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Retorno do fantasma do impeachment de Augusto Melo impede ano novo do Corinthians

Presidente do Conselho Deliberativo quer usar fim de semana para definir nova votação do impeachment de Augusto Melo

A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo nesta quinta-feira (12) por derrubar a liminar que impediu a votação do impeachment contra Augusto Melo, presidente do Corinthians, no último dia 2 de dezembro, abriu novo capítulo político no clube alvinegro. 

Agora, somente uma apelação ao Supremo Tribunal Federal (STF) pode mudar o cenário, o que é algo improvável. 

Assim, a reunião que foi suspensa há duas semanas está autorizada a acontecer e movimentará novamente os “tabuleiros” da política corintiana. 

Mesmo com a liberação para que a votação aconteça, ela ainda não foi remarcada. 

Presidente do Conselho Deliberativo corintiano, Romeu Tuma Júnior estuda a melhor forma de conduzir a retomada do encontro com os conselheiros. 

De acordo com a apuração da Trivela, Romeu pretende conversar com algumas pessoas entre sexta-feira (13) e domingo (15) para definir se mantém a reunião em 2024 ou espera o recesso de fim de ano. 

Outra questão que está indefinida é o formato do encontro, se presencial, como seria no dia 2 de dezembro, ou de maneira virtual. 

A tendência é que até segunda-feira (16), Tuma comunique as decisões. 

De todo modo, fontes ouvidas pela reportagem acreditam que a votação sobre o pedido de impeachment contra Augusto Melo deverá acontecer virtualmente e somente em 2025. 

Mesmo com votação no ano que vem, política do Corinthians não tira férias

Ainda que seja confirmada a votação que pode definir o afastamento do presidente corintiano somente em 2025, as últimas semanas de 2024 serão de muita articulação e ajustes internos. 

Os aliados de Augusto Melo ganharam tempo para se reorganizar e tentar enfraquecer o processo que pode culminar na destituição do dirigente, ainda que de forma temporária. 

Por outro lado, a linha de frente dos conselheiros que defendem a continuidade do procedimento entendem que a decisão judicial de derrubar a liminar que suspendeu a reunião é uma resposta para os que classificaram o ato como golpe. 

Na prática, o rito segue classificado como golpista pela situação com o apoio de boa parte dos torcedores corintianos. O movimento é impulsionado pelas organizadas que apoiam abertamente Augusto Melo. 

Augusto Melo Corinthians
Augusto Melo tem sido aclamado por parte da torcida nos últimos jogos do Corinthians (Foto: Icon Sport)

Ao grupo do presidente, resta aguardar a decisão de Romeu Tuma Júnior para definir os próximos passos. Para eles, quanto mais tempo demorar a votação é melhor. 

Já para os opositores, ainda que não se qualifiquem assim, o momento será de reorganização. 

A suspensão da votação no dia 2 de dezembro irritou alguns conselheiros que não se mostraram dispostos a se engajar com outro rito. 

O princípio de confusão que ocorreu logo após o anúncio da liminar, onde alguns torcedores tentaram invadir o Parque São Jorge, sendo reprimidos de forma ostensiva pelo policiamento presente, também deixou algumas pessoas temerosas. 

O cenário da reunião interrompida há duas semanas apontava para uma tendência à aprovação do processo de impeachment contra Augusto Melo. Essa confirmação afastaria o presidente do cargo até a votação em última instância, em assembleia de sócios. 

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Como a liminar que barrou a votação do impeachment foi derrubada?

A desembargadora responsável pelo caso, Clara Maria Araújo Xavier, julgou diretamente o mérito do recurso, cujo o responsável pela entrada foi o presidente Augusto Melo. 

Na liminar concedida pela própria magistrada há duas semanas foi usado como argumento o parecer da Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians que recomendou a votação somente após o período de investigações do Caso Vai de Bet pelos órgãos competentes. 

A contra-alegação dos defensores da continuidade do processo de impeachment contra Melo é que as considerações da comissão não possuem caráter deliberativo. 

Antes mesmo da votação que derrubou a liminar, Romeu Tuma Júnior havia entrado com um pedido de agravo interno, o que sequer foi julgado. 

Além de Clara Maria, outros dois desembargadores julgaram a situação e definiram de forma unânime a continuidade do rito. 

De acordo com informação antecipada pela Trivela, Clara é irmã de Geraldo Euclides Araújo Xavier, conselheiro vitalício do Corinthians

Na época da divulgação da reportagem, integrantes da oposição consideraram o parentesco entre as partes algo que feria o princípio de imparcialidade e que a desembargadora deveria se considerar inapta para tomar frente ao caso. 

Segundo relatos obtidos pela reportagem, Geraldo é um conselheiro discreto, de pouca aparição e participação efetiva. Ele não havia deixado claro de maneira pública a sua opinião sobre o processo de impeachment contra Augusto Melo.

Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue a São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília.

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