Brasileirão Série A

Palmeiras volta a jogar muito bem e humilha o São Paulo no Allianz Parque por 5 a 0

Em noite de ótimas atuações individuais, como Breno Lopes e Piquerez, Palmeiras pressiona São Paulo do início ao fim e goleia por 5 a 0

Mais do que atropelar o São Paulo por 5 a 0, o Palmeiras voltou a jogar muito bem. Em noite de ótimas atuações individuais, como as de Breno Lopes, Piquerez e Richard Ríos, o time do técnico Abel Ferreira também brilhou coletivamente para vencer o Choque-Rei e alcançar os 50 pontos.

O resultado, que teve dois gols de Breno Lopes, dois de Piquerez e um de Marcos Rocha, coloca o Verdão no rumo da estabilidade no G4. Com nove jogos a fazer, o time precisa de quatro vitórias e um empate para fazer 63 e superar a média de pontos que garantiu times entre os quatro primeiros do Brasileirão nos últimos dez anos.

Já o São Paulo, que pareceu nem ter vindo para o Allianz Parque, segue sem poder ainda pensar em férias. Com 38, o time de Dorival Jr. pode terminar a rodada com sete pontos de distância para o Z4. Ainda é muito, mas não permite um relaxamento.

Deixando-se envolver pelo jogo do Palmeiras, o campeão da Copa Brasil não esboçou qualquer reação, à medida que via os donos da casa mandarem no jogo e construírem a goleada. Com o efeito que só os clássicos têm, o Choque-Rei pode ser a alavanca que recoloca o Palmeiras no bom caminho. E se não afunda o São Paulo, certamente azeda bastante os próximos dias no CT da Barra Funda.

Palmeiras parecia… o Palmeiras

O Palmeiras foi o time que não se via desde 23 de agosto, quando atropelou, por 4 a 0, o Deportivo Pereira, nas quartas de final da Libertadores. Com Breno Lopes e Endrick no ataque, o time que teve ainda Luan como líbero na fase ofensiva, sobrou em campo.

Aos 5 minutos, o gol anulado de Ríos já dava mostra do que o Palmeiras iria oferecer. Com trocas de bola rápidas, ultrapassagens e posicionamento impecável, o time chegava à frente com perigo em quase todas as descidas.

Aos 15 minutos, em uma ótima jogada que seria tentada muitas outras vezes, Gómez enfiou entre as linhas para Endrick, que encontrou Veiga. De primeira, o camisa 23 acionou Mayke. O cruzamento veio rasteiro no segundo pau, para Breno completar.

Ríos, que fazia ótima apresentação, deu mais uma enfiada precisa, aos 26. Breno Lopes recebeu na entrada da área, carregou para dentro e bateu forte, por cima de Rafael, para fazer 2 a 0.

Nos acréscimos do 1º tempo, aos 51, o Palmeiras ainda fez o terceiro, após pênalti de Rato em Zé Rafael, que Klaus apitou sem o VAR. Mesmo com Veiga em campo, quem cobrou foi Piquerez. A batida nem foi tão boa. Mas o goleiro Rafael, em uma jornada infeliz, deixou a bola entrar, mesmo tendo tocado nela.

O Palmeiras voltou na mesma pegada na segunda etapa, e praticamente jogou sem riscos a partir dos 15, quando Rafinha foi expulso. Mesmo, com o placar favorável e as muitas substituições, o ritmo se manteve alto. Aos 38, foi a vez de Marcos Rocha fazer o quarto, depois de cruzamento perfeito de Piquerez – jogada bem parecida com a do primeiro gol, mas no lado oposto.

Parea fechar a conta, Piquerez acertou um lindo chute aos 41 e selou a goleada por 5 a 0. Foi a senha para os gritos de Olé ecoarem na casa do Alviverde.

Torcida quase fez trégua com Leila Pereira

Não fosse por alguns minutos de xingamentos, enquanto o time se aquecia, Leila Pereira passou praticamente incólume a xingamentos nesta quarta-feira.

As organizadas cantaram alto e apoiaram o time o jogo inteiro, deixando de lado as críticas e ofensas à dirigente. Os protestos de torcedores com esparadrapos e fitas cobrindo as marcas patrocinadoras do Palmeiras, pertenecentes a Leila, também foram menos impactantes do que prometiam.

Os 5 a 0 ajudaram, mas o clima foi de fato bem mais ameno no estádio também por essa quase trégua.

