Brasil

Supercopa tem a emoção que um clássico com duas torcidas merece: São Paulo vence o Palmeiras nos pênaltis e é campeão

Rafael brilha nos pênaltis, e São Paulo vence o Palmeiras após empate em 0 a 0 no tempo normal

Era o primeiro clássico paulista em oito anos com arquibancadas divididas por duas torcidas. De um lado, o Mineirão estava colorido pelo verde e branco palmeirenses. Do outro, eram o vermelho, o branco e o preto são-paulinos que pintavam o Gigante da Pampulha. Em campo, um Choque-Rei que fez jus a toda a expectativa de um confronto que já iniciou histórico, neste domingo (4), pela Supercopa do Brasil. Um duelo que, de tão emblemático, foi disputado palmo a palmo ao longo do empate em 0 a 0 nos 90 minutos. E só decidido nos pênaltis. E aí, brilhou a estrela do mineiro Rafael. Em sua terra natal, ele defendeu duas cobranças e consagrou o São Paulo campeão com vitória por 4 a 2 sobre o Palmeiras.

Pênaltis consagram Rafael e o São Paulo

Nos pênaltis, prevaleceu a frieza do time que jogava para se manter campeão de tudo. Diante da multidão de são-paulinos atrás do gol, Rafael brilhou para defender os pênaltis de Murilo e Piquérez. Calleri, Galoppo, Pablo Maia e Michel Araújo foram perfeitos nas cobranças para consagrar o São Paulo como campeão da Supercopa do Brasil.

Como foi o jogo

São Paulo se segura em primeiro tempo em que a bola pouco rolou

Foi um primeiro tempo inversamente proporcional à bela festa de são-paulinos e palmeirenses que lotaram um estádio dividido meio a meio depois de oito anos de clássicos apenas com torcida única. De fato, a bola mais parou do que correu em uma primeira etapa disputada palmo a palmo, com entradas duras de lado a lado e um total de 18 faltas (dez do Palmeiras, e dez do São Paulo). Nos poucos minutos em que teve jogo no Mineirão, o Tricolor viveu uma atuação um tanto paradoxal.

Pois a equipe teve mais posse de bola (como é regra sob o comando de Thiago Carpini) e mesmo assim correu mais riscos do que o Palmeiras. O Tricolor deu trabalho a Weverton uma única vez. Foi com Nikão, a novidade do time no lugar de Lucas Moura. Aos 23, ele aproveitou sobra de Calleri em disputa de bola aérea, dominou na entrada da área pela esquerda e chutou forte. O goleiro rival fez grande defesa. Depois, aos 40, Luciano teve grande chance em um passe de Nikão, mas não conseguiu finalizar já dentro da área.

De resto, o São Paulo teve de se segurar. Logo no primeiro lance do jogo, Mayke obrigou Rafael a fazer uma grande defesa em chute de dentro da área. No lance de mais perigo, Rony encontrou Veiga livre dentro da área. O meia cabeceou para fora com muito perigo.

Palmeiras é melhor no 1º tempo, mas corre riscos

O Palmeiras começou o jogo melhor e, logo aos 2 minutos, Rony já deu o primeiro chute perigoso na meta de Rafael. Segundos antes, Luciano já levara o primeiro amarelo após dividida com Flaco López.

A superioridade do Palmeiras se estendeu até os 20 minutos. O Alviverde marcava no campo do adversário e o empurrava para trás. Dali em diante, o São Paulo equilibrou o jogo por alguns minutos – muito embora o Palmeiras fosse terminar o 1º tempo melhor.

Nervoso, o Palmeiras entrava muito duro nas divididas, com mãos sobrando nos rostos de são-paulinos. Raphael Veiga, Zé Rafael e Flaco López receberam amarelos no banco. No campo, Abel e Castanheira também receberam os seus.

A primeira chegada perigosa do São Paulo aconteceu aos 20, após Luciano cruzar para pra Calleri – e Gómez tirar. Aos 21, Weverton salvou no seu contrapé, após chute de Nikão, com ajeitada de Calleri, desviar em Gómez e quase o tirar da jogada.

Aos 25, veio a melhor chance do Verdão na primeira etapa, após contra-ataque com lançamento de Flaco para Mayke. O lateral invadiu a área, mas não conseguiu cruzar bem. A bola desviou em Diego Costa e bateu no goleiro. No rebote, Zé chutou em cima da zaga.

Aos 28, Rony recebeu, prendeu, ajeitou e cruzou certinho para Flaco, que desviou fraco, Veiga fechava no segundo pau, mas não conseguiu desviar. O Alviverde ainda voltaria a correr risco aos 40, quando Luciano recebeu de Nikão e ficou cara a cara com Weverton, mas escorregou na bola.

São Paulo sofre com lesões e perde força no segundo tempo

O São Paulo viveu um segundo tempo quase que apenas à espera do apito final para decretar a disputa de pênaltis. Isso porque a equipe perdeu forças gradativamente com o passar dos minutos e ainda sofreu com alguns problemas físicos. Rafinha e Wellington Rato foram substituídos após sentirem lesões. A posse de bola, que tanto foi tricolor no primeiro tempo, mudou de lado: o Palmeiras passou a ficar mais com a bola… E criou as melhores chances.

O Tricolor levou perigo apenas duas vezes. Numa delas, Calleri aproveitou erro de Weverton e finalizou de dentro da área – o goleiro se recuperou e fechou o ângulo para o centroavante. Depois, Galoppo cobrou falta na rede do lado de fora. Tão perto, que parte da torcida na lateral oposta vibrou, iludida com um gol que não aconteceu.

Restou ao Tricolor se segurar do jeito que deu para conter a pressão do Palmeiras. E foram muitas chances, quase todas graças a Mayke. Aos 4, Flaco López quase marcou após cruzamento do lateral/extrema. Aos 23, John John cabeceou para fora em novo cruzamento de Mayke. Aos 31, ele finalizou cruzado e viu Moreira salvar o São Paulo quase em cima da linha. Tanto sofrimento… Só para sofrer um tanto mais nos pênaltis.

Wellington Rato sentiu problema físico e saiu mais cedo de campo (Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Cansaço matou o Alviverde aos poucos

A superioridade do Palmeiras já era visível aos 4 minutos, quando Flaco López recebeu cruzamento de Mayke e cabeceou na rede pelo lado de fora. Ficando bastante com a bola, o Palmeiras não dava espaço para o São Paulo jogar.

Aos 16, Abel decidiu sacar Flaco para a entrada de Jhon Jhon. Com isso, Raphael Veiga passou a jogar mais centralizado, quase como um falso 9. Jhon entrou pelo lado esquerdo do ataque. Foi o camisa 40 quem cabeceou bola perigosa cruzada por Mayke, o melhor do Verdão no jogo, aos 23.

Com o tempo, o jogo caiu um pouco de ritmo, e, aos poucos, o cansaço começou a minar os jogadores das duas equipes. No Verdão, Mayke, que era o melhor homem de ataque, saiu para dar lugar a Gabriel Menino. Já Aníbal entrou na de Ríos, para aumentar o poder de uma marcação que já não combatia o São Paulo como deveria.

A vítima seguinte do cansaço foi Zé Rafael, que deu lugar a Luis Guilherme aos 41. Menino veio para o meio, e o garoto foi ser ala nos minutos finais. As duas equipes se arrastaram na reta final. O Palmeiras ainda conseguia ter mais chegada, mas longe de ser de fato perigoso para Rafael. E o jogo acabou mesmo indo para os pênaltis.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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