Brasil

Mesmo com frequentes mudanças, defesa do Atlético-MG foi sólida e uma das melhores do país

Com grandes destaques individuais, Atlético não sofreu muito defensivamente mesmo tendo muitas trocas nas posições durante o ano

O Atlético-MG encerrou 2023 com um dos melhores desempenhos defensivos que o clube já teve na sua história. Não à toa, foi a melhor defesa do Campeonato Brasileiro, tendo seu menor número de gols sofridos na história do torneio. Isso tudo aconteceu mesmo com constantes mudanças de jogadores no sistema defensivo.

O Atlético começou o ano sob o comando do técnico Eduardo Coudet e, em 35 jogos com ele, sofreu apenas 27 gols, demonstrando já boa consistência defensiva, apesar desse não ser o forte do trabalho do argentino. O treinador iniciou o ano só com Mariano para a lateral-direita, tendo improvisado Edenílson por lá em alguns jogos, sem Rabello na zaga, usando mais Jemerson e Bruno Fuchs, e sem Arana na esquerda, revezando entre Dodô e Rubens. No decorrer do trabalho, ganhou a opção de Saravia (LD) e Mauricio Lemos (ZAG), que praticamente já chegaram como titulares.

Mas Coudet deixou o trabalho no Atlético no meio do ano e, para substituí-lo, o clube contratou um treinador marcado por montar grandes defesas: Felipão. No Galo, não foi diferente. Com Scolari, o Alvinegro sofreu apenas 25 gols em 31 jogos, se fortalecendo ainda mais por conta de três coisas: a volta de Guilherme Arana, a ascensão de Everson e a adição de mais um volante na frente da defesa. Com isso, o experiente treinador brasileiro montou uma defesa sólida, que acabou como a melhor do Brasileirão, mesmo sofrendo um colapso na última rodada e levando quatro gols do Bahia.

O que marcou o Atlético defensivamente foram as constantes mudanças na defesa. Na lateral-direita, Saravia e Mariano revezaram praticamente durante todo o ano, mas o argentino acabou a temporada melhor e como titular. Na zaga, Mauricio Lemos e Jemerson foram os que mais jogaram, mas constantemente revezaram com Nathan Silva – antes dele ser vendido -, Bruno Fuchs e Igor Rabello, quando não estavam machucados. Histórico no clube, Réver fez suas aparições e se aposentou com uma bela festa e como titular. Na esquerda, Dodô (que depois saiu) e Rubens revezaram até Arana voltar e tomar conta da posição – como esperado. No fim das contas, só a lateral-esquerda teve um titular claro.

  • Zagueiro: Jemerson – 54 jogos
  • Zagueiro: Mauricio Lemos – 41 jogos
  • Zagueiro: Bruno Fuchs – 23 jogos
  • Zagueiro: Nathan Silva – 18 jogos
  • Zagueiro: Igor Rabello – 13 jogos
  • Zagueiro: Réver – 18 jogos (5 como titular)
  • Lateral-esquerdo: Guilherme Arana – 32 jogos
  • Lateral-esquerdo: Rubens – 39 jogos (10 como meia)
  • Lateral-esquerdo: Dodô: –  15 jogos
  • Lateral-direito: Mariano – 38 jogos
  • Lateral-direito: Saravia – 40 jogos

Ao todo, o Atlético sofreu 52 gols, mesmo número da histórica temporada de 2021, mas com uma média superior (0,78 x 0,69) já que fez menos jogos (66 x 75) em 2023. Mesmo assim, é um dos melhores desempenhos ofensivos que o clube já teve em uma temporada.

Esses foram os pontos fortes da defesa do Atlético-MG

  • Todo time começa por uma grande goleiro

O primeiro ponto forte da defesa do Atlético vem logo da “primeira posição do campo”, o gol. Everson teve um ano espetacular pelo clube, principalmente na segunda metade. O goleiro atleticano fechou o gol de todas as formas possíveis, fazendo pelo menos um grande milagre por jogo. Apesar de ter terminado o ano sem as principais taças, dá para afirmar com tranquilidade que 2023 foi ainda melhor que 2021 para o defensor da meta atleticana. O clube reconhece isso e fez um compilado que mostrar o alto nível que Everson atuou no ano.