Irreconhecível, São Paulo escapa de goleada ainda maior

O relógio marcava 36 minutos de clássico, e Dorival Júnior já evocava a sua primeira substituição para tentar mudar os rumos do jogo: a entrada de Rodrigo Nestor no lugar de Gabriel Neves. Uma prova definitiva de que o São Paulo fazia no gramado sintético do Allianz Parque uma de suas piores partidas na temporada – se não a pior. No momento da troca, o placar marcava 2 a 0 para o Palmeiras. O primeiro tempo encerrou 3 a 0.

Não fossem os 61% de posse de bola improdutiva, mal seria possível notar a presença do Tricolor em campo. O fato é que o Alviverde construiu o placar com uma naturalidade atípica para um jogo deste tamanho. E olha, que o primeiro gol não valeu. Logo aos 4 minutos, Richard Ríos aproveitou cruzamento de Mayke para cabecear não muito forte, mas suficiente para Rafael espalmar para dentro do gol. Ele estava impedido, mas era só questão de tempo até o Palmeiras abrir o placar.

Aos 15, Mayke recebeu mais uma vez com muita liberdade pela direita. O cruzamento foi na medida para Breno Lopes aparecer ainda mais livre, com o trabalho de apenas empurrar para as redes. O mesmo Breno Lopes fez o segundo de cabeça, em novo cruzamento da direita. E o São Paulo, de tão perdido em campo, entregou um gol ao adversário. Primeiro, Rafinha cometeu falta desnecessária na entrada da área. A bola viajou para a área e sobrou para Zé Rafael, que corria em direção à lateral, quando foi derrubado por Rato. Pênalti, convertido por Piquerez. E Rafael ainda tocou na bola.

O time perdia por 3 a 0, e Dorival voltou do intervalo com uma troca para deixar o São Paulo mais protegido na defesa: Jhegson Méndez no lugar de James Rodríguez. Não funcionou, e muito devido ao seu capitão. Rafinha foi expulso por entrada em Breno Lopes. Ao Tricolor, restou se defender para tentar evitar uma goleada. Só tentar. Marcos Rocha ainda marcou o quarto gol palmeirense, em mais uma jogada de cruzamento. E Piquerez commpletou a goleada, aos 41.

E foi ainda pior: Lucas virou preocupação

Acredite, são-paulino: foi ainda pior. Não bastasse a derrota no clássico, Dorival ainda viu Lucas Moura virar motivo de preocupação. O atacante sentiu uma fisgada na coxa esquerda em uma arrancada ainda no primeiro tempo. Ele foi substituído por Wellington Rato e passa a ser dúvida para a sequência da temporada. Se serve de consolo, o camisa 7 ao menos deixou o campo caminhando, ainda que com dificuldades.

São Paulo segue em busca do inédito: vencer como visitante

O São Paulo é um dos dois times que ainda não venceram fora de casa no Brasileirão. O outro é o lanterna América-MG. Em 14 jogos, são seis empates e agora oito derrotas. O Tricolor segue em busca do inédito já no próximo domingo (29), às 16h (horário de Brasília), quando tenta a tão sonhada primeira vitória como visitante contra o Athletico na Arena da Baixada. A equipe ocupa a 10ª colocação na tabela, com 38 pontos.

Estatísticas

Finalizações
Palmeiras 12 x 5 São Paulo

Finalizações certas
Palmeiras 8 x 0 São Paulo

Posse de Bola
Palmeiras 45% x 55% São Paulo

Faltas cometidas
Palmeiras 14 x 15 São Paulo

Próximos jogos do Palmeiras

Palmeiras x Bahia — Campeonato Brasileiro – sábado, 28 de outubro, às 19h (horário de Brasília)
Botafogo x Palmeiras – Campeonato Brasileiro – quarta-feira, 1º de novembro, às 21h30 (horário de Brasília)
Palmeiras x Athletico-PR – Campeonato Brasileiro – sábado, 4 de novembro, às 21h30 (horário de Brasília)

Próximos jogos do São Paulo

Athletico-PR x São Paulo – Campeonato Brasileiro – domingo, 29 de outubro de 2023, às 16h (horário de Brasília)
São Paulo x Cruzeiro – Campeonato Brasileiro – quinta-feira, 2 de novembro de 2023; às 20h (horário de Brasília)
São Paulo x RB Bragantino – Campeonato Brasileiro – quarta-feira, 8 de novembro de 2023, às 20h (horário de Brasília)

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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