Brasil

Alegação de golpe e mais: os destaques do depoimento de Cassundé sobre Corinthians e Vai de Bet

Investigado em possível esquema de corrupção, empresário alega que descobriu a casa de apostas através de inteligência artificial

Apontado como intermediário do contrato entre Corinthians e Vai de Bet, antiga patrocinadora máster do clube alvinegro, Alex Fernando André, conhecido como Alex Cassundé, negou ter exercido o papel e que nunca solicitou o pagamento de R$ 1,4 milhão como comissionamento no negócio.

Em depoimento à Polícia Civil que aconteceu nesta terça-feira (25) e durou pouco mais de três horas, Cassundé disse que procurou nomes de empresas de apostas esportivas online através de uma plataforma de inteligência artificial e ao fazer uma triagem chegou até a Vai de Bet, que não tinha histórico de investimento em clubes de futebol. 

Cassundé diz que nunca falou em nome do Corinthians

Alex, então, teria entrado em contato com a empresa e recebeu a informação de que só faria contato com algum representante oficial do Timão. Em nenhum momento, Cassundé teve procuração para que falasse em nome do clube alvinegro. 

Em busca de um espaço no departamento de comunicação corintiano, Alex Cassundé aproveitou o seu contato com Sérgio Moura, diretor de marketing licenciado do Corinthians, e indicou que o profissional falasse com a Vai de Bet.

Na conversa com Moura, o dono da “Rede Social Media Design Ltda” foi orientado a repassar a informação para Marcelo Mariano, diretor administrativo da equipe do Parque São Jorge. 

A amizade entre Cassundé e Moura

Cassundé e Moura trabalharam juntos na campanha de Augusto Melo à presidência do Corinthians, no fim de 2023.

Enquanto Sérgio coordenava a parte de marketing, que o levou à direção da pasta no clube, Alex forneceu serviços de mídias sociais através da sua empresa. 

Alex Cassundé alega ter caído em golpe

A investigação sobre Alex Fernando André iniciou após denúncias de que o valor de R$ 1,04 milhão teria sido repassado à empresa Neoway Soluções Integradas, que, de acordo com apuração da Polícia Civil, é de fachada. 

Cassundé admite ter repassado o valor para a empresa em uma transação comercial relacionada a outro negócio que ele possui. Em declaração dada por Cláudio Salgado, advogado do empresário, não foi apresentado detalhes sobre a natureza dessa relação.

— Uma parceria de negócios que ele fez, regularizado. Houve esse questionamento se esse depósito foi feito de forma irregular. E ele esclareceu que não foi. E ele foi vítima de um golpe e agora a gente está, inclusive, tomando atitudes para ir atrás disso. É bastante detalhado, porque ele ficou três horas falando sobre isso. Muitos detalhes para falar em poucos minutos. É de negócios que ele está envolvido e teve que fazer esse pagamento. Foi justificado e mostrado. Não há repasse para o Corinthians, não é corrupção — disse Salgado. 

Alex teria tentado contrato com os responsáveis da Neoway Soluções Integradas, mas não obteve retorno. Porém, não foi registrada ocorrência, porque a investigação sobre possível envolvimento do Corinthians já havia iniciado. 

A Neoway, que tem como sede registrada um coworking na Avenida Paulista, em São Paulo, é registrada no nome de Edna Oliveira dos Santos, que supostamente seria uma laranja.

Ela mora em uma comunidade pobre, na cidade de Peruíbe, litoral sul de São Paulo, e vive em condições precárias, sobrevivendo de auxílios sociais, como o Bolsa Família. Cassundé nega conhecer ou ter mantido qualquer tipo de relação com Edna. 

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Alex Cassundé pode ser preso preventivamente?

Por enquanto, os órgãos de investigação não trabalham com essa hipótese. Em um primeiro momento, foi apreendido o celular do empresário.

Existe a possibilidade que nos próximos dias a Justiça também determine a quebra de sigilo fiscal de Cassundé, para que a investigação siga o caminho dos repasses financeiros. 

Antes, no entanto, o intuito é ouvir outras pessoas envolvidas na análise, como? 

  • Augusto Melo (presidente do Corinthians);
  • Armando Mendonça (vice-presidente do Corinthians);
  • Marcelo Mariano (diretor administrativo do Corinthians);
  • Sérgio Moura (diretor de marketing licenciado do Corinthians);
  • Felipe Ferreira (dono da Vênus, empresa privada de investigação que supostamente teria sido contratada por Armando Mendonça para apurar o caso).
Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue à São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é repórter na rádio 9 de Julho, comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília, e narrador freelancer.
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