Espanha

Laporta e Florentino Pérez, presidentes de Barça e Real, seguem defendendo Superliga: “É necessária”

Mandatários dos gigantes espanhóis aceitam derrota, mas não largam o osso e seguem defendendo o projeto

Tão abruptamente quanto surgiu, a Superliga Europeia ruiu com a saída oficial de dez dos 12 clubes fundadores. Apenas Barcelona e Real Madrid não publicaram comunicados sobre se retirarem do projeto – ainda que não fosse necessário diante do fracasso evidente da empreitada. Ainda assim, no rescaldo do fim desta primeira tentativa, seus presidentes, Joan Laporta e Florentino Pérez, sustentam que a ideia está apenas em modo de espera.

Em entrevista à TV pública catalã, Laporta, presidente do Barcelona, reforçou que a Superliga ou uma proposta parecida é “absolutamente necessária”, levantando o argumento de que os maiores clubes geram os maiores recursos financeiros e, portanto, deveriam ter maior voz na decisão de como dividir as receitas.

“Houve pressão colocada em alguns clubes, mas a proposta se mantém. Temos investimentos muito importantes, nossos salários são muito altos, e isso precisa ser levado em consideração, além dos méritos esportivos”, afirmou Laporta, destacando ele mesmo, inadvertidamente, o problema de sustentabilidade que clubes como o Barça criaram ao inflarem o mercado nos últimos anos.

Apesar de sua posição, o mandatário do Barcelona afirmou que a decisão, no fim, será dos sócios do clube: “Estamos mantendo uma posição prudente. É uma necessidade, mas nossos sócios terão a palavra final”.

Laporta mostrou-se aberto a repensar sobretudo o ponto do acesso à Superliga para o futuro. No plano apresentado na noite de domingo, a competição teria 15 clubes fundadores fixos e cinco convidados a cada temporada com base em seu desempenho esportivo doméstico.

“Tem que ser uma competição atrativa, com base no mérito conquistado em campo. Defendemos nossas ligas nacionais e um diálogo aberto com a Uefa.”

Em conversa com a rádio Cadena SER, Pérez, cabeça do projeto da Superliga, lamentou o fracasso dos planos e acusou um dos clubes ingleses de ter feito a cabeça dos outros, resultando na retirada em conjunto do restante das equipes inglesas.

“Havia um clube entre os ingleses que não estava muito interessado. Ele começou a contaminar os outros. Um outro não estava mais convencido. O projeto está em espera, ele existe. Os doze clubes haviam assinado um contrato. Se eles partiram, é porque a Uefa colocou pressão sobre eles.”

Como em outras entrevistas recentes, Pérez voltou a atacar a Champions League, que vê como uma competição obsoleta, e a pedir mudanças para atrair públicos mais jovens.

“Estou triste. Trabalhamos neste projeto por três anos. O formato da Champions League é obsoleto, velho e só é interessante a partir das quartas de final. Este formato não funciona mais, e nos veio a ideia de fazer um formato em que jogariam as maiores equipes da Europa. A vida muda. A cada década, gerações surgem e pedem coisas novas. Devemos propor jogos competitivos, que sejam vistos em novas plataformas”, defendeu o mandatário do Real Madrid.

Presidente de La Liga, Javier Tebas atacou a postura dos dois clubes e cravou a morte da nova competição: “Acho que o Barcelona tem problemas maiores do que enfrentar o resto dos clubes da Espanha e da Europa para defender uma Superliga que já está morta. (…) Se eles dizem que a Superliga irá salvar o futebol, estão mentindo ou estão enganados. O Florentino Pérez está mentindo. Ela não pode ajudar o futebol, porque destruiria as ligas nacionais”.

Se por um lado a Superliga fracassou espetacularmente neste momento, as questões que a levaram a surgir como ideia e depois como proposta continuam, e a Uefa precisará lidar com isso para evitar que novas tentativas parecidas aconteçam.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo