Champions League

Passada a Superliga, Gündogan critica reformulação da Champions: “O formato atual funciona muito bem”

Meio-campista do Manchester City disse que reformulação é só o “mal menor” comparada à Superliga e que o formato atual é uma das razões de ser a competição de clubes mais popular do mundo

O colapso da Superliga antes mesmo de ela se tornar uma realidade deixou muitos torcedores e jogadores aliviados, mas agora o momento é de olhar o que ficou. Com a ameaça do clube fechado VIP criado por Florentino Pérez, Andrea Agnelli e amigos, é preciso rediscutir a reformulação da Champions League aprovada na última segunda-feira, ainda em meio ao caos. A proposta já era conhecida bem antes de segunda e foi só confirmada pela Uefa, mas deixou muitos insatisfeitos. Entre eles, o meio-campista Ilkay Gündogan, do Manchester City.

Pelas mudanças apresentadas, a fase de grupos deixa de existir, substituída por uma fase de ligas, com duelos ranqueados entre os clubes e o aumento de seis para 10 jogos. Além disso, só 12 dos 36 clubes seriam eliminados, com os oito primeiros classificados diretamente e do 9º ao 24º haveria uma disputa de playoffs, ao estilo Wild Card dos esportes americanos. Os oito vencedores se juntariam aos oito primeiros colocados para disputar as oitavas de final.

Um dos grandes destaques do City na atual temporada, Gündogan foi bastante vocal em sua conta de Twitter ao criticar a reformulação. “Com tudo isso da Superliga acontecendo… Podemos falar sobre o novo formato da Champions League? Mais e mais e mais jogos, ninguém está pensando em nós, os jogadores? O novo formato da Champions League é apenas o mal menor em comparação com a Superliga…”, escreveu o alemão no seu Twitter.

O camisa 8º Manchester City foi além. “O formato da Champions League atualmente funciona muito bem e é por isso que é a competição de clubes mais popular do mundo – para nós jogadores e para os torcedores”, escreveu o meia.

A discussão é muito boa e merece uma atenção grande. Até porque essa reformulação já era uma medida pensada para agradar aos clubes mais ricos, que pediam mais confrontos entre si – exatamente o que a Superliga planejava. A ideia de confrontos ranqueados, era algo que já tinha sido apresentado em fevereiro. Era mais uma das infinitas tentativas da Uefa de dissuadir esses clubes ricos de criarem a Superliga. Só que no fim, os clubes criaram, a iniciativa foi um retumbante fracasso e agora o cenário mudou.

Depois dos responsáveis pela Superliga terem anunciado que o projeto vai reconsiderar e remodelar, as peças já tinham sido mexidas e as consequências parecem ser inevitáveis. No Reino Unido, o governo quer examinar a governança do futebol no país. E mais importante, a curto prazo, é que os demais clubes da Associação Europeia de Clubes, Eca, da qual Andrea Agnelli era presidente e pediu demissão, agora quer alterações na reformulação da Uefa. Os clubes preparam pressão para que as novas vagas da Champions sejam ocupadas por campeões nacionais.

É um bom começo, mas a fórmula de disputa precisa ser questionada. A proposta era baseada no chamado sistema suíço, que Ubiratan Leal explicou como funciona neste vídeo. No fim, não terá nada a ver com isso, ou ao menos muito pouco. As 10 rodadas desta primeira fase seriam baseadas em um ranking, que colocaria frente a frente os clubes com níveis similares, além de um número limitado de duelos com clubes de outros rankings. Um sistema que não é claro e parece mais confundir do que explicar.

O atual sistema é bem simples: fase de grupos, quatro clubes por grupo, jogos em ida e volta. São seis rodadas, classificam os dois primeiros, o terceiro vai para a Liga Europa, o quarto está eliminado de todas as competições. Simples, funcional e prático. Não precisa de uma reformulação estúpida como essa, que só tenta acomodar interesses de clubes que só estragam mais a competição com seus pedidos e, quando não estão mais satisfeitos, querem pegar a bola e levar para a sua quadra fechada, onde só entra quem tem muita grana em um clube VIP. Não pode ser assim.

Por isso o questionamento de Gündogan é tão importante. Afinal, a Superliga era de fato uma ameaça maior e, por hora, foi vencida. Mas é preciso discutir esse regulamento ridículo que a Uefa colocou em curso. Já que os clubes mais ricos perderam força, é hora de discutir de peito aberto essas questões. E aí, Uefa?


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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