Brasileirão Série A

Calleri entra para história em fim de ano decisivo e vai até o limite no sacrifício pelo São Paulo

Argentino vira quinto maior artilheiro do século no São Paulo com gols da vitória no Majestoso

Calleri atira sua camisa número 9 aos céus e irrompe em corrida inabalada até a multidão de são-paulinos nas arquibancadas do Morumbi. Para ele, nada mais importa depois de decidir (de novo) e marcar os dois gols da vitória de virada por 2 a 1 do São Paulo sobre o Corinthians, no Majestoso deste sábado (30), pela 25ª rodada do Brasileirão. Mas a verdade é que os dois gols marcados no Majestoso importam, sim, para gravar seu nome um pouco mais fundo na história do Tricolor.

Os são-paulinos sonham acordados com uma semana perfeita, que começou ainda no último domingo na festa do título inédito da Copa do Brasil. E Calleri é protagonista direto da apoteose que tomou conta do Morumbi nos dois fins de semana. O argentino que decidiu no clássico também marcou gol decisivo na conquista sobre o Flamengo – foi no duelo de ida, no Maracanã. Tudo isso jogando no sacrifício desde abril deste ano, quando voltou aos gramados após uma lesão no tornozelo.

Após muito atuar com dores, o centroavante revelou que precisa passar por cirurgia no local logo após o título sobre o Flamengo. Na entrevista na zona mista do Morumbi, sob festa de familiares e amigos, deu a entender que o procedimento cirúrgico seria imediato. Mas Dorival Júnior disse na entrevista coletiva deste sábado que o jogador irá até uma data “limite” antes de passar pela intervenção. O prazo para isso será algum que o possibilite estar 100% em janeiro de 2024 para iniciar a pré-temporada.

– O combinado com ele é que ele vai passar um momento da competição, para logo após ele possa fazê-lo. A intenção é ter o Calleri em condições lá em janeiro. Estamos jogando com a data limite. No momento em que estiquemos o campeonato e também que não prejudique ele em janeiro – garantiu o treinador.

Decisivo, Calleri alcança marca emblemática

Após muito decidir com seus gols nos últimos dias, Calleri se isolou (ainda mais) na artilharia do São Paulo na temporada – ele marcou 14 vezes, contra 11 de Luciano. E ele ainda alcançou uma marca emblemática na história recente do clube.

O centroavante chegou a 62 gols com a camisa do clube e ultrapassou Dagoberto, com 61, como o quinto maior artilheiro do São Paulo no século. E ele está perto de subir para o top-3, em uma disputa direta com Luciano. O camisa 10 vem logo à frente, em quarto, com 63 gols. O terceiro colocado é França, com 69.

> Confira  o top-5 de artilheiros do século:

  1. Luís Fabiano (212 gols)
  2. Rogério Ceni (112 gols)
  3. França (69 gols)
  4. Luciano (63 gols)
  5. Calleri (62 gols)

“A gente está com confiança. Você vê que o São Paulo acabou de ser campeão, a gente corre o dobro, a bola vai de um lado para outro, é muito gostoso jogar assim”. (Calleri)

Calleri vive ano de provações

Quando Calleri revelou aos jornalistas que precisará passar por cirurgia, a entrevista veio em tom de desabafo. O centroavante lembrou das críticas que recebeu por não ter marcado em outros momentos decisivos e logo emendou que atua machucado há pelos menos seis meses. Uma dor que suportou para ser campeão com a camisa do São Paulo.

– Fui muito criticado. Deixaram de acreditar em mim. Mais uma vez eu demonstro que o Calleri está vivo e ganhou a Copa do Brasil. Ninguém sabe, mas estou machucado há seis, sete meses. Eu vou parar de jogar agora e vou operar. Eu estou muito machucado no tornozelo. Meu objetivo era ser campeão e acho que consegui. Dei a vida, mesmo machucado. Desde março. Ninguém sabe, mas dei a vida por esse clube e agora mereço parar e me recuperar bem – disse o atacante.

Calleri atua no sacrifício desde março (Foto: Iconsport)
A lesão foi o primeiro dos problemas que o centroavante que teve de superar ao longo de toda a temporada. Foi ainda durante o Campeonato Paulista, em fevereiro. À época, até se cogitou uma intervenção cirúrgica, mas departamento e jogador optaram pelo tratamento convencional. Ele ficou fora de combate por pouco mais de um mês até retornar aos gramados em abril.
– Tenho a lesão no tornozelo, não recuperei bem, o tratamento conservador deu para jogar até agora, mas está me atrapalhando demais. Eu já falei para todo mundo que se a gente fosse campeão eu ia arrumar meu tornozelo. Depois de vencer eu vou operar – disse o centroavante na zona mista do Morumbi.
Depois, veio um problema nas costas, sofrido na vitória por 2 a 0 sobre o Tigre, em junho, no Morumbi, pela Sul-Americana. O centroavante era tido como desfalque certo no duelo de ida com o Palmeiras, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Mas Calleri fez três sessões diárias de fisioterapia durante uma semana e até caminhava pelo CT da Barra Funda com um aparelho que aplicava choques no local. Tudo para estar em campo, como aconteceu apenas durante o primeiro tempo. O relato dentro do clube é de que o atacante só atuou porque “é o Calleri”. O São Paulo venceu por 1 a 0 no Morumbi. Depois, a vaga na semifinal veio com nova vitória no Allianz Parque – o resto é história.

São Paulo respira mais tranquilo no Brasileirão

Depois dos oito jogos sem vencer, agora são duas vitórias consecutivas no Brasileirão – algo que não ocorria desde maio deste ano. O São Paulo chega a 34 pontos e abre nove pontos de distância para o Bahia, primeiro integrante do Z4, com 25. O Tricolor tem pela frente uma semana livre de jogos pela primeira vez em muito tempo. Só volta a campo no próximo sábado (7), às 18h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Vasco em São Januário, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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