  • As surpresas Saravia e Lemos

Outros dois pontos de destaque da defesa do Atlético foram os surpreendentes Saravia e Mauricio Lemos. Isso porque os jogadores chegaram sem muitos holofotes, mas fizeram uma temporada muito boa, principalmente Lemos. O zagueiro, que chegou do Fenerbahçe a pedido de Coudet, foi o melhor do Galo no ano e se mostrou muito seguro e firme nas suas jogadas. Não à toa, renovou com o clube por mais dois anos. Já Saravia, que estava sem contrato após deixar o Botafogo e também foi pedido do técnico argentino, fez um ano em bom nível e terminou ele como titular, ganhando também uma renovação por mais duas temporadas.

  • O grande ano de Otávio

Uma das explicações para o Atlético ter melhorado ainda mais defensivamente com Felipão foi a mudança tática que o treinador fez no time, escalando mais um volante, já que Coudet só jogava com um. O escolhido por Felipão foi Otávio, que se tornou uma peça fundamental para o time e fez um excelente fim de ano. O jogador era muito criticado pela torcida, mas passou a ganhar o apreço da maioria após boas atuações. Nos últimos dois meses, passou ainda a ser o principal jogador do setor, com a lesão de Battaglia, e deu conta do recado, seja ao lado de Alan Franco ou Edenilson.

  • A família Scolari

Por fim, mas não menos importante, um ponto a se destacar no sistema defensivo do Atlético é em como todos os jogadores aceitaram se doar em prol do time, e isso está muito na conta de Felipão. Com o treinador, os jogadores passaram a correr mais e fechar mais as linhas do campo. Mesmo Paulinho, artilheiro do time, era visto se doando na marcação, o mesmo para Hulk (com menos frequência por razões óbvias). Esse detalhe ajudou muito o Galo a manter uma defesa forte.

Esse foi o ponto fraco da defesa do Atlético-MG

As constantes mudanças poderiam ser vista como um ponto fraco na defesa do Atlético, mas elas sempre mantinham o nível que o time vinha apresentando e não afetou muito o que aconteceu em campo. O grande problema atleticano mesmo foi a bola na área. De acordo com levantamento feito pela Trivela, que analisou todos os 52 gols sofridos pelo Galo no ano, 23 deles foram em jogadas de bola na área. Ou seja, o Alvinegro sofreu 44,2% dos gols em jogadas do tipo, que consistem não só em gols de cabeça, mas também em lances que a bola vai na área e o adversário marca com os pés, em um bate-rebote ou na sobra.

Se a defesa atleticana tem muito a celebrar em 2023, só tem uma questão a melhorar para 2024, que é ter mais atenção com as bolas na área. Além dos gols sofridos, Everson também teve que fazer algumas importantes defesas em lances do tipo e, em outras ocasiões, os adversários não concluíram da forma certa, mas tiveram as chances.

O que esperar da defesa do Atlético-MG em 2024?

Para 2024, o Atlético basicamente manterá todo o seu esqueleto defensivo. O clube renovou com Saravia, Mariano, Mauricio Lemos, Bruno Fuchs e Guilherme Arana. Jemerson e Igor Rabello já tinham contratos mais longos e devem ficar. A única saída certa é de Réver, que se aposentou. O sistema defensivo não é o foco do clube no mercado, mas, se surgir uma oportunidade, o Galo vai analisar com carinho. Uma opção é o zagueiro Alexander Barboza, que está em fim de contrato com o Libertad e ele mesmo revelou ter recebido sondagem do Alvinegro.

O Atlético não deve ter muitas preocupações para 2024, apenas na questão da bola na área, como citado. No básico, o Galo precisa manter o que fez em 2023. A diferença até o momento é o acréscimo do jovem lateral-direito Vitinho, da Seleção Sub-17, ao time principal. O zagueiro Rômulo, outro da base, também pode ganhar mais oportunidades.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
Botão Voltar ao topo