Brasil

Choque-Rei das coletivas: entenda a confusão nos bastidores do empate entre Palmeiras e São Paulo

Palmeiras e São Paulo travam guerra de versões sobre não realização de entrevista coletiva de Abel Ferreira após empate no Choque-Rei

A revolta do São Paulo com a arbitragem após o empate em 1 a 1 com o Palmeiras, neste domingo (3), foi apenas uma página das confusões que tomaram conta dos bastidores do Choque-Rei no MorumBIS, pelo Campeonato Paulista. O clássico encerrou com uma guerra de versões sobre a (não) entrevista coletiva de Abel Ferreira após a partida.

Tudo começou com uma negativa do São Paulo para que o treinador do adversário utilizasse a sala de entrevistas do estádio para atender à imprensa. A partir daí, o resultado e as polêmicas do clássico ficaram em segundo plano na zona mista do MorumBIS. O assunto foi apenas o veto, com acusações dois clubes de que o outro lado estaria mentindo. Virou o Choque-Rei das coletivas.

O São Paulo afirma que vetou apenas o uso da sala de coletivas para o adversário e que colocou à disposição os demais espaços do estádio para que Abel concedesse a sua entrevista. O Palmeiras, por sua vez, alega que o clube mandante proibiu que Abel realizasse a entrevista, em uma decisão comunicada apenas após a partida.

O que diz o São Paulo:

O relato ouvido pela Trivela é de que um profissional do São Paulo comunicou à equipe de assessoria de imprensa do Palmeiras que Abel Ferreira não poderia conceder a sua entrevista na sala de coletivas do estádio minutos após o jogo, no túnel de acesso ao vestiário. Na conversa, o clube garante que disponibilizou outros espaços do MorumBIS para que o treinador atendesse à imprensa – como por exemplo, a zona mista. Algo que é negado na versão palmeirense.

Trata-se de uma decisão institucional do clube, tomada depois do último clássico no Allianz Parque, em que o São Paulo foi derrotado por 5 a 0 pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o então técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva em uma sala anexa próxima ao vestiário dos gandulas. Profissionais da imprensa – inclusive, a reportagem da Trivela – tiveram de sentar no chão para acompanhar a entrevista (confira na imagem abaixo). O clube, inclusive, alega que nunca havia utilizado aquele espaço no Allianz Parque e cogita até uma espécie de “resposta” depois de ter provocado o rival pela eliminação na Copa do Brasil, meses antes.

O São Paulo alegou, portanto, que a decisão se tratava de “reciprocidade”. O clube inclusive publicou um comunicado em suas redes sociais em que garante que a opção de não conceder entrevista no MorumBIS foi do Palmeiras. O veto foi apenas ao uso da sala de entrevistas. Tanto que Raphael Veiga parou na zona mista e conversou com a imprensa. Um profissional do clube ainda afirmou que integrantes da assessoria de imprensa do adversário chegaram a se reunir após o aviso para decidir como proceder.

O que diz o Palmeiras:

Coletiva do São Paulo concedida na sala de imprensa do Allianz Parque, a mesma do Palmeiras (Foto: Divulgação)

O Palmeiras, por sua vez, alega que a negativa de cessão da sala de entrevistas coletivas para o técnico Abel Ferreira foi apenas uma das hostilidades das quais o integrantes de sua delegação foram alvos no MorumBIS, neste domingo (3), quando veio disputar o Choque-Rei na casa tricolor.

Por conta de não ter recebido permissão para utilizar o espaço, o Palmeiras decidiu deixar o estádio sem conceder entrevistas também na zona mista, que é o corredor por onde os atletas se dirigem aos ônibus. Apenas Raphael Veiga parou para atender à imprensa, enquanto a maioria dos integrantes da delegação já estavam no veículo.

O Palmeiras deixou o MorumBIS praticamente em silêncio e revoltado com a postura e o tratamento recebidos do lado do São Paulo. O departamento de comunicação do clube afirma que a delegação alviverde foi recebida com hostilidade desde o primeiro momento em que chegou ao estádio e que ouviu som alto no vestiário desde as 15h – cinco horas antes antes do clássico.

A versão contada pelos palmeirenses é de que o clube foi apenas informado de que Abel não poderia conceder entrevista na sala de imprensa do MorumBIS, sem a possibilidade de realizar a entrevista coletiva em algum outro espaço do estádio. O clube alviverde ainda relata que só soube que não teria permissão de utilizar a sala de entrevistas após a partida, quando já havia programado o painel eletrônico que fica atrás dos técnicos durantes as entrevistas, conhecido como backdrop.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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