Como Diniz mudou ‘ideais’ para ajustar defesa do Corinthians e escapar de crise em novo trabalho
Com novo treinador, Alvinegro chega a seis partidas de invencibilidade, sem ser vazado em nenhuma oportunidade
Fernando Diniz chegou ao Corinthians depois da demissão de Dorival Júnior e em um momento negativo para o clube na temporada. Quando assumiu o comando, antes da estreia na Libertadores, o time não vencia há nove partidas e amargava a parte inferior na classificação do Brasileirão. Desde então, conseguiu corrigir e dar solidez ao setor defensivo da equipe e mostrando um novo “Dinizismo”.
Nos seis jogos sob o comando de Fernando Diniz, o Corinthians não foi vazado em nenhuma oportunidade. Mesmo em duelos contra Palmeiras (0 a 0) e Vasco (1 a 0), em que ficou a maior parte do tempo em desvantagem numérica. Esse desempenho do setor fez com que o Corinthians escapasse da zona de rebaixamento do Brasileirão e somasse quatro vitórias e dois empates desde então.
O setor defensivo, neste início de ano, não era um dos pontos negativos no trabalho de Dorival Jr., mas atrapalhou na sequência de nove jogos sem vitória. Foram 11 gols sofridos, entre fevereiro e abril — quando Diniz assumiu — e que dificultaram a continuidade do trabalho do treinador, mesmo com as recentes conquistas da Copa e Supercopa do Brasil.
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Como resultado, o Corinthians igualou a marca de seis jogos seguidos sem ser vazado, algo que não ocorria desde 2015, quando ainda era comandado por Tite. Com isso também, passou a ter a terceira melhor defesa no Brasileirão de 2026, com 11 gols sofridos — apenas um a mais do que Palmeiras e Flamengo. O que surpreende é que, nos últimos trabalhos de Diniz, a defesa nunca foi destaque, pelo contrário.
Encaixe de Diniz auxiliou Corinthians a melhorar defensivamente
Diniz ainda não completou um mês à frente do Corinthians. Também em função disso, não conseguiu implementar todas as suas ideias de jogo. O primeiro objetivo era preservar os trabalhos anteriores, de Ramón Díaz e Dorival Jr., para não ampliar a crise logo no início.
O treinador também chegou com um retrospecto negativo de seu último trabalho, no Vasco. Em sua segunda passagem pelo clube cruz-maltino, marcou 73 gols em 53 jogos, mas a defesa foi vazada 72 vezes. “É um número exagerado, mas temos de melhorar o número de chances cedidas”, destacou o treinador, em seu anúncio do Corinthians.
Para isso, Diniz mudou levemente a proposta defensiva, a fim de “equilibrar defensivamente” a equipe. Se comparar com o último trabalho no Vasco, o Corinthians não tem adotado a pressão alta sob o comando do novo treinador. Em vez disso, se defende em um 4-4-2, com os dois homens de frente — contra o Palmeiras, Rodrigo Garro e Yuri Alberto —, exercendo a primeira pressão.
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Essa estratégia evita que o time, quando vencido na saída de bola do adversário, fique com um “cobertor curto” e fique em desvantagem numérica na fase defensiva. A sequência da linha defensiva titular, composta por Gustavo Henrique e Gabriel Paulista, também auxiliou a reforçar o setor. Ambos já eram utilizados na maioria dos jogos com Dorival, vale ressaltar.
— Temos de aproveitar os bons trabalhos. E aos poucos, taticamente, ir colocando as coisas que são possíveis. Estou procurando informação com muita gente do clube. Escolher a melhor estratégia no plano tático, mas minha estratégia inicial é ouvir e perceber o que dá para analisar nesses treinos e colocar o melhor time, com a melhor estratégia, para vencer os jogos. É trabalho, observação e procurar acertar — ressaltou o treinador.
Em comparação com o Vasco, na final da Copa do Brasil contra o próprio Corinthians, Diniz adotava uma marcação com quatro homens na saída de bola adversária. Quando superada, tanto Yuri Alberto, quanto Memphis Depay, tiveram maior liberdade para marcar os gols na vitória por 2 a 1 no Maracanã.
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Corinthians ‘soube sofrer’ defensivamente nos últimos confrontos
Contra o Palmeiras, enquanto esteve em igualdade numérica, o Corinthians foi capaz de anular as jogadas ofensivas do rival. Com o 4-4-2 defensivo, a ideia de Diniz era evitar que houvesse liberdade no meio-campo, ao mesmo tempo em que preserva a superioridade numérica no último terço.
As expulsões de André e Matheuzinho, ao longo do confronto, forçaram o time a se segurar à frente de sua meta. O mesmo ocorreu diante do Vasco, na última rodada, quando o volante voltou a ser expulso, quando o Corinthians já vencia por 1 a 0.
— O mais importante é ressaltar o lado positivo de jogar com um jogador a menos e eles conseguirem ser muito solidários, resistirem, tanto contra Palmeiras e hoje (contra o Vasco), e ainda conseguirem jogar com a bola nos pés — afirmou o treinador.
O Corinthians de Diniz também não conseguiu controlar a posse de bola em todos os seus confrontos. Além das duas partidas em que sofreu com expulsões, ficou menos tempo no ataque diante do Platense (Libertadores) e Vitória (Campeonato Brasileiro). Com maior tempo de trabalho, a tendência é que o treinador passe a aplicar ideias que adotou no Fluminense e até no Vasco, na parte ofensiva.