Com só um incidente (grave) isolado na Supercopa, volta de clássicos paulistas com duas torcidas fica mais palpável
Torcedores de Palmeiras e São Paulo não se envolveram em confusões registradas pela Polícia Militar
Não fosse pela garrafa arremessada por um torcedor do São Paulo em um ônibus da delegação do Palmeiras no sábado (3), daria para dizer que o primeiro clássico paulista com duas torcidas desde 2016 foi um sucesso completo.
Contudo, levando-se em conta que a Supercopa não é um jogo comum, e que aproximadamente 40 mil torcedores tiveram de se deslocar e se concentrar por dias em uma cidade alheia aos seus cotidianos, a percepção de que não deu (quase) nada errado fica ainda maior.
É claro que houve provocações nas ruas de Belo Horizonte. É evidente que houve discussões acaloradas e até algumas trocas de empurrões em bares do boêmio bairro da Savassi, entupidos de torcedores. na véspera e no dia do jogo. Mas, ao menos até as primeiras horas da segunda-feira (5), nenhum outro incidente grave foi registrado.
? CONFUSÃO EM BH
Torcedores do São Paulo atiraram garrafas de cerveja no ônibus da delegação do Palmeiras aonde estava parte da comissão técnica. Jogadores, auxiliares diretos e Abel Ferreira estavam em outro ônibus, que passou ileso
O vídeo do momento ⬇️ pic.twitter.com/ihi1mHXob7
— Trivela (@trivela) February 3, 2024
Mesmo o incidente com a garrafa, que estilhaçou o vidro do ônibus palmeirense, foi rapidamente contornado pela temida e pouco afeita a diálogos Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. O torcedor que arremessou a garrafa foi prontamente identificado e detido pelos policiais.
Treinadores aprovaram
Após a vitória do São Paulo sobre o Palmeiras no domingo (4), os dois treinadores comentaram a experiência de modo positivo.
– Para nós, profissionais e, acredito, para vocês (também), é diferente, né? Eu acho muito bacana. Uma pena que os fatos, os incidentes de algumas torcidas, de pessoas nas torcidas, têm levado a atitudes drásticas. O futebol perde com isso. Eu peguei o Mineirão dividido. E para o atleta, é muito bacana. Se nós cooperarmos, e se as pessoas compreenderem que é o esporte, uma rivalidade saudável, eu sou a favor. Mas enquanto se consiga fazer isso com segurança – disse o campeão Thiago Carpini, em sua entrevista coletiva após o jogo.
– Um apaixonado como sou pelo futebol, eu gostaria de ver, sim (duas torcidas juntas no mesmo estádio). Mas não tenho conhecimento ou competência suficiente para ver se há condições para esse tipo de situação. Há dez, 15 anos, a Inglaterra era o país mais violento no futebol. Nesse espaço, acabou-se com tudo. Havia consequências graves e duras. Não só para os torcedores, como também para os clubes. Até onde eu soube, não houve incidentes – disse Abel Ferreira.
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Pós-jogo
Para evitar incidentes nas estradas, a PM segurou os torcedores da equipe campeã por um tempo a mais no Mineirão, como costumava ser praxe nos clássicos com duas torcidas disputados no passado.
Além disso, os comboios das duas torcidas pegaram a estrada com intervalo entre eles, a fim de evitar que houvesse algum encontro na Rodovia Fernão Dias, que liga a capital mineira à cidade de São Paulo.
Na região da Pampulha, onde fica o Mineirão, a despeito do grande número de camisas dos dois times, também não houve registro de grandes altercações.
Campanha encabeçada pelo presidente da Federação Paulista
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista, é um grande entusiasta da retomada dos clássicos com torcedores dos dois clubes envolvidos. E tinha planos de utilizar a Supercopa como uma amostra para retomar tal discussão.
Na manhã de 19 de janeiro, Carneiro Bastos se reuniu com líderes das torcidas organizadas de Palmeiras e São Paulo. O propósito do encontro era justamente debater um plano de segurança para a Supercopa em Belo Horizonte.
Estiveram presentes à reunião representantes da Mancha Verde e TUP, pelo lado do Palmeiras, e da Independente e Dragões da Real, na parte tricolor. Além deles, Cesar Saad, titular da Delegacia de Repressão aos Delitos do Esporte, e o Capitão Felipe Justo, do Choque, compuseram a mesa.
A ideia da FPF era assegurar o compromisso das torcidas organizadas de que não ocorreriam incidentes fora de campo antes ou depois da partida no Mineirão. E os torcedores garantiram que o confronto seria disputado sem nenhum tumulto.
Tanto a Mancha Verde quanto a Torcida Independente divulgaram instruções para seus associados não se envolvessem em brigas na estrada e em Belo Horizonte. Ao que parece, deu certo.



