Novos elementos esquentam disputa política no Corinthians e aumentam pressão sobre Augusto Melo
Presidente do Conselho, Romeu Tuma Júnior é cobrado por remarcar votação sobre impeachment de presidente
A pressão interna para a retomada da votação sobre o pedido de impeachment contra o presidente Augusto Melo aumentou após o depoimento de José André da Rocha Neto, dono da Vai de Bet, à Polícia Civil e ao Ministério Público de São Paulo.
Segundo o dono da casa de apostas, que também é ex-patrocinadora máster do Timão, houve intermediação no contrato entre as partes, mas não foi feita por Alex Cassundé, a quem foi direcionado o pagamento das comissões.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e Ministério Público do Estado de São Paulo, que apura possível crime de corrupção e lavagem de dinheiro.
A expectativa é que o inquérito seja fechado entre o fim de fevereiro e início de março.
Novos elementos incomodaram conselheiros e colocou impeachment de Augusto Melo em pauta novamente
Presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior tem sido procurado por uma série de conselheiros para dar prosseguimento à reunião interrompida no dia 2 de dezembro.
Na ocasião, Augusto Melo conseguiu uma liminar judicial suspendendo o encontro. No entanto, o mecanismo foi derrubado dias depois.
Segundo apuração da reportagem, o coro para o prosseguimento da votação ganhou força através de conselheiros que até então tinham atuação discreta no bastidor político, mas se incomodaram com as atualizações recentes do “Caso Vai de Bet”.
Além do depoimento do dono da antiga patrocinadora do Timão, o empresário Antônio Pereira dos Santos, conhecido como Toninho Duettos, também afirmou ser vítima de golpe na negociação entre a casa de apostas e o clube alvinegro.

Em entrevista à “Gazeta Esportiva”, Toninho confirmou a versão de Rocha Neto às autoridades de que foi o verdadeiro intermediário entre Vai de Bet e Corinthians.
Duettos teria sido procurado pelo dono da Vai de Bet, para costurar uma conversa com representantes do Timão, que à época buscava empresas para ocupar a faixa principal do uniforme do clube.
O empresário, então, fez contato com Washington Araújo, que atualmente exerce o cargo de coordenador de redes do Corinthians. Os dois haviam se conhecido antes mesmo da eleição de Augusto Melo.
De acordo com o depoimento de José André da Rocha Neto às autoridades e o relato de Toninho Duettos à “Gazeta”, foi alinhado um encontro no dia 26 de dezembro de 2023 em um hotel na região central de São Paulo.
Na reunião estiveram presentes: Toninho, um funcionário dele chamado Sandro (que também teria ajudado na intermediação), Washington Araújo, Augusto Melo e Marcelo Mariano, diretor administrativo do Corinthians.
O negócio foi fechado no mesmo dia, no valor total de R$ 309 milhões em três anos. No entanto, Toninho Duettos nunca foi comissionado pelo negócio. Diferentemente da Rede Social Media Design LTDA, empresa de Alex Cassundé, que recebeu dois depósitos no valor de R$ 700 mil.
Segundo Toninho e Rocha Neto, Cassundé nunca participou de reuniões e conversas referentes ao negócio.
À Gazeta, Duettos também revelou ter feito contatos com Marcelo Mariano para cobrar inclusão no negócio, mas não teve sucesso. Ele e o funcionário Sandro consideram ter sofrido um golpe.
– Era para ser eu (o intermediário). O combinado era pra ser eu, Washington e o Sandro. Depois de fechado, o pessoal mudou tudo, disse que não podia ser eu, que tinha que ser uma empresa que atendia eles. Aí rodei no negócio. Cobrei, mas o Marcelinho (Mariano) disse que depois via alguma coisa. Levei uma bolada nas costas, literalmente. Sandro ligou, xingou o Marcelinho, foi feio – disse Toninho Duettos.

Após o depoimento de José André da Rocha Netto e as declarações de Toninho Duettos, foram resgatadas algumas falas do presidente Augusto Melo sobre a negociação para reduzir o percentual de comissionamento referente a intermediação no negócio com a Vai de Bet.
De acordo com o mandatário corintiano, o intermediário queria receber 20% do valor do negócio, mas Augusto tentou reduzir para 5%. No fim, as partes se acertaram em 7%.
Conselheiros entendem que os recentes relatos do dono da antiga patrocinadora e o empresário apontado como verdadeiro intermediário contradizem a declaração do mandatário corintiano e cobram explicações através do presidente do Conselho Deliberativo.
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Pressão interna aumenta e diretor que é braço direito de Augusto Melo fica por um fio
Os relatos recentes de Rocha Neto e Toninho Duettos tornaram a situação de Marcelo Mariano muito difícil no Corinthians.
O diretor administrativo já havia sido alvo de grande pressão por demissão após as primeiras denúncias relacionadas ao “Caso Vai de Bet”.
Foi ele quem autorizou os pagamentos das comissões à Rede Social Media Design LTDA, empresa de Alex Cassundé.
Ainda assim, Mariano foi mantido no cargo por decisão de Augusto Melo, que bancou a permanência.
Agora, com as novas acusações, a situação do diretor no cargo fica ainda mais delicada.
Fontes ouvidas pela reportagem apontam que há 90% de chances de que Marcelo Mariano seja desligado da função ainda essa semana.
A tendência é que isso ocorra até quarta-feira (15), véspera da estreia do Timão no Campeonato Paulista, contra o Red Bull Bragantino, em Bragança Paulista.
Presidente do Conselho estuda data para nova votação de impeachment, mas tem impasse
De acordo com apuração da Trivela, Romeu Tuma Júnior retomou o foco das suas atuações no Corinthians nesta segunda-feira (13).
Ele seguiu exercendo a função durante o período de recesso, mas de forma mesmo assídua.
Esse, inclusive, foi um dos motivos para que a votação do impeachment contra Augusto Melo não acontecesse nas últimas semanas de 2024.
Além de Romeu, outros conselheiros estavam em período de recesso, o que esvaziaria uma reunião considerada de grande importância para os rumos do clube.
Agora, Tuma avalia a melhor data para sequência à reunião.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a convocação para novo encontro pode ser feita ainda nesta semana.
O ponto de avaliação no momento é o formato da votação.
Há uma ala que defende a votação de maneira virtual, pois tem receio de manifestações agressivas e atos de violência.
No fim do ano passado, conselheiros de oposição afirmaram ter sido alvo de ameaças e intimidações através de ligações e mensagens nas redes sociais.
Há também relatos de pessoas armadas no Parque São Jorge na data original da reunião – que foi suspensa por liminar.
Apoiadores de Augusto Melo defendem que a reunião aconteça de forma presencial, pois entendem que o voto online não está previsto através do Estatuto Social do Corinthians.



