Brasil

No Z4 dos melhores ataques: metade de 2024 passou e problema do Cruzeiro segue o mesmo

O Cruzeiro se reforçou ofensivamente em 2024, mas as lesões atrapalham o ataque da Raposa de engrenar

O ano de 2024 chega hoje em sua metade e, apesar de haver muita água para rolar no futebol brasileiro, já é possível trazer análises sobre o que houve até aqui. E no universo Cruzeiro, podemos notar que um problema antigo persiste: o ataque pouco efetivo.

No ano passado, o fraco aproveitamento do ataque celeste foi considerado um dos principais responsáveis pela temporada ruim, de luta contra o rebaixamento até a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro.

Para se ter ideia, o artilheiro do Cruzeiro no ano foi o ponta Bruno Rodrigues, com 13 gols. Depois dele, Gilberto com seis, Nikão e Wesley com quatro.

No total, a Raposa balançou as redes 50 vezes em 52 partidas. Menos de um gol por jogo, pouco, muito pouco.

O impacto disso na temporada celeste é tão forte que mesmo com a melhor defesa do Brasileirão, o clube teve uma classificação modesta.

Um exemplo é o rival Atlético-MG, que sofreu o mesmo número de gols, mas foi muito mais efetivo na frente, e terminou a competição no terceiro lugar.

Promessa de melhora para 2024

Ao fim da temporada, o então dono da SAF do Cruzeiro, Ronaldo Nazário, o Fenômeno, prometeu que investiria no setor.

Era até irônico que o clube de um dos maiores centroavantes da história não conseguisse marcar por mais que criasse boas chances em determinados momentos.

O Cruzeiro, ainda com orçamento modesto, buscou se reforçar. Na primeira janela do ano, chegaram nomes como Juan Dinenno, Rafa Silva, Gabriel Veron e, um tempo depois, Álvaro Barreal.

Apesar da clara melhora nos nomes, as coisas seguiram não correndo tão bem. Rafa Silva e Veron, com histórico de lesões, seguiram se machucando. Recentemente, começaram a marcar gols, mas nada de super impressionante até aqui.

Barreal vinha se firmando e mostra qualidade para dar assistências. Também sofreu com lesões e ainda busca uma sequência mais forte no time.

Já Dinenno foi quem melhor começou. Marcando gols e mostrando ótimo futebol não só como um matador, mas também fora da área, fazendo pivôs e distribuindo bem o jogo, o então camisa 9 (agora 19), logo caiu no gosto da torcida, mas também passou a sofrer com lesões.

Juan Dinenno comemora gol marcado em clássico Atlético x Cruzeiro, na Arena MRV
Dinenno vinha sendo um dos destaques do Cruzeiro em momento difícil da temporada, mas quando o time melhorou, ele se lesionou – Foto: Icon Sport

Dos muitos problemas no ataque celeste, Dinenno faz muita falta, pois parece ter as características ideais para o que o elenco precisa.

Com questões mais sérias, o argentino não joga desde 11 de abril. A esperança é que se recupere neste mês de julho.

Rendimento do ataque segue abaixo do esperado no Cruzeiro

Mesmo com melhores jogadores, o Cruzeiro segue com um ataque pouco efetivo, tratando-se do 16º/17º dentre as equipes do Brasileirão na temporada, junto ao Internacional, com 45 gols marcados.

# EQUIPE GOLS PRÓ
1 Bahia 75
2 Fortaleza 73
3 Cuiabá 72
4 Botafogo 70
5 Atlético Goianiense 66
6 Athletico Paranaense 64
6 Flamengo 64
8 Palmeiras 62
9 São Paulo 56
9 Atlético Mineiro 56
11 Vitória 51
12 Red Bull Bragantino 49
13 Grêmio 48
14 Criciúma 47
15 Corinthians 46
16 Internacional 45
16 Cruzeiro 45
18 Vasco 43
19 Fluminense 42
20 Juventude 39

 

Por outro lado, é preciso ressaltar, que é o terceiro clube da Série A que menos jogou na temporada, com apenas 31 jogos, o que torna a média de gols por jogo ligeiramente melhor. O clube é o 11º no quesito.

Agora, com novos reforços para o ataque, Kaio Jorge e Lautaro Díaz, e nomes mais criativos para o meio de campo, como Matheus Henrique, e jogadores mais seguros defensivamente, como Walace, Fabrizio Peralta e Cássio, fica a expectativa de um time mais equilibrado defensivamente mais forte na frente.

# EQUIPE Média de gols pró
1 Atlético Goianiense 1,94
2 Bahia 1,88
3 Flamengo 1,78
4 Cuiabá 1,76
5 Atlético Mineiro 1,75
5 Botafogo 1,75
7 Athletico Paranaense 1,73
8 Fortaleza 1,70
9 Palmeiras 1,63
10 São Paulo 1,60
11 Cruzeiro 1,45
12 Vasco 1,43
13 Criciúma 1,42
14 Vitória 1,42
15 Grêmio 1,37
16 Internacional 1,36
17 Corinthians 1,31
18 Juventude 1,30
19 Red Bull Bragantino 1,26
20 Fluminense 1,17

 

Sem Dinenno e Rafa Silva, machucados, é Matheus Pereira quem domina as estatísticas no ataque do Cruzeiro. O craque da camisa 10 tem sido o “arco e a flecha”, sendo o líder em gols (7) e assistências (10), da Raposa na temporada.

Matheus fez 15,6% dos gols do Cruzeiro em 2024.

Mesmo sem jogar há tanto tempo — ainda sem uma partida sequer pelo Brasileirão —, Dinenno vem atrás com cinco gols.

Para além dos números, o Cruzeiro segue perdendo muitos gols, o que traz memórias incômodas ao torcedor da Raposa.

Kaio Jorge, hoje no Cruzeiro, durante aquecimento em seus tempos de Frosinone, no futebol italiano
Kaio Jorge, hoje no Cruzeiro, durante aquecimento em seus tempos de Frosinone, no futebol italiano. Ele é esperança pra dividir gols com Dinneno (Foto: IconSport)

Além disso, também há a ansiedade para o retorno de Juan Dinenno e Rafa Silva, que em plenas condições físicas, elevam consideravelmente o potencial ofensivo do Cruzeiro.

Hoje, o ataque celeste é melhor que o de 2023, mas ainda é ruim para um clube que sonha alto. Por outro lado, o futuro dá esperança e o torcedor cruzeirense tem motivos para se animar.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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