O que o próximo técnico do Corinthians precisa resolver após fim da ‘Era Dorival?
Sequência ruim no Brasileirão resultou em demissão do treinador às vésperas da estreia na Libertadores
A queda de Dorival Júnior, após a derrota para o Internacional neste domingo (5), foi um “caos anunciado” no Corinthians. Os últimos títulos da Copa do Brasil e da Supercopa, sobre Vasco e Flamengo, respectivamente, estenderam a permanência do treinador, que não conseguiu fazer a equipe atuar com consistência no Campeonato Brasileiro e Paulista.
Às vésperas da estreia na Libertadores diante do Platense, na Argentina, o Corinthians vai em busca de seu novo comandante. O principal nome na lista de prioridades de Osmar Stábile e Marcelo Paz é Fernando Diniz, ex-treinador de Fluminense e livre no mercado desde a saída do Vasco. Com um estilo próprio e até, de certa forma, único no futebol brasileiro, chegou a comandar a seleção brasileira em 2023, de forma interina.
Além de Diniz, outros nomes livres no mercado são o de Tite, que foi buscado pelo clube em 2025, antes de chegar a um acordo por Dorival Júnior, e Juan Pablo Vojvoda, ex-técnico de Fortaleza e Santos, mas que deixou o clube nordestino sem uma boa relação com o Paz na última temporada.
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Independentemente do nome escolhido, o novo treinador do Corinthians terá de pegar um clube que se recupera financeiramente, com o trabalho em andamento, para corrigir erros deixados por Dorival desde 2025. Além disso, problemas políticos no Parque São Jorge, somados à pressão da torcida organizada, também afetaram o campo ao longo dos últimos anos.
Falta de uma identidade de jogo tem atrapalhado o Corinthians
Os dois títulos de Dorival ajudaram o treinador a preservar seu posto no clube. Mas não houve tempo suficiente para que o treinador conseguisse repetir o feito de 2022 com o Flamengo, e que resultou nas conquistas da Copa do Brasil e da Libertadores.
Sessenta e quatro dias se passaram entre a conquista da Supercopa e a demissão de Dorival. Nesse período, o Corinthians ainda acumulou eliminação no Campeonato Paulista, diante do Novorizontino, e despencou na tabela do Campeonato Brasileiro, depois de se aproximar da liderança nas primeiras rodadas — atualmente, ocupa a 16ª posição, próximo da zona de rebaixamento.
A expectativa da diretoria era de que, com maior tempo para trabalhar, até o início da Libertadores, Dorival fosse capaz de criar uma identidade para a equipe. O treinador sofreu, nesse período, com lesões de Yuri Alberto e Memphis Depay, que formava a dupla de ataque com Yuri Alberto no último ano. Também perdeu José Martínez, depois de o volante retornar da Venezuela com uma lesão ligamentar no joelho, para a temporada.
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— Entendemos, junto com a presidência, com o presidente Osmar, que o trabalho bateu no teto. Não conseguia mais uma evolução técnica. Foram nove jogos sem ganhar, é muita coisa para o Corinthians. Queda de performance, o time não conseguia mais finalizar, atacar como desejávamos — explicou Paz, após a derrota diante do Internacional.
A última vitória do Corinthians foi em fevereiro, diante do Athletico-PR, pela segunda rodada do Brasileirão. O time ainda eliminou a Portuguesa nos pênaltis na partida seguinte. Desde então, não voltou a vencer — passou o mês de março em branco, sem somar três pontos.
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Ameaça de rebaixamento começa a ameaçar o Corinthians no Brasileirão
A falta de vitórias aproximou o Corinthians da zona de rebaixamento. E essa é uma das questões urgentes que precisarão ser solucionadas pelo novo treinador. Se conseguir acertar a chegada de Diniz, ou de outro nome, até esta quinta-feira (9), além da estreia na Libertadores, terá uma sequência dura diante do Palmeiras, no Brasileirão, e o colombiano Santa Fé, novamente pelo torneio continental.
Foram apenas duas vitórias para o Corinthians no Brasileirão até aqui. O desempenho dentro de casa, que foi um diferencial da equipe nas últimas temporadas, se tornou um “calcanhar de Aquiles” com Dorival. Com uma média de 0,8 ponto por jogo, o Corinthians só conseguiu vencer o Red Bull Bragantino na Neo Química Arena neste ano pelo torneio nacional.
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Os números ofensivos também atrapalham, como o próprio executivo de futebol usou como prerrogativa para a demissão de Dorival. A defesa não tem atrapalhado neste início de ano, com 11 gols sofridos — semelhante aos índices dos clubes no G-4 —, mas o alvinegro tem o pior ataque do Brasileirão em 2026, com apenas oito bolas nas redes.
Contra o Internacional, acertou apenas dois chutes a gol, e não conseguiu converter nenhuma destas chances na derrota por 1 a 0. Desde o último ano, a comissão chegou a sondar jogadores como Malcom, que está no Al-Hilal, para reforçar o ataque, mas não teve sucesso. A diretoria, por sua vez, fechou as chegadas de Jesse Lingard, Kaio César, Matheus Pereira e Zakaria Labyad, mas que ainda não foram o suficiente para mudar o cenário do clube neste ano.