‘O futebol não é um lugar legal’: Endrick faz seu maior desabafo da carreira
Emprestado ao Lyon, atacante de 19 anos vive boa fase, mas ainda briga por vaga na lista de Ancelotti para o Mundial
Endrick ainda não tem passagem garantida para a Copa do Mundo, com pouco mais de um mês restante para o Mundial. O atacante de 19 anos vive uma das fases mais decisivas da carreira: emprestado ao Lyon após um ano de dificuldades no Real Madrid, brigando por uma vaga na lista de Carlo Ancelotti e esperando o nascimento do primeiro filho.
O renascimento começou na França. Em 18 partidas pelo Lyon, Endrick marcou sete gols e deu sete assistências, números que chamaram a atenção do próprio Ancelotti e reacenderam o debate sobre seu espaço na seleção. Mas antes disso, houve uma noite de crise — como o próprio revelou em entrevista ao “The Guardian”.
Endrick vulnerável, maduro e perto da Copa do Mundo
No final de março, véspera do amistoso do Brasil contra a Croácia em Orlando, o técnico italiano disse publicamente que Endrick era um jogador para o futuro, não para o presente. A declaração soou, para muitos, como uma despedida antecipada do jovem atacante da briga por uma vaga no Mundial.
“Foi uma noite de dúvidas e de senso de urgência. Eu sabia que poderia ser minha última chance. Rezei muito. Sabia que aquele dia poderia ser um divisor de águas para mim”, admitiu Endrick ao jornal inglês.
Ele entrou aos 15 minutos do segundo tempo, com o Brasil vencendo por 1 a 0 e sofrendo o empate logo que pisou em campo. Poderia ter sido o pior momento. Virou o melhor: Endrick sofreu o pênalti do 2 a 1 e deu a assistência para Martinelli selar o 3 a 1. A noite de dúvidas virou argumento para permanecer na briga.
O caminho até aqui não foi simples. Com a chegada de Xabi Alonso ao Real Madrid, o espaço de Endrick encolheu ainda mais. Em seis meses, foram apenas três jogos e, no meio disso, uma lesão na coxa que o tirou dos gramados por cerca de três meses.
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“Fiquei com muito medo. Chorei várias vezes. Você não sabe se terá uma recaída, se voltará mais fraco. Isso te afeta muito. Mas eu sabia que tinha que continuar. Se tivesse outra lesão, passaria por todo o processo novamente. Sabia que, quando voltasse, teria que dar o meu melhor.”
No dia a dia em Madrid, dois nomes ficaram marcados na memória afetiva de Endrick. O primeiro é Jude Bellingham: “Ele me fez sentir acolhido no clube. Eu não falava inglês muito bem, mas ele falava comigo, tentava falar um pouco de espanhol, estava ao meu lado e me dava conselhos”.
O brasileiro revela que já tinha uma certa impressão do astro inglês antes de chegar a Madri, mas essa visão se provou completamente diferente. “É um jogador incrível e uma pessoa incrível, especialmente no que diz respeito à amizade”.
O segundo é Luka Modric, o jogador que mais o impressionou no Real Madrid: “Ele tinha 40 anos e era muito forte. Quando não jogava, ia ao clube treinar, fazia seu próprio treino extra”. Atualmente no Milan, o croata foi colocado como uma das pessoas mais incríveis que já conheceu no futebol.
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“O futebol não é um lugar legal”
Fora de campo, Endrick está em transformação. A relação com as redes sociais, que chegou a ser um problema, mudou. E ele admite que não sabia lidar com a pressão da Internet.
“Quando comecei, eu lidava muito mal com as críticas. Saía de campo e ia direto para as redes sociais ver o que as pessoas falavam de mim. Mas isso não é bom. Graças a Deus essa fase acabou. Quando o jogo termina, fico calmo e foco na minha recuperação.”
A paternidade também está moldando quem ele está se tornando. A esposa Gabriely espera o primeiro filho do casal para o final do ano. E quando o assunto é o futuro da criança, Endrick é direto: não quer que o filho ou a filha siga os seus passos.
Nous sommes Lyon pic.twitter.com/18wx1cwyQP
— Endrick (@Endrick) April 19, 2026
“Espero que ele ou ela seja advogado, médico ou qualquer outra coisa, e possa ser feliz em seu próprio mundo. O futebol não é um lugar legal. É um ambiente muito difícil“, disse.
Palavras pesadas vindas de alguém que ainda está no começo da carreira, mas que já viveu o suficiente para saber o que está dizendo. E, de forma quase irônica, ainda tem muitos sonhos no futebol.
A Copa do Mundo é o maior deles. O Brasil estreia no Mundial contra Marrocos no dia 13 de junho. Endrick tem mais três jogos pelo Lyon para convencer Ancelotti de que merece estar na lista. A vontade é real:
“Meu primeiro desejo é jogar a Copa do Mundo. Eu preciso estar lá. Esse é o meu primeiro pensamento. Antes de pensar no título, preciso fazer bem o meu trabalho aqui. Meu sonho é jogar a Copa e ajudar meu país.”
Dezenove anos, um bebê a caminho, uma lesão superada, um empréstimo que virou segunda chance e uma vaga na Copa que ainda não está garantida. A história de Endrick em 2026 já seria material para um bom documentário, mas o capítulo mais importante ainda não foi escrito.