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O petardo de Rafinha assegurou a vitória a um São Paulo superior ao Palmeiras

O São Paulo cresceu durante a partida contra o Palmeiras e superou mesmo os problemas de lesão para sair motivado do Morumbi

O Morumbi vibrou muito nesta quarta-feira de clássico pela Copa do Brasil. O São Paulo correspondeu à confiança da torcida e abriu com vitória o confronto das quartas de final contra o Palmeiras. Mais importante, o Tricolor apresentou um futebol contundente para o triunfo por 1 a 0. Fez por merecer. Os palmeirenses até foram superiores nos primeiros 20 minutos, mas os são-paulinos não demoraram a crescer e já poderiam ter saído com a vitória parcial antes do intervalo. Já no segundo tempo, o domínio dos tricolores se tornou mais claro, algo que nem as lesões atrapalharam. A confiança do São Paulo era óbvia e o time rondava a área alviverde. Até demorou para achar o gol, mas ele veio numa pintura de Rafinha, em tirambaço que entrou na gaveta. Firme na defesa e mais vivo no ataque, o Tricolor sai de peito estufado rumo à volta.

Palmeiras até começa melhor, mas São Paulo cresce

O São Paulo entrou em campo num 4-4-2. Rafael vinha protegido por uma defesa com Rafinha, Arboleda, Alan Franco e Caio Paulista. Pablo Maia e Gabriel Neves davam sustentação ao meio, com Wellington Rato e Rodrigo Nestor abertos. Luciano se aproximava de Calleri, titular independentemente das dúvidas, no ataque. Já o Palmeiras confiava num 3-5-2. Weverton via à frente a trinca de zaga com Luan, Gustavo Gómez e Murilo. Mayke e Piquerez eram os  alas, com Gabriel Menino, Richard Ríos e Raphael Veiga pelo meio. Dudu e Endrick se combinavam no ataque.

O Palmeiras se mostrava mais à vontade no Morumbi durante o início da partida. Marcava com qualidade e pressionava a saída de bola do São Paulo. Richard Ríos teve a primeira tentativa numa batida desviada, aos quatro minutos. Os alviverdes não encontravam tantos espaços na defesa tricolor, mas mantinham o controle nos primeiros minutos. Os lances se tornavam mais perigosos quando os palmeirenses acertavam a transição rápida. Numa dessas, Raphael Veiga cruzou e Arboleda desviou na hora certa. Depois, Mayke alçou a bola e Dudu mandou por cima. Era um clássico de poucas aberturas, mas insistência palestrina.

A partir dos 20 minutos, o São Paulo se fez mais presente no campo de ataque. Conseguiu escapar do encaixe da marcação adversária e começou explorar as jogadas rumo à linha de fundo, em especial nas costas da zaga do Palmeiras. A confiança dos tricolores claramente crescia. Os lances de perigo se tornavam mais frequentes, até Calleri pintar com grande chance aos 32. O atacante foi acionado pelo lançamento de Arboleda. Matou no peito e deu um chapéu em Weverton, mas pegou mal na bola durante a conclusão e não acertou a meta aberta. Pouco depois, um cruzamento de Wellington Rato atravessou a área com perigo.

O fim do primeiro tempo se tornou mais animado. Richard Ríos fez bom lance na entrada da área e bateu com veneno. Rafael espalmou para fora, mas a arbitragem não viu e deu tiro de meta. Do outro lado, Wellington Rato respondeu num chute de fora da área, que Weverton espalmou. Rato ainda teria outro tiro por cima nesta sequência. O São Paulo continuou insistindo nos minutos finais, mas sem precisão nas finalizações. Já nos acréscimos, Endrick mandou um míssil nas redes, mas em tento que sequer foi comemorado pelo impedimento claro de Mayke. Seria uma pintura.

Rafinha acerta um petardo que destrava a partida

O São Paulo voltou para o segundo tempo com três alterações. Calleri e Luciano saíram com lesões, enquanto Gabriel Neves foi sacado por decisão técnica. Entraram Rodriguinho, Alisson e Juan. Mesmo com a mudança tática, o São Paulo não perdeu ritmo e continuou superior. Os tricolores imprimiam uma agressividade maior no ataque e Caio Paulista logo mandou uma pancada para fora. Os são-paulinos sufocavam a saída de bola do Palmeiras, que apelava para os chutões e não construía na frente. O abafa era do Tricolor, mas o time por vezes se afobava nas finalizações e arriscava a esmo.

O Palmeiras claramente não estava cômodo na partida, diferentemente do São Paulo. Caio Paulista chegou a dar um chapéu e Wellington Rato tirou tinta da trave num chute cruzado aos 17. Quando os palmeirenses despertaram, tiveram Endrick em lance individual. Arboleda foi capaz de um lindo desarme no mano a mano com o garoto, antes de uma sequência de escanteios. Outro baque aos são-paulinos veio com a saída de Alan Franco, mais um machucado, substituído por Diego Costa. Os alviverdes voltavam a se soltar mais. Aos 25, Rafael trabalhou novamente num chute de longe de Richard Ríos. Rodrigo Nestor deu o troco com arremate para fora.

O Palmeiras fez suas primeiras trocas só aos 30 minutos. Saíram Dudu, Gabriel Menino e Endrick, entraram Breno Lopes, Jhon Jhon e Flaco López. Logo depois, David entrou no posto de Rodrigo Nestor do outro lado. E quase a mudança teve impacto imediato ao São Paulo, aos 34. David fez a jogada pela esquerda e Juan conseguiu limpar Weverton na área. Wellington Rato finalizou com a meta aberta, mas Luan salvou o que parecia um gol certo. O Tricolor voltava a crescer, enquanto o Palmeiras não se achava com as trocas. E o gol saiu aos 38. Um golaço.

O lance nasceu com uma boa participação de David na esquerda. Weverton afastou parcialmente o cruzamento, mas Wellington Rato ajeitou na direita para Rafinha. O lateral mandou um petardo de fora da área, em tirambaço que ainda desviou na cabeça de Luan e triscou na trave, entrando no ângulo. A partir de então, o Morumbi explodiu de vez. O São Paulo dava novas exibições de energia e ia com tudo a cada dividida. Se houvesse mais tempo, dava até para imaginar um placar mais elástico, com o Palmeiras sem esconder certo abatimento. Os alviverdes não criaram nada de relevante no tempo restante. Sobrou pegada ao São Paulo.

O Palmeiras é um time extremamente competitivo e segue com suas chances naturais de classificação, mesmo com o revés. No entanto, o São Paulo dá um considerável passo à frente. A vitória oferece uma óbvia vantagem, mas a forma como o time ganhou é até mais importante para motivar os são-paulinos. Se a postura desta quarta-feira se repetir no Allianz Parque, as semifinais estarão ao alcance.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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