Corinthians: Voto online fracassa e reunião por impeachment do presidente ganha nova data
Encontro que estava marcado para 2 de dezembro foi suspenso por uma liminar concedida a Augusto Melo
Após quase dois meses, a votação para definir o prosseguimento do pedido de impeachment contra o presidente Augusto Melo será retomada no Conselho Deliberativo do Corinthians. A sequência da reunião foi marcada para a próxima segunda-feira, 20 de janeiro.
Originalmente, o encontro aconteceria em 2 de dezembro, mas foi suspenso minutos antes da segunda chamada por conta de uma liminar concedida a Augusto Melo.
O mecanismo judicial foi derrubado dez dias depois, o que possibilitou a continuidade da votação marcada nesta terça-feira (14) por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho, confirmando a informação antecipada pela Trivela nesta segunda-feira (13) de que a reunião ganharia nova data ainda nesta semana.
Reações da torcida após tomarem conhecimento da liminar suspendendo a votação do impeachment. @trivela pic.twitter.com/M7alxlLjSd
— Fábio Lázaro (@FabioLazaro_) December 2, 2024
Voto online foi debatido, mas não teve força internamente no Corinthians
Inicialmente foi discutida a sequência do encontro por meio virtual. A ideia era internamente defendida por algumas lideranças do clube alvinegro, incluindo Tuma. Porém, não houve adesão.
Para Romeu e alguns pares, o método ajudaria a dispersar possíveis atos de violência no entorno do Parque São Jorge.
Antes da reunião ser suspensa, houve denúncias de conselheiros ameaçados através de mensagens e ligações. O próprio presidente do Conselho Deliberativo teve o endereço vazado através de alguns fóruns e grupos nas redes sociais.
Também foi relatada nos bastidores a presença de um número razoável de pessoas armadas no interior da sede social corintiana nas horas que antecederam o encontro.
Ainda assim, até mesmo o grupo enxergado como de oposição a Augusto Melo não abraçou de forma contundente a possibilidade.
Internamente, foram apontadas ausência de transparência e chances de fraude como problemas no caso de a votação acontecer de maneira virtual.
Em ocasiões presenciais as cédulas são colocadas em urnas após serem preenchidas sem identificação do conselheiro, o que visa manter o sigilo.
Na apuração, a contabilidade dos votos é feita pelo presidente do Conselho que também tem a responsabilidade de descartar os materiais posteriormente.
Essa condução é vista pela maioria dos conselheiros como mais transparente e por isso será mantida.
A situação também defende a realização da reunião de forma presencial.
Augusto Melo tem o apoio de boa parte da torcida e acredita que a manifestação deles é um fator que pode ajudá-lo a se manter no cargo.
Liderados pelo ex-atacante Dinei, apoiadores de Augusto Melo deixam o Parque São Jorge e vão celebrar a suspensão da votação do impeachment junto com a torcida. @trivela pic.twitter.com/JHeWfSV2tu
— Fábio Lázaro (@FabioLazaro_) December 2, 2024
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Data foi marcada estrategicamente para minimizar possíveis confusões
Para evitar qualquer tipo de tumulto, duas medidas foram tomadas inicialmente pela presidência do Conselho Deliberativo do Corinthians:
- A marcação da reunião para uma segunda-feira, dia que o Parque São Jorge não abre para os associados;
- Contato com os órgãos de segurança para solicitar policiamento reforçado.
Na reunião de dezembro, que foi suspensa, cerca de 500 agentes de segurança foram acionados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).
A data também foi escolhida de forma estratégica.
Logo após a queda da liminar, houve grande discussão para que a votação ocorresse antes da virada do ano, o que foi defendido por muitas pessoas nos bastidores corintianos – sobretudo contrárias a gestão de Augusto Melo.
Após alguma avaliações internas, optou-se por aguardar a entrada de 2025 pelos seguintes motivos:
- Acalmaria os ânimos aflorados e o clima de guerra criado no fim de dezembro;
- Esfriaria a empolgação com o sucesso esportivo da equipe no fim de 2024 – muitos consideravam que as questões estavam se confundindo e influenciando uma a outra;
- Aguardaria o período de recesso, o que poderia esvaziar a reunião.
O depoimento de José André da Rocha Neto, dono da antiga patrocinadora máster do Corinthians, à Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo aconteceu no dia 12 de dezembro. Isso era ciente nos bastidores do Parque São Jorge.
No entanto, as declarações do empresário se tornaram públicas nos últimos dias através de matérias divulgadas por “Gazeta Esportiva” e “UOL”.
Além disso, a “Gazeta Esportiva” trouxe à tona a declaração de Toninho Duettos, apontado por Rocha Neto como intermediário na negociação entre Vai de Bet e Corinthians.
Toninho afirma ter sido vítima de um golpe do clube alvinegro, já que a empresa que constou no contrato como intermediária foi a Rede Social Media Design LTDA, cujo a propriedade é de Alex Cassundé, prestador de serviços de mídias digitais na campanha presidencial de Augusto Melo.
Segundo apuração da Trivela, as declarações de Rocha Neto e Toninho Duettos levaram alguns conselheiros a cobrarem a aceleração da votação do impeachment contra Augusto Melo.
Alguns deles, inclusive, estavam alheios ao processo, mas elevaram o coro após os fatos recentes.



