Premier League

Ídolos de Arsenal, Liverpool e United viram-se contra proprietários: “Não têm mais espaço aqui”

Ian Wright, Carragher e Gary Neville veem continuidade de empresários norte-americanos nos clubes como insustentável após projeto da Superliga

Mais do que comentaristas de emissoras nacionais, Ian Wright, Jamie Carragher e Gary Neville são ídolos de grandes clubes, muitas vezes porta-vozes das opiniões dos torcedores e, diretamente ou não, embaixadores das instituições que representaram enquanto jogadores. Se anteriormente eles preferiam não se juntar aos coros das torcidas para criticar a gestão de Arsenal, Liverpool e Manchester United por parte de seus donos bilionários, agora a tentativa de criar uma Superliga Europeia mudou o cenário. Em um momento bastante simbólico, todos eles agora pedem a saída dos proprietários, em um sinal claro do quão desastrada foi a empreitada destes empresários.

Ídolo do Arsenal na década de 1990, Ian Wright mantinha excelente relação com o clube. Paralelamente a seu trabalho como comentarista da BT Sport, esteve sempre bastante envolvido com os Gunners, participando especialmente de diversas ações de marketing do clube, sobretudo no lançamento de camisas.

Sua ligação dificultava uma postura mais contundente contra os proprietários do time do norte de Londres, mas a situação era tão insustentável que mesmo ele se virou contra a gestão. Em um ato sucinto, mas significativo, celebrado pelos torcedores nas redes sociais, Wright publicou em seu Twitter #KroenkeOut, pedindo a saída do empresário Stan Kroenke do clube.

Na Sky Sports, Jamie Carragher e Gary Neville, rivais enquanto jogadores de Liverpool e Manchester United, formaram uma dupla bastante entrosada de comentaristas ao longo da última década – e eles também veem um fim da linha para os proprietários de seus respectivos ex-clubes.

Apesar das desculpas apresentadas pelo proprietário John W. Henry em vídeo publicado nas redes sociais do Liverpool, Carragher não vê mais futuro para o norte-americano e a FSG, sua empresa que administra o clube, no Anfield.

“Não vejo como eles podem continuar no Liverpool. Eles não podem simplesmente deixar o clube, é claro, o negócio vale muito dinheiro. Mas não vejo um futuro para a FSG no Liverpool depois disso, isso nunca será esquecido. A melhor coisa para eles é encontrar um novo comprador. Acho que será muito difícil para eles ter qualquer relação que seja com os torcedores do Liverpool daqui pra frente”, avaliou Carragher na Sky Sports.

Gary Neville foi ainda mais duro em suas palavras. Admitindo ter se omitido ao longo dos últimos anos enquanto a família Glazer conduzia uma gestão problemática, que antagonizava seus torcedores, o ex-lateral direito dos Red Devils alertou que a saída do vice-presidente executivo do clube, Ed Woodward, que administrava mais diretamente a instituição, precisa ser apenas o início, afirmando que os Glazers “não têm mais espaço em Manchester”.

“Ed Woodward é o tronco da árvore, agora precisamos partir para as raízes. Disse ontem à noite que eu me sentia conivente. (Estive calado) Enquanto eles estiveram no clube sem nunca fazer uma declaração, nunca mostrando o que faziam, nunca fazendo entrevistas coletivas. Sim, eles tiravam dinheiro do clube, se aproveitaram do clube, mas não havia nada que podíamos fazer já que o clube havia se tornado uma S.A”, explicou-se na Sky Sports.

“(Mas agora) Eles atacaram todos os torcedores de futebol deste país com o que fizeram. Os Glazers não têm mais espaço em Manchester. Precisamos trabalhar duro para garantir que as regras de propriedade (dos clubes) neste país sejam mudadas. Seja com intervenção do governo, com reguladores independentes, seja com uma regra de clubes sob propriedade dos torcedores, temos que garantir que este momento seja um catalisador de mudança. O povo se pronunciou, estávamos à beira de uma anarquia se isso tivesse continuado.”

Como pontuou Carragher, não é simples tirar os clubes das mãos destes proprietários. Estamos falando de negócios bilionários, e qualquer mudança significativa viria de maneira lenta, com muita luta. No entanto, para evitar futuros capítulos como este vivido em torno da Superliga, este processo pode ter sido acelerado, com até mesmo o governo britânico se envolvendo na discussão e prometendo um exame completo do que pode ser feito, apontando para o modelo alemão de divisão de ações como possível norte.

Ainda que esta mudança não seja simples, o debate em torno dela nunca esteve tão forte na Inglaterra como agora. O posicionamento firme de ídolos como Wright, Carragher e Neville é ao mesmo tempo um sintoma desta aceleração do debate e um estímulo a ele.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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