Brasil

Acabou o tabu: São Paulo enfim vence o Corinthians em Itaquera e, de quebra, afunda rival em crise

Depois de quase 10 anos e 19 clássicos, o São Paulo vence o Corinthians em Itaquera pela primeira vez na história

Os são-paulinos tiveram de esperar quase nove anos, exatos 3.418 dias e um total de 19 clássicos para enfim sair vitoriosos da Neo Química Arena. E é como se cada um desses anos, desses dias e desses clássicos tivesse existido apenas para dar uma dimensão ainda maior para a vitória que exorcizou um tabu tão incômodo e dolorido. Nesta terça-feira (30), o São Paulo venceu o Corinthians em Itaquera pela primeira vez na história do Majestoso. E foi logo com a autoridade de um 2 a 1 sem correr riscos, com gols marcados por Calleri e Luiz Gustavo, em duelo válido pela quarta rodada do Campeonato Paulista.

O tabu que começou com Mano Menezes no comando do Alvinegro em 2014…. Terminou com Mano Menezes no comando do Alvinegro neste caótico 2024. E coube a Thiago Carpini, um estreante de 39 anos no Majestoso, já escrever seu nome na história do São Paulo.

São Paulo não é brilhante, mas Calleri decide. Aliás: vem decidindo

Era um escaldante domingo de setembro no Rio de Janeiro, quando Calleri rasgou um rótulo de não ser decisivo em grandes jogos, ao marcar o gol da vitória sobre o Flamengo no jogo de ida da final da Copa do Brasil. Um gol que gravou seu nome na história do São Paulo e consolidou uma idolatria que ele só ampliou (se é que isto é possível) nesta terça-feira em Itaquera.

Pois o São Paulo não fez uma primeira etapa brilhante na Neo Química Arena. Inclusive, via o Corinthians ser mais agressivo e mais “inteiro” em campo para ganhar divididas e rondar a área de Rafael. Mas foi preciso que apenas uma mera bola chegasse a Calleri. Ou melhor: um senhor lançamento de Wellington Rato, que de trás do meio-campo, encontrou o argentino às costas da defesa corintiana com uma assistência milimétrica. O camisa 9 dominou e deu apenas um toquinho para desviar de Cássio e abrir o placar.

Depois disso, o Tricolor teve uma chance com Luciano dentro da área, mas ele adiantou demais a bola no domínio. O mesmo Luciano ainda “causou” a expulsão de Caetano, que o acertou com uma cotovelada. Mas a imagem que fica da primeira em Itaquera é daquelas para ser eternizadas: a de Calleri imitando binóculos com as mãos para comemorar seu gol. Como quem procura um tabu que ele próprio encerrou.

Corinthians tentou ir na raça, mas terminou primeira etapa com um a menos

O Timão entrou em campo como a “zebra” da partida, e ninguém apostava na vitória do alvinegro, até mesmo o torcedor tinha o pé atrás, e quando a bola rolou foi na raça que o Corinthians tentou marcar.

Logo depois de ver o rival balançar a rede, a postura do Corinthians em campo não mudou, continuou pressionando o meio de campo e fazendo as jogadas pelo lado esquerdo com o Romero. Alvo dos jogadores do São Paulo, o atacante sofreu mais uma falta e o alvinegro viu a chance de empate escapar mais uma vez com o atacante paraguaio, que cabeceou na segunda trave, mas nas mãos do goleiro Rafael.

Caetano foi expulso por cotovelada em Luciano (IconSport)

Até pelo menos os 28 minutos de jogo, o principal problema dos Corinthians foi a linha de marcação, ponto falho que ocasionou a maioria das jogadas em profundidade do Tricolor Paulista, inclusive a que terminou com o gol do Calleri na primeira etapa.

Mas foi quase no final do primeiro tempo que o enredo da raça mostrada pelo time até então sofreu sua primeira queda: a expulsão do Caetano, que após uma sequência de erros defensivo do time deixou o cotovelo por duas vezes nas costas do Luciano. Inicialmente, a arbitragem não marcou nada no lance, mas minutos depois foi chamada no VAR, e após a revisão vermelhou o zagueiro alvinegro.

A estrela de Luiz Gustavo resolve o clássico para o São Paulo

Com a decisão da Supercopa do Brasil contra o Palmeiras batendo à porta, Thiago Carpini fez três mudanças no intervalo. Sacou Lucas Moura e Rafinha, que vinham de problemas físicos, para as entradas de Galoppo e Moreira, e também tirou Alisson, já amarelado, para a entrada de Luiz Gustavo. E o treinador de 39 anos mostrou logo em seu primeiro clássico que tem estrela.

