Supercopa do Brasil entre Palmeiras e São Paulo é ápice da rivalidade que virou a maior do estado
Palmeiras e São Paulo se enfrentam neste domingo (4), no Mineirão, pelo título da Supercopa do Brasil
Na parede da Academia de Futebol, o Palmeiras exibe orgulhoso o rótulo de “Maior Campeão do Brasil”. Alguns metros adiante, na mesma avenida Marquês de São Vicente, o São Paulo recebe os visitantes com o recém-inaugurado letreiro da “Casa do Tricampeão Mundial” no CT da Barra Funda. E apenas um muro separa os respectivos feitos de uma rivalidade efervescente entre vizinhos de Centro de Treinamento.
Uma rivalidade, que, aliás, só cresceu (e esquentou) nos últimos anos, a ponto de transformar o Choque-Rei no principal clássico paulista da atualidade – ou ao menos no mais acirrado tanto dentro quanto fora de campo. Este clássico cada vez mais quente chega a seu ápice além dos limites estaduais, em solo mineiro, neste domingo (4), às 16h (horário de Brasília). Será quando os dois rivais duelam pelo título da Supercopa do Brasil no Mineirão.
Além da disputa da taça, imponente por si só, São Paulo e Palmeiras levam a campo um histórico recente que traz elementos ainda maiores à decisão. Isso vale tanto para os clássicos que colocaram os rivais frente a frente em momentos decisivos quanto para algumas provocações que dão um tempero extra à rivalidade.
Maior jogador de todos os tempos, @Pele será o homenageado especial da competição que abre a temporada do futebol brasileiro. A partir desta edição, a CBF passa a chamar de Supercopa Rei a decisão que reúne o campeão da @CopaDoBrasilCBF e o vencedor do @Brasileirao. ? ♾️
— CBF Futebol (@CBF_Futebol) January 31, 2024
O clássico, aliás, começou já longe dos gramados, como de costume, nos microfones. Em entrevista após a vitória que quebrou o tabu do São Paulo contra o Corinthians em Itaquera, na última terça-feira (30), Calleri disse que os palmeirenses “não gostam” de enfrentar o Tricolor… Mas jogou o favoritismo para o lado rival.
– Eles ganharam um Paulista, nós eliminamos eles na Copa do Brasil. Eles não gostam de jogar contra a gente, sabemos que são um time entrosado, com um grande treinador, grandes jogadores. Qualquer um dos times pode levar a taça. Acho que eles têm um pouco mais de vantagem porque se conhecem há mais tempo e tem melhor time. A responsabilidade é deles, vão precisar ganhar da gente. Tomara que a gente faça o melhor para levar a taça ao Morumbi – disse o argentino.
No dia seguinte, foi a vez de Abel Ferreira subir (como sempre) o tom na entrevista coletiva após a vitória sobre o Red Bull Bragantino. Falou que são os jornalistas que gostam de colocá-lo no centro da rivalidade e preferiu valorizar o confronto, em si, que vale título.
– Domingo estamos lá para ajudar os nossos clubes, não sou eu contra ninguém. É o Palmeiras contra o São Paulo, como sempre foi. Sei que vocês gostam dessa rivalidade, não é problema meu. Se eu ganhar, vai ser normal. Se eu perder… não vou abrir, vocês são jornalistas e vão fazer seus trabalhos. Vamos preparar domingo para uma decisão entre Palmeiras e São Paulo, mérito dos dois clubes, que ganharam suas competições. É sempre um título e uma final, vamos nos preparar para ela a partir de amanhã (quinta-feira) – afirmou o treinador.
Clássicos decisivos esquentam a rivalidade
A rivalidade subiu de nível muito pelos clássicos decisivos que fizeram as equipes medir forças nos últimos anos. O Palmeiras bicampeão brasileiro só conquistou o segundo título nacional consecutivo a partir de uma goleada vexatória por 5 a 0 aplicada sobre o São Paulo no Allianz Parque, em outubro passado. Um mês antes, o Tricolor festejava o título inédito da Copa do Brasil, erguido após ter eliminado o Alviverde com duas vitórias nas quartas de final.
Mas os Choque-Reis decisivos são uma rotina desde muito antes disso. Em 2021, o São Paulo encerrou um longo jejum de títulos e foi campeão paulista com vitória sobre o Palmeiras na final. No ano seguinte, o Alviverde deu o troco e conquistou o Paulistão de 2022 com uma virada sobre o Tricolor na grande decisão.
Além dos limites paulistas, mais dois pares de clássicos decisivos em mata-mata, com uma vitória para cada lado nos últimos anos. Em 2021, o Palmeiras deu o troco no São Paulo nas quartas de final da Libertadores, com direito a vitória por 3 a 0 para avançar à semifinal – e ser campeão. Um ano mais tarde, foi a vez do Tricolor ganhar a disputa pelas oitavas de final da Copa do Brasil.
Só que o retrospecto, apesar de acirrado nos últimos anos, é amplamente favorável aos são-paulinos quando o assunto é mata-matas. O São Paulo tem 16 vitórias, contra apenas cinco do Palmeiras em 21 clássicos decisivos na história. O aproveitamento tricolor é de imponentes 76%.
De quebra, o Tricolor ainda é o único dos rivais paulistas que faz frente ao técnico português e inclusive leva a melhor nos confrontos diretos. Enquanto Abel Ferreira reina soberano contra Corinthians e Santos, a história não é mesma contra o São Paulo. Em 21 clássicos até agora, são oito vitórias são-paulinas, além de seis empates e sete triunfos palmeirenses.
São Paulo 1️⃣6️⃣ x 5️⃣ Palmeiras
1️⃣ Paulista 1977 ✔️
2️⃣ Paulista 1979 ✔️
3️⃣ Paulista 1987 ✔️
4️⃣ Paulista 1992 ✔️
5️⃣ Libertadores 1994 ✔️
6️⃣ Rio-São Paulo 1998 ✔️
7️⃣ Paulista 1998 ✔️
8️⃣ Copa do Brasil 2000 ✔️
9️⃣ Rio-São Paulo 2002 ✔️
1️⃣0️⃣… pic.twitter.com/WziRbhgTkd— São Paulo FC (@SaoPauloFC) July 14, 2023
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E episódios fora do campo são “cereja do bolo”
Além de decisivos, os duelos recentes também fizeram os dois clubes esquentarem a rivalidade com provocações nas redes sociais. A vitória são-paulina na Copa do Brasil foi seguida de muita corneta aos palmeirenses em publicações nos perfis oficiais do clube. Quando o Palmeiras aplicou a goleada por 5 a 0 pelo Brasileirão, a resposta veio na mesma moeda.
Sem falar no episódio mais recente que também serve de elemento para apimentar o clássico – ao menos no imaginário dos torcedores. O Palmeiras aplicou um chapéu e atravessou a negociação que o São Paulo tinha com o Fluminense por Caio Paulista e fechou a contratação do lateral-esquerdo. O jogador “pulou o muro” e fechou com o Alviverde.



