São Paulo e Palmeiras vão de acordo por estádios a guerra nos bastidores em um ano e estremecem relação
Trivela resgata a cronologia de como a relação entre São Paulo e Palmeiras se desgastou com polêmicas ao longo do último ano
Era janeiro de 2023, quando os presidentes de São Paulo e Palmeiras, Julio Casares e Leila Pereira, celebravam um acordo entre os dois clubes para que um utilizasse o estádio do outro, quando MorumBIS ou Allianz Parque estivessem cedidos para shows. E assim foi. O Tricolor jogou na casa palmeirense e vice-versa sem incidentes de violência ou represálias. Sucesso que deixou os mandatários orgulhosos, certos de que esta era uma prova de que o bom relacionamento institucional era o caminho para o futebol paulista — e nacional.
Pouco mais de um ano mais tarde, o acordo entre os dois clubes soa como algo distante, quase que de outros tempos. São Paulo e Palmeiras acabam de sair de um Choque-Rei em que uma guerra de versões nos bastidores sobre a não realização da entrevista coletiva de Abel Ferreira no MorumBIS dominou os bastidores após um empate em 1 a 1 repleto de polêmicas com a arbitragem no último domingo (3).
A Trivela narra abaixo como a relação entre os dois rivais estremeceu a ponto de criar uma crise nos bastidores depois do clássico válido pelo Campeonato Paulista. Vale lembrar: os dois rivais podem voltar a se enfrentar na fase de mata-matas. E já há um Choque-Rei marcado para abril, na quarta rodada do Campeonato Brasileiro.
A cronologia dos atritos
Janeiro de 2023 — acordo para “troca” de estádios
Após anos de ruptura durante as gestões de Carlos Miguel Aidar, no São Paulo, e Paulo Nobre, no Palmeiras, os dois clubes se reaproximaram com os atuais presidentes. A maior prova disso foi o acordo para a “troca” de estádios celebrado no início do ano passado. Primeiro, o Alviverde mandou um clássico contra o Santos, pelo Paulistão, no Morumbi. Depois, o Tricolor teria de usar o Allianz parque para enfrentar o Água Santa nas quartas de final do estadual, por conta dos shows da banda Cold Play.
Ficou acertado que nenhum dos clubes pagaria aluguel para o uso da casa do rival. E foi o início do acordo para que um usasse o estádio do outro quando o seu não estivesse disponível. O Palmeiras chegou a jogar pela Libertadores no Morumbi, na vitória sobre o Cerro Porteño.
Julho de 2023 — São Paulo elimina o Palmeiras na Copa do Brasil
Em julho do ano passado, São Paulo e Palmeiras se enfrentaram nas quartas de final da Copa do Brasil. Um confronto recorrente em mata-matas nas últimas temporadas e que não interferia na boa relação institucional entre os clubes… Até então. O Tricolor venceu tanto no MorumBIS quanto no Allianz Parque e eliminou o arquirrival para avançar à semifinal da competição.
Após a vitória no duelo da volta, o São Paulo usou as redes sociais para provocar o rival em uma série de postagens. O clube citou o retrospecto amplamente favorável em clássicos decisivos e também fez alusão ao bordão de Abel Ferreira “Cabeça fria, coração quente” nas comemorações.
Cabeça fria?
VOU FESTEJAR!!! 🎉#VamosSãoPaulo 🇾🇪 pic.twitter.com/O2LkygYfAf
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) July 14, 2023
Outubro de 2023 — Palmeiras goleia o São Paulo no Allianz
Quatro meses mais tarde, o Palmeiras construiu sua revanche com uma goleada histórica no Allianz Parque. O Alviverde aplicou 5 a 0 no São Paulo em Choque-Rei válido pelo Campeonato Brasileiro e, claro, aproveitou para devolver as provocações nas redes sociais. O clube fez uma série de publicações nas redes sociais em alusão ao placar elástico tanto na noite após a partida, quanto no dia seguinte.
O clássico também foi a semente para a crise nos bastidores do último domingo. Após a partida, o técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva em uma sala anexa do Allianz Parque em frente à porta do vestiário dos gandulas, em um espaço que também servia de passagem para outros profissionais no estádio. O local improvisado causou desconforto entre os são-paulinos, tendo sido citado como justificativa para a “reciprocidade” ao vetar a sala de coletivas do MorumBIS para Abel Ferreira, mas falaremos disso mais tarde.
