Como diretor do Corinthians foi de braço direito a dor de cabeça para Augusto Melo
Alvo nas investigações do "caso Vai de Bet", Marcelo Mariano resistiu ao afastamento e cedeu por pressão ao presidente corintiano
Marcelo Mariano não é mais diretor administrativo do Corinthians. Em nota oficial publicada pelo clube na manhã desta quinta-feira (16) foi informado que o dirigente foi afastado do cargo a pedido próprio – o comunicado será publicado na íntegra no fim da matéria.
No entanto, informações apuradas pela Trivela ao longo da semana apontam que houve resistência por parte de Mariano em deixar a função.
A decisão pelo desligamento de Marcelinho, como também é conhecido, começou a ser tomada no último fim de semana e foi motivada pelas atualizações nas investigações sobre um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no acordo entre o Timão e a Vai de Bet, antiga patrocinadora máster do clube.
Em depoimento à Polícia Civil e Ministério Público, José André da Rocha Neto, dono da casa de apostas online, afirmou que o acesso dele à diretoria do Corinthians necessitou de intermediação. Porém, ele nega que essa ligação tenha sido feita por Alex Cassundé, apontado no contrato como dono da empresa a receber o comissionamento.
Rocha Neto afirma ter buscado Toninho Duettos, empresário de diversos artistas na música sertaneja e que até hoje é sócio do cantor Gusttavo Lima em alguns negócios.
Em entrevistas à “Gazeta Esportiva” e ao “UOL”, Toninho afirma ter sido vítima de golpe do Corinthians na hora do repasse das intermediações e cita nominalmente Marcelo Mariano como interlocutor sobre o que classifica como “atitude de má fé”.
– Era para ser eu, o combinado era pra ser eu, Washington e o Sandro. Depois de fechado, o pessoal mudou tudo, disse que não podia ser eu, que tinha que ser uma empresa que atendia eles e aí rodei no negócio. Cobrei, mas o Marcelinho disse que depois via alguma coisa. Levei uma bolada nas costas, literalmente. Sandro ligou, xingou o Marcelinho, foi feio – disse Toninho à “Gazeta Esportiva”.
Citado por Toninho, Washington Araújo é coordenador de redes do Corinthians e responsável por levar o empresário e, consequentemente, a Vai de Bet até a diretoria. Já Sandro Ribeiro é um funcionário que, segundo Duettos, ajudou na intermediação.
Demissão de Marcelinho foi adiada e precisou de processo de convencimento
A ideia da diretoria corintiana era comunicar a demissão de Marcelo Mariano na segunda-feira (13), o que não foi possível.
Inicialmente, o intuito era que o dirigente cooperasse com a mensagem de transparência que a diretoria busca passar em meio às investigações e um processo de impeachment contra o presidente Augusto Melo que na segunda-feira (20) será votado no Conselho Deliberativo.
No entanto, Marcelinho resistiu à medida.
Braço direito de Augusto Melo durante o período eleitoral, o agora diretor afastado do Corinthians cobrou lealdade e deixou claro que não queria ser colocado como “bode expiatório”.
Nos dias seguintes, Augusto Melo e os seus pares cogitaram até mesmo revogar a decisão de desligar Marcelo Mariano e bancar novamente a permanência do dirigente.
Porém, o presidente corintiano se sentiu pressionado em tomar alguma providência ao risco dele próprio se prejudicar politicamente.
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Decisão final encontrou consenso entre Augusto e Mariano
Marcelinho já não era unanimidade sequer na diretoria do Corinthians.
Pela influência exercida perante ao presidente Augusto Melo, muitas pessoas entendiam que o dirigente extrapolava as funções e invadia até mesmo o espaço de outras diretorias.
Mariano teria reduzido esse tipo de postura no decorrer do ano passado, após o início das investigações do “caso Vai de Bet” e a chegada de Fred Luz, como consultor, mas com poderes de CEO.
Porém, o diretor administrativo voltou a entrar em algumas rotas de colisão internamente no fim da última temporada.
Ainda assim, Augusto Melo tentou ao máximo não retirá-lo do cargo. Contudo, considerou a manutenção insustentável após as declarações de José André da Rocha Neto e Toninho Duettos.

A ideia era que o comunicado sobre a saída de Marcelo Mariano acontecesse na quarta-feira (15), mas o dirigente evitou alguns contatos de Augusto e outros membros da diretoria. O martelo, então, foi batido na parte da noite em um consenso entre as partes.
Marcelo aceitou a saída, mas com o discurso de que o pedido de afastamento partiu dele pelo bem da gestão corintiana.
Para Mariano, essa era a única forma possível para deixar a posição que tinha no clube mesmo a contragosto, mas evitando a exposição e uma mensagem de admissão do que tem sido imputado a ele nos depoimentos e investigação do “caso Vai de Bet”.
Confira a nota oficial publicada pelo Corinthians sobre o afastamento de Marcelo Mariano
“O presidente Augusto Melo aceitou o pedido de afastamento feito pelo Diretor Administrativo do Sport Club Corinthians Paulista, Marcelo Mariano. O diretor estava no cargo desde janeiro de 2024, quando a gestão atual tomou posse.
Marcelinho, como é conhecido no Parque São Jorge, opta por deixar a diretoria para que a gestão consiga trabalhar de forma pacifica e mantendo o profissionalismo que vem sendo aplicado desde o primeiro dia de 2024. Além disso, deixa claro que é um dos mais interessados de que todo processo político do Clube seja finalizado da melhor forma. O agora ex-diretor está esperançoso de que a diretoria atual consiga, enfim, realizar em seu mandato todas as melhorias que estão no planejamento.
O presidente Augusto Melo agradece o período de dedicação ímpar de Marcelo Mariano às atividades do Clube e deseja sucesso na sua trajetória.
Com sua saída, Mariano retorna ao seu mandato no Conselho Deliberativo do Corinthians”.