Não tanto quanto Wellington Rato e Luiz Gustavo, é verdade. Logo aos 5 minutos, Rato cobrou escanteio na cabeça do volante para anotar sua segunda assistência na noite: ele se antecipou à zaga e deu um toquinho no primeiro poste para ganhar de Cássio e ampliar a vantagem são-paulina em Itaquera. Com o 2 a 0 no placar, o São Paulo até ameaçou algumas vezes – especialmente em chute de fora da área de Pablo Maia – mas o restante da partida serviu muito mais para fechar espaços e segurar a pressão desordenada do Corinthians.

Corinthians tentou mudar panorama do jogo, mas foi engolido pelas dificuldades de sempre

Se o primeiro tempo foi ruim para o Timão, o segundo não poderia ser diferente, e se fosse surpreenderia em muito. Com um a menos em campo, o torcedor viu o São Paulo ampliar o placar com o Luiz Gustavo. E o Tricolor só não marcou antes, porque Luciano errou na hora de finalizar. 

A tentativa de Mano Menezes foi mexer no elenco, porém nem assim o time evoluiu dentro do campo. Pelo contrário, as dificuldades foram aumentando, e o que era ruim ficou pior. Um dos problemas para o treinador foi a disponibilidade de peças de reposição, já que no banco de reservas alvinegro só tinha os garotos do sub-20.

Ainda que jogando como um “catadão” o Corinthians desperdiçou a melhor chance de todo o jogos, aos 27 minutos, a bola sobrou para Wesley dentro da área depois de um erro de Wellington Rato e Pablo Maia, o garoto chutou rasteiro, mas a bola bateu na perna do goleiro Rafael e passou por cima.

No respiro final, joia da base mostra ser solução

Foi nos acréscimos que o Corinthians teve um respiro de esperança. E foi do banco que ele saiu. Arthur Sousa, campeão da Copinha com o Timão, aproveitou uma bola sobrada depois de uma falta cobrada por Hugo na área. A bola chegou a bater em Raul Gustavo antes de sobrar para garoto, que soltou uma bomba de peimeira e diminuiu para o Timão.

Yuri Alberto recebeu apoio da torcida

Criticado de forma unânime pelo torcedor corintiano e alvo de protestos e reclamações pelos erros cometidos dentro de campo, Yuri Alberto teve seu nome gritado em apoio ainda durante o aquecimento da equipe. Ainda assim, durante a partida, em um furada clara dentro da área, o centroavante alvinegro foi aplaudido pela torcida que esteve em Itaquera.

Apesar do apoio inicial, assim que foi substituído a torcida não poupou em nenhum momento o camisa nove de ouvir uma sonora vaia enquanto ele saia do gramado. Mas Yuri não foi o único alvo do protesto: Matias Rojas também saiu do gramado sobre protestos de mais de 40 mil pessoas em Itaquera.

Números de Corinthians x São Paulo – 4 ª rodada do Campeonato Paulista

  • Finalizações (no gol): Corinthians 13 (4) x (3) 12  São Paulo
  • Posse de bola: Corinthians 40% x 60% São Paulo
  • Faltas: Corinthians 16 x 13 São Paulo
  • Escanteios: Corinthians 6 x 5 São Paulo

Próximos jogos do Corinthians

  • Corinthians x Novorizontino – Campeonato Paulista – domingo, 04 de fevereiro, 11h00 (horário de Brasília)
  • Santos x Corinthians – Campeonato Paulista – quarta-feira, 07 de fevereiro, 19h30 (horário de Brasília)
  • Corinthians x Portuguesa – Campeonato Paulista – domingo, 11 de fevereiro, 16h00 (horário de Brasília)

Próximos jogos do São Paulo

  • Palmeiras x São Paulo – Supercopa do Brasil – domingo, 04 de fevereiro, 16h00 (horário de Brasília)
  • São Paulo x Água Santa – Campeonato Paulista – quarta-feira, 07 de fevereiro, 21h35 (horário de Brasília)
  • Ponte Preta x Corinthians – Campeonato Paulista – sábado, 10 de fevereiro, 18h00 (horário de Brasília)
Foto de Jade Gimenez

Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância e transformou a paixão em profissão. Além do futebol, se mantem por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhou como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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