4 anos x 4 jogos: Supercopa é duelo do técnico mais longevo da Série A contra o que está no cargo há menos tempo
Abel, do Palmeiras, e Carpini, do São Paulo, estão em lugares diametralmente opostos de suas carreiras
Chega a soar como ironia do destino, um duelo de Abel Ferreira contra Thiago Carpini a esta altura da carreira de ambos, na Supercopa Rei.
De um lado, o técnico mais longevo da Série A, com nove títulos e quatro anos e meio de Palmeiras. Do outro, um jovem recém-chegado ao São Paulo, cuja história no Tricolor se resume a três vitórias em quatro jogos.
Em comum, além do bom futebol dos times neste começo de temporada e das vagas na primeira grande decisão do futebol brasileiro no ano – às 16h, no Mineirão – vem o fato de ambos estarem alta com suas torcidas.
Abel, por conta de tudo que ele já fez desde o início de sua passagem no Alviverde e da enorme identificação que ele tem com o clube e a torcida.
Carpini, por não deixar cair a peteca de um time que poderia estar perdido sem Dorival Júnior, que foi para a seleção e deixou o clube no meio da pre-temporada.
– O Abel, os números dele falam por si só, o cara que eu admiro, respeito muito o trabalho dele e toda a sua equipe técnica. Criou-se uma relação de certa amizade e respeito com a equipe técnica. A gente sempre trocou umas mensagens, não com o Abel, mas também com algumas pessoas que fazem parte do corpo técnico (do Palmeiras) – revelou Carpini, em entrevista coletiva.
Abel já havia falado sobre o tema na entrevista coletiva concedida após a vitória sobre o Santos, no Allianz Parque, na última quarta-feira (28).
– Ele conhece mais aquilo que eu faço do que eu a ele, eu sei. Acho que é um jovem treinador com muita capacidade. Sim (houve a ligação), não diretamente comigo, mas com um elemento da nossa comissão. Mas não quero falar muito sobre isso – disse o técnico.
– Domingo estamos lá para ajudar os nossos clubes, não sou eu contra ninguém. É o Palmeiras contra o São Paulo como sempre foi. Sei que vocês gostam dessa rivalidade, não é problema meu. Se eu ganhar, vai ser normal. Se eu perder… não vou abrir, vocês são jornalistas e vão fazer seus trabalhos – completou.
Revanche?
Outro ponto curioso a se destacar é o fato de essa não ser a primeira final entre os dois técnicos.
No Campeonato Paulista de 2023, o Água Santa de Thiago Carpini até chegou a bater o Palmeiras na ida. Mas, no jogo de volta, no Allianz Parque, levou um 4 a 0 e ficou com o vice-campeonato estadual.
– Tive a oportunidade de enfrentá-lo em cinco oportunidades. Venci com a Inter de Limeira, no Allianz, venci uma com o Água Santa, perdi uma com o Santo André e perdi duas com o Água Santa. Foram cinco confrontos parelhos, talvez a disparidade era com quem eu estava para o Palmeiras – crê o técnico do São Paulo.
– Hoje nós estamos numa mesma prateleira e tem tudo para ser um grande jogo. Tudo era muito mais competitivo, mais justo, talvez, pela grandeza das duas equipes. São Paulo chega num momento muito bom. Então, em relação a isso, acho que está tudo bem encaminhado a essa grande decisão – completou Carpini.
– Eu falei isso em muitos momentos, acho que a gente tem dificuldade de aceitar a capacidade das pessoas. Acho que (Abel)quebrou alguns paradigmas, pelo fato de ser estrangeiro. Temos que parar com isso, se é brasileiro, ou se é estrangeiro. As pessoas que são competentes, elas vão se estabelecendo. Há oportunidade para todos. Ele aproveitou as oportunidades e vem sendo maravilhoso – acrescentou.



