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Cruzeiro está satisfeito com Seabra, e aqui estão 4 motivos para isso

A Trivela analisa o desempenho de Seabra e mostra porque o técnico ainda goza de credibilidade no clube

O Cruzeiro vive um momento de transição em diversos departamentos do clube, desde o comando geral, até no elenco profissional. Após a venda da SAF do clube, de Ronaldo Nazário para Pedrinho BH, o departamento de futebol foi reformulado, o CEO Gabriel Lima deixou a Toca da Raposa 2 e diversos jogadores foram contratados. Mas um nome segue intocado: o treinador Fernando Seabra.

Após a pesada derrota do Cruzeiro para o Bahia, por 4 a 1, que coincidiu com o pedido de demissão de Cuca no Athletico-PR, muitas especulações passaram a surgir em relação a um suposto desejo do clube celeste de contar com o ex-treinador do Furacão, visto que este é bem avaliado pelo CEO de futebol, Alexandre Mattos.

A situação gerou incômodo na maioria da torcida celeste, que se manifestou contra a possível chegada do técnico.

As razões da rejeição a Cuca, para além das de “campo e bola” são duas: o envolvimento em um estupro de uma menor de idade em 1987, na Suíça — ele chegou a ser condenado, mas nunca cumpriu a pena e teve sua sentença anulada em 2024, sem entrar no mérito de culpa ou inocência, por não haver a possibilidade da abertura de um novo julgamento —, e a história de idolatria do técnico com o Atlético-MG, grande rival do Cruzeiro.

Mas toda essa movimentação foi objeto de uma mera especulação, visto que Fernando Seabra segue respaldado no Cruzeiro. Internamente, o clube entende que o trabalho é bem feito, superando, inclusive, as expectativas.

Seabra é bem avaliado internamente

Apesar de o Cruzeiro estar investindo em grandes jogadores, Seabra segue com o mesmo time montado pela gestão de Ronaldo, quando Nico Larcamón ainda era o treinador da Raposa.

Mesmo com sete reforços acertados para o decorrer do ano, Seabra perdeu atletas, o goleiro Rafael Cabral e o atacante Rafael Elias Papagaio. Gabriel Grando chegou, mas, reserva de Anderson, ainda não estreou.

Cotado para a briga contra o rebaixamento antes do Campeonato Brasileiro começar, o Cruzeiro passa longe do Z4 neste primeiro quarto de competição.

Tendo conquistado 100% de aproveitamento jogando em casa, o time celeste ocupa a oitava posição, com 17 pontos em dez jogos, uma partida a menos que seis das sete equipes à sua frente.

O que respalda o trabalho de Fernando Seabra no Cruzeiro?

Pensando na confiança da diretoria celeste no trabalho de Fernando Seabra, a Trivela separou alguns motivos que explicam o respaldo dado pela diretoria celeste ao treinador de 47 anos.

Desempenho além do esperado

Como dito anteriormente, a diretoria do Cruzeiro entende que o seu elenco é frágil, tendo sido montado com panoramas mais modestos, de custo e, consequentemente, ambição.

Desde que assumiu o futebol da Raposa, Alexandre Mattos contratou sete jogadores, número que ainda pode aumentar caso as negociações com o zagueiro Yerry Mina, hoje travadas, e eventuais oportunidades de mercado tenham desfecho positivo. Além disso, se o atacante Dudu não tivesse recuado após acerto com o Cruzeiro, o número seria ainda maior.

Sendo assim, com a Raposa podendo se aproximar de um time completo de reforços, entende-se que a avaliação era de que o elenco precisava de um acréscimo grande de qualidade.

Fernando Seabra aguarda a abertura da janela para tem um elenco mais encorpado à disposição no Cruzeiro
Fernando Seabra (esq.) aguarda a abertura da janela para tem um elenco mais encorpado à disposição no Cruzeiro; Kaio Jorge (dir.) será uma opção para a função de centroavante, que se tornou lacuna no elenco com as lesões de Dinenno e Rafa Silva – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

As poucas derrotas de Seabra tiveram erros individuais graves

Fernando Seabra perdeu apenas três jogos no comando do Cruzeiro, todos fora de casa, e apesar de serem triunfos importantes, com peso, em todos eles erros individuais comprometeram o resultado.

O primeiro deles aconteceu no quarto jogo de Fernando Seabra à frente do Cruzeiro, um doloroso 3 a 0 para o rival Atlético-MG.

Naquele momento, o Cruzeiro, em crise, buscava se reencontrar na temporada e Seabra ainda tentava encontrar o melhor encaixe do time.

Com quatro jogos, um deles fora de casa, contra o Fortaleza, no Ceará, em onze dias, o treinador teve pouco tempo para treinar e escalou o time celeste com dez jogadores remanescentes do elenco que quase foi rebaixado para a Série B do Brasileirão em 2023.

Um dos pilares do Cruzeiro, o lateral-esquerdo Marlon teve responsabilidade direta em duas das três derrotas de Fernando Seabra no comando do Cruzeiro
Um dos pilares do Cruzeiro, o lateral-esquerdo Marlon teve responsabilidade direta em duas das três derrotas de Fernando Seabra no comando do Cruzeiro – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Contra o São Paulo, o Cruzeiro saiu atrás no placar no início da partida, mas vinha crescendo no jogo, empilhando chances de gol, quando Marlon, ainda na primeira etapa, deu entrada dura em Calleri e foi expulso.

Mesmo com um a menos, o time celeste seguiu em cima até o intervalo, mas no segundo tempo, com mudanças de Zubeldía e desgaste dos atletas, perdeu fôlego, levou o segundo gol e não mais assustou.

Na última rodada o Cruzeiro saiu na frente aos 13 minutos do primeiro e atuava bem, com descidas perigosas em contra-ataques, mas acabou sofrendo o empate aos 53 minutos da etapa inicial, após erros de Anderson e William.

Depois do intervalo, o Bahia atacava buscando a virada, mas a Raposa conseguia se segurar, até que Marlon novamente deu uma chegada dura e foi expulso pela segunda vez em quatro jogos.

Com um a menos, o Cruzeiro não conseguiu mais parar o forte time de Rogério Ceni e acabou goleado por 4 a 1.

Desempenho no Mineirão

Após um ano de 2023 no qual foi vencer a primeira partida no Mineirão no final de outubro, o Cruzeiro tem no Gigante da Pampulha sua fortaleza no Brasileirão.

Com 100% de aproveitamento e boas partidas, ofensivas, em seus domínios, o Cruzeiro de Seabra mudou a relação com sua casa e caso continue assim, terá uma boa posição garantida no final do ano.

Comparação entre Seabra e Larcamón

A comparação no rendimento e nos resultados com o antigo treinador, o argentino Nicolás Larcamón, também joga a favor de Fernando Seabra. Seabra consegue tirar mais do mesmo elenco, em um nível de desafio bem mais alto.

Além disso, o treinador da Raposa conseguiu extrair mais dos reforços e, apesar de certas insistências, muitas delas causadas por lacunas no elenco, utilizar uma escalação mais próxima do ideal do que seu antecessor.

Por fim, Seabra tem utilizado as categorias de base em maior escala que Larcamón, algo caro à diretoria e à torcida do Cruzeiro.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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