo)
  • 3º em passes longos (média de 24,5 por partida)
  • 3º em cruzamentos precisos (média de 5,9 por jogo)
  • 2º em finalizações (média 15,7 por partida)

A construção ofensiva

A saída de bola da Internazionale começa desde o goleiro, que tem três opções a sua frente para avançar a jogada. É fato que Sommer não tem a mesma qualidade que Onana, titular na última temporada, mas o suíço tem sua habilidade para trabalhar com a bola nos pés. Um detalhe interessante é que os jogadores dos Nerazzurri, independente de suas posições de origem, são incentivados por Inzaghi a ocuparem espaços.

Por exemplo, se De Vrij avança uma linha com a posse, Çalhanoglu não tem problemas em recuar para a defesa e ocupar o espaço do zagueiro. Essa mentalidade e confiança entre os companheiros permitem os atletas a serem mais protagonistas na Inter. Em resumo, todos fazem a diferença. Por mais que Lautaro é a grande estrela dos Nerazzurri, há espaço para Darmian, Dimarco, Mkhitaryan, etc, brilharem.

Foto: (Reprodução/Homecrowd) - A construção ofensiva da Internazionale envolve ocupação de espaços, e cada jogador tem a segurança para fazer a posição de seu companheiro
Foto: (Reprodução/Homecrowd) – A construção ofensiva da Internazionale envolve ocupação de espaços, e cada jogador tem a segurança para fazer a posição de seu companheiro

Essa rotação ostensiva da Internazionale ajuda a criar superioridade numérica, facilitando a construção ofensiva. Inicialmente, Çalhanoglu se apresenta à frente do trio defensivo, sendo um coringa. O meia, que se descobriu um volante com o treinador italiano, tem um passe refinado, seja curto ou longo, por baixo ou pelo alto. Isso possibilita inúmeras movimentações dos Nerazzurri para ir ao ataque, incluindo até mesmo o avanço dos zagueiros com a bola. Seja como for, a ideia é ter agilidade para chegar ao gol adversário.

Não é difícil ver Pavard infiltrando linhas com o controle da pelota. Já os alas atuam bem abertos, dando amplitude para a Inter de Milão. Enquanto aos atacantes, tanto Martínez, quanto Thuram, se desvencilham da marcação dos zagueiros rivais e voltam para ser opção de passe no meio. Se um deles faz isso, o outro espera uma oportunidade para avançar para correr em velocidade nas costas dos defensores.

Foto: (Reprodução/homecrowd) - Em saída 3-1, Çalhanoglu fica à frente dos zagueiros, enquanto os alas dão amplitude pelos lados
Foto: (Reprodução/homecrowd) – Em saída 3-1, Çalhanoglu fica à frente dos zagueiros, enquanto os alas dão amplitude pelos lados

Saber quem é seu adversário

Simone Inzaghi tem um trunfo fundamental para os Nerazzurri ao montar sua saída de bola com base em cada adversário. A depender de como funciona a primeira pressão do rival, a Internazionale pode começar seu jogo com um 3-1. Ou um 4-1. Até mesmo um 4-2. A chave é adaptação. Por isso é tão difícil vencer o time do treinador italiano, que perdeu apenas duas partidas em 2023/24.

Povoar o último terço é o mantra da Internazionale

Já no último terço, Inzaghi é a favor de povoar o último terço. Buscando superar a primeira linha adversária, os Nerazzurri levam cinco ou seis jogadores perto de sua área. Os alas têm liberdade para procurar o espaço através da movimentação, assim como os meias. Um dos atacantes costuma puxar um de seus defensores, para desestruturar a marcação do rival. Isso cria oportunidade de finalizações.

Como o repertório da Internazionale é grande, os chutes de fora da área também são uma especialidade quando estão no campo adversário. Se o centro de campo estiver muito congestionado, os Nerazzurri não têm medo de abrir o jogo nas pontas para buscar o cruzamento. Todas essas armas fazem parte da bagagem de criação de Inzaghi, que sabe furar a parede adversária.

Foto: (Reprodução/homecrowd) - Povoar o último terço é o segredo da força ofensiva da Internazionale
Foto: (Reprodução/homecrowd) – Povoar o último terço é o segredo da força ofensiva da Internazionale

Perde-pressiona, é claro

A partir do momento que a Inter perde a bola, a ordem é pressionar o rival para recuperá-la o mais rápido possível. Assim como no ataque, essa pressão na defesa rival é feita de forma coordenada, com Barella sendo o homem que pressiona o homem com a posse ou se colocar em posição de interceptar um passe. Se isso não funcionar, os Nerazzurri ficam em bloco médio/baixo em um 5-3-2.

Os alas recuam, para ajudar os três zagueiros. Aliás, um jogador do miolo de zaga tem a liberdade de sair da linha para pressionar o meia adversário. Esse esquema busca abafar a posse do rival para gerar uma roubada de bola/interceptação visando o contra-ataque. Por fim, os meias e atacantes também giram para onde está a posse, diminuindo espaços. Tais aspectos, defensivos e ofensivos, ajudam a explicar porque é tão difícil superar Simone Inzaghi.

Foto: (Reprodução/homecrowd) - Sem a bola, a Internazionale se fecha em um 5-3-2
Foto: (Reprodução/homecrowd) – Sem a bola, a Internazionale se fecha em um 5-3-2
Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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