Copa do Brasil

Calleri vive temporada de sacrifícios e provações até se eternizar como ídolo do São Paulo

Centroavante revela ter atuado com dor por seis meses e passará por cirurgia no tornozelo após título do São Paulo na Copa do Brasil

Cercado de amigos e familiares, Calleri entra na zona mista do Morumbi e a transforma numa arquibancada com sotaque portenho. O centroavante até tenta conceder entrevista após o título inédito do São Paulo na Copa do Brasil, no último domingo (24), mas é difícil. A cantoria ecoa pelos corredores do estádio, enquanto a hinchada do argentino faz sua festa regada a fernet y cola.

Diante dos jornalistas, um Calleri que pula e canta com os seus, com um misto de euforia e alívio depois de ser campeão – e decisivo – em uma temporada repleta de provações e, acima de tudo, sacrifícios. Ali, enquanto festeja o título tão esperado e batalhado, o centroavante revela que está jogando há meses com dores no tornozelo direito e que chegou ao seu limite: terá de passar por uma cirurgia que deve o tirar do restante da temporada.

“Fui muito criticado. Deixaram de acreditar em mim. Mais uma vez eu demonstro que o Calleri está vivo e ganhou a Copa do Brasil. Ninguém sabe, mas estou machucado há seis, sete meses. Eu vou parar de jogar agora e vou operar. Eu estou muito machucado no tornozelo. Meu objetivo era ser campeão e acho que consegui. Dei a vida, mesmo machucado. Desde março… Ninguém sabe, mas dei a vida por esse clube e agora mereço parar e me recuperar bem”. (Calleri)

Calleri vive ano de provação até virar ídolo

A revelação é também um desabafo de um centroavante que teve de superar lesões e percalços ao longo de toda a temporada. O primeiro problema foi justamente este no tornozelo direito, durante o Campeonato Paulista, ainda em fevereiro. À época, até se cogitou uma intervenção cirúrgica, mas departamento e jogador optaram pelo tratamento convencional. Ele ficou fora de combate por pouco mais de um mês até retornar aos gramados em abril.
– Tenho a lesão no tornozelo, não recuperei bem, o tratamento conservador deu para jogar até agora, mas está me atrapalhando demais. Eu já falei para todo mundo que se a gente fosse campeão eu ia arrumar meu tornozelo. Depois de vencer eu vou operar – disse o centroavante na zona mista do Morumbi.
Depois, veio um problema nas costas, sofrido na vitória por 2 a 0 sobre o Tigre, em junho, no Morumbi, pela Sul-Americana. O centroavante era tido como desfalque certo no duelo de ida com o Palmeiras, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Mas Calleri fez três sessões diárias de fisioterapia durante uma semana e até caminhava pelo CT da Barra Funda com um aparelho que aplicava choques no local.
Calleri se eterniza como ídolo do São Paulo (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Tudo para estar em campo, como aconteceu apenas durante o primeiro tempo. O relato dentro do clube é de que o atacante só atuou porque “é o Calleri”. O São Paulo venceu por 1 a 0 no Morumbi.
Após eliminar o Palmeiras, o centroavante também foi decisivo na goleada por 4 a 1 no clássico contra o Santos, no Morumbi, pelo Brasileirão, na partida seguinte. Um momento para festejar muito, mas que não deixou o centroavante feliz no lado pessoal. Calleri se sentia sozinho ao chegar em casa à época e revelou em uma entrevista que sequer se importava com o que havia acontecido horas antes.
– Em partes, a vida pessoal e o futebol estão iguais. Às vezes, não, como te disse: fui a figura do clássico, fiquei dois gols, e senti que não era feliz. Chegar na minha casa e estar sozinho e me sentir sozinho, e não me importava a figura que havia sido há três horas. Não me importava o que os jornais falavam sobre o “Calleri fazer dois gols em clássico outra vez – disse, em entrevista ao canal do Youtube “Botines Sensibles”.

Tudo isso foi superado com o carinho dos mesmos amigos e familiares que cantavam para ele na zona mista do Morumbi no último domingo. Ah, e com os gols pelo São Paulo, uma rotina desde que começou a vestir a camisa do clube.

Calleri decisivo em seu 1º título

Calleri até foge do rótulo de ídolo do São Paulo. Mas a verdade é que o centroavante que sempre cativou a torcida por sua entrega e por seus gols, agora pode se considerar, sim, um ídolo sem ressalvas no clube. Isso, porque ele não só conquistou o seu primeiro título, como também (enfim) foi decisivo em uma final.

O centroavante marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo, no Maracanã, no duelo de ida da decisão. Foi seu primeiro gol em um jogo de Copa do Brasil, e a primeira vez também em que decidiu uma final pelo Tricolor pela primeira vez. Não é à toa que o centroavante, com seus cabelos platinados, admitiu que este foi gol mais importante de sua carreira.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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