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Contra-ataque à vista: Uefa avalia punições aos 12 clubes da Superliga

Depois da fracassada tentativa de ruptura da Superliga, presidente Ceferin afirmou que clubes deverão sofrer as consequências do seu erro

A tentativa de ruptura com a Superliga Europeia, fracassada em 48 horas, pode sofrer um contra-ataque. A Uefa está considerando impor sanções aos 12 clubes que participaram da iniciativa. Segundo o presidente da entidade, Aleksander Ceferin, os clubes terão que “sofrer as consequências do seu erro”. Há pressão para que os rebeldes recebam punições e a Uefa avalia até mesmo banimento da Champions League na próxima temporada.

O comandante da Uefa indicou um tom mais ameno em entrevistas na quarta-feira. Há, porém, uma pressão dos outros clubes para que haja alguma forma de punição. “Nós temos 235 de 247 clubes no nosso lado… Bem, eles estão conosco, e agora temos 244”, disse o dirigente, se referindo ao fato que, à altura da entrevista, apenas Juventus, Real Madrid e Barcelona não formalizaram a saída da Superliga. “Vocês estão conosco. Ontem eu recebi uma mensagem de texto de apoio de praticamente todos os clubes da Europa. Então agora nós esperamos quer todos percebam o seu erro e sofram as apropriadas consequências. Nós iremos falar sobre isso na próxima semana”.

Diante da pressão de uma maioria esmagadora de clubes insatisfeitos com uma iniciativa que os estrangularia, há uma sensação que é preciso que os rebeldes sejam punidos de alguma forma, até para desencorajar novas iniciativas do time. Por isso, a Uefa estaria analisando as opções para possíveis punições. É um problema para a entidade, porque ela sabe que se pesar demais a mão, pode incentivar, na verdade, que esses clubes busquem uma nova solução fora da Uefa; por outro lado, não fazer nada seria manter uma postura leniente, que em certa medida contribuiu para chegar na situação atual. Uma das sanções avaliadas é banir os clubes da próxima Champions League.

Houve uma mudança em setores administrativos da Uefa por causa da iniciativa. Quase todos os dirigentes dos 12 clubes rebeldes deixaram seus cargos tanto na Uefa quanto na Associação de Clubes Europeus, a ECA. Com isso, o presidente do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, substituiu Andrea Agnelli como representante da ECA no Comitê Executivo da Uefa, o mais importante da entidade. David Gill, do Manchester United, é o único dirigente ligado a um dos clubes da Superliga que mantém o seu cargo na Uefa. Ele também faz parte do Comitê Executivo da Uefa e exerce o cargo também de tesoureiro da entidade. Por isso, não deve ser pedido que ele deixe o cargo.

Ceferin foi bastante duro com os dirigentes que participaram da Superliga, mas reservou as suas palavras mais fortes contra Andrea Agnelli, de quem é padrinho de uma das filhas. O esloveno acusou o presidente da Juventus de “não se importar com o esporte que amamos”. Disse ainda que respeita mais os clubes ingleses por admitirem que cometeram um erro.

“Eles sabem exatamente que eles cometeram um erro, eles me ligaram e eu os respeito por isso”, disse Ceferin. “Você tem que ser muito grande para admitir o erro e é por isso que eu tenho mais respeito por esses clubes que daqueles que insistem em algo que eles mesmos dizem que não existe”.

Um contra-ataque que deve acontecer e será contrária aos interesses dos 12 clubes da Superliga é rever um dos pontos da reformulação da Uefa, acertada há meses, e que previa classificação de clubes via ranking – o que tende a beneficiar grandes clubes que não se classificaram para a Champions League. Há pressão de outros clubes para que esse ponto do regulamento seja revisto.

Toda a reformulação pode ser revista, já que mesmo jogadores ligados a esses clubes que participaram da iniciativa da Superliga reclamaram da mudança. Ilkay Gündogan foi um deles ao criticar o aumento do número de jogos, saindo de uma fase de grupos de seis partidas para uma fase de liga, com jogos acertados via ranking, e com 10 partidas.

“Com tudo isso da Superliga acontecendo… Podemos falar sobre o novo formato da Champions League? Mais e mais e mais jogos, ninguém está pensando em nós, os jogadores? O novo formato da Champions League é apenas o mal menor em comparação com a Superliga…”, disse Gündogan.

Apesar de tudo que aconteceu, tanto o presidente do Barcelona, Joan Laporta, quanto o do Real Madrid, Florentino Pérez, seguem defendendo a Superliga. Eles chegam ao ponto de dizer que ela é “absolutamente necessária”.

As consequências aos clubes da Superliga acontecerão, até porque a Uefa está sendo pressionada e terá ao seu lado dirigentes poderosos, como os do Bayern e do PSG. Até pue Nasser Al-Khelaifi, presidente dos parisienses, foi escolhido também como presidente da ECA e, claro, os clubes da entidade estão com sangue nos olhos pela iniciativa fracassada e vão querer alguma punição. Talvez até mais do que isso: a criação de mecanismos que mudem a forma como o futebol é feito e administrado.

Ao menos na Inglaterra, isso deve acontecer. O fiasco da Superliga abriu os olhos do governo britânico, que irá examinar a governança do futebol no país. Os donos dos clubes ingleses estão sob forte pressão da torcida e até de ídolos dos clubes, que pedem a saída deles e a venda dos clubes. E como vimos em todo o desenrolar da Superliga, o que acontecer na Inglaterra pode ter efeito cascata em outros países e até na Uefa. Se as torcidas continuarem a pressionar, com os governos aproveitando isso, essa será só a primeira mudança. Como falamos no nosso texto, a Uefa saiu mais forte, mas precisa mudar para deixar de ser um problema e evitar novos golpes como a Superliga. Veremos quais serão os próximos capítulos.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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