Tudo pronto pra mais um #DiaDeTreino! ⚽⚽⚽⚽⚽#AvantiPalestra pic.twitter.com/Giyn95HgDS
— SE Palmeiras (@Palmeiras) October 26, 2023
Outubro de 2023 — São Paulo decide “ignorar” parceria
Dias mais tarde, o São Paulo teria pela frente o Red Bull Bragantino em uma partida que não poderia ser mandada no MorumBIS, cedido aos shows das bandas RBD e Red Hot Chili Peppers. O Tricolor teria o Allianz Parque a sua disposição para atuar, mas preferiu mandar a partida na Vila Belmiro, onde venceu o Massa Bruta por 1 a 0. A justificativa era de que o clube pretendia evitar o gramado sintético da casa palmeirense. Mas nos bastidores o clima de provocações também pesou para a decisão.
Dezembro de 2023 — Palmeiras dá chapéu por Caio Paulista
O final do ano passado ainda reservou um episódio à parte que acirrou a rivalidade nos bastidores. O Palmeiras atravessou o negócio entre São Paulo e Fluminense para a permanência de Caio Paulista no MorumBIS e aplicou um chapéu para anunciar a contratação do lateral-esquerdo. Por isso, o anúncio da contratação do jogador veio com boas doses de alfinetadas ao rival.
Fevereiro de 2024 — São Paulo vence a Supercopa do Brasil
A rivalidade efervescente entre os dois rivais chegou a um ápice na Supercopa do Brasil deste ano. As duas equipes se enfrentaram em um Choque-Rei histórico no Mineirão, com arquibancadas divididas pelas duas torcidas pela primeira vez após longos anos de proibição de visitantes em clássicos em São Paulo (que, aliás, ainda persiste). O São Paulo levou a melhor e venceu o Palmeiras nos pênaltis para conquistar o título inédito.
Março de 2024 — Choque-Rei da coletiva
No último domingo, a rivalidade chegou a um novo ápice — desta vez, nos bastidores após o Choque-Rei no MorumBIS. Tudo começou com uma negativa do São Paulo para que Abel Ferreira utilizasse a sala de entrevistas do estádio para atender à imprensa. A partir daí, o resultado e as polêmicas do clássico ficaram em segundo plano na zona mista. O assunto foi apenas o veto, com acusações dois clubes de que o outro lado estaria mentindo. Virou o Choque-Rei das coletivas.
De um lado, o São Paulo afirma que vetou apenas o uso da sala de coletivas para o adversário e que colocou à disposição os demais espaços do estádio para que Abel concedesse a sua entrevista. Do outro, o Palmeiras alega que o clube mandante proibiu que Abel realizasse a entrevista, em uma decisão comunicada apenas após a partida.
O São Paulo trata o episódio como uma decisão institucional, tomada depois do último clássico no Allianz Parque, em que o São Paulo foi derrotado por 5 a 0 pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o então técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva em uma sala anexa próxima ao vestiário dos gandulas. Profissionais da imprensa — inclusive, a reportagem da Trivela — tiveram de sentar no chão para acompanhar a entrevista.
Esclarecimento:
O São Paulo Futebol Clube esclarece que, por reciprocidade, disponibilizou a zona mista do MorumBIS para a realização das entrevistas da Sociedade Esportiva Palmeiras. A utilização ou não do espaço fica a cargo do clube visitante.
Vale ressaltar que, na última…
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) March 4, 2024
O Tricolor alegou, portanto, que a decisão se tratava de “reciprocidade”. O clube inclusive publicou um comunicado em suas redes sociais em que garante que a opção de não conceder entrevista no MorumBIS foi do Palmeiras. O veto foi apenas ao uso da sala de entrevistas. Tanto que Raphael Veiga parou na zona mista e conversou com a imprensa. Um profissional do clube ainda afirmou que integrantes da assessoria de imprensa adversária chegaram a se reunir após o aviso para decidir como proceder.
A versão contada pelos palmeirenses é de que o clube foi apenas informado de que Abel não poderia conceder entrevista na sala de imprensa do MorumBIS, sem a possibilidade de realizar a entrevista coletiva em algum outro espaço do estádio. O clube alviverde ainda relata que só soube que não teria permissão de utilizar a sala de entrevistas após a partida, quando já havia programado o painel eletrônico que fica atrás dos técnicos durantes as entrevistas, conhecido como backdrop.
Por conta de não ter recebido permissão para utilizar o espaço, o Palmeiras decidiu deixar o estádio sem conceder entrevistas também na zona mista, sendo o corredor por onde os atletas se dirigem aos ônibus. Apenas Raphael Veiga parou para atender à imprensa, enquanto a maioria dos integrantes da delegação já estavam no veículo. O clube ainda relata que integrantes de sua delegação foram alvos de hostilidades desde a chegada ao MorumBIS.
Fomos informados pelo São Paulo, somente após o jogo deste domingo, que não haveria sala para a realização da entrevista do técnico Abel Ferreira – o backdrop com os patrocinadores do clube já estava, inclusive, instalado na sala de coletivas do Morumbi.
Como o mandante não nos… pic.twitter.com/0mGwLd60Su
— SE Palmeiras (@Palmeiras) March 4, 2024



