Diego Costa explica saída do São Paulo e aponta maior objetivo após dois anos na Europa
Zagueiro conta à Trivela detalhes de sua carreira na Rússia e liderança precoce no futebol brasileiro; aos 26 anos, mantém vivo sonho de disputar a Champions League
Diego Costa conquistou seu espaço muito rápido no São Paulo. Revelado em Cotia, ganhou espaço com Rogério Ceni e, em pouco tempo, já ostentava a faixa de capitão tricolor no Campeonato Brasileiro. Aos 22 anos, com o treinador, conquistou a liderança em um elenco recheado de veteranos, como Miranda e Jonathan Calleri. Ninguém imaginaria que, duas temporadas depois, o zagueiro iria começar a trilhar seu caminho no futebol russo.
Seu início no Tricolor Paulista foi meteórico, em 2020, com Fernando Diniz. Mas na temporada seguinte, amargou o banco de reservas e lidou com a insegurança com Hernán Crespo, quando disputou apenas 20 partidas no ano. A virada de chave foi com Ceni, quando colocou Miranda “no banco” e assumiu a braçadeira em partidas importantes da equipe.
Foi no São Paulo que Diego Costa se formou para a vida, e onde alcançou suas primeiras conquistas na equipe profissional. Ainda em 2022, como capitão, lidou com o “luto” da derrota na final da Copa Sul-Americana, diante do Independiente del Valle; nos dois anos seguintes, foi peça fundamental de Dorival Júnior e Thiago Carpini para erguer os troféus da Copa do Brasil e Supercopa.
Nesse intervalo, Diego Costa sofreu com dores. Uma tendinite, que o incomodava desde o final de 2022. Não conseguiu se recuperar desde então, com a pré-temporada curta que teve de 2022 e 2023. Esses fatores, somados à falta de ritmo que teve desde então, fizeram com que a proposta do Krasnodar, em 2024, o convencesse a rumar para a Europa.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fdiego-costa-sao-paulo.jpg)
— Depois da final da Sul-Americana, eu já estava jogando com muitas dores. Quando voltei a atuar, demorei muito para entrar em ritmo. Não consegui recuperar o ritmo que tinha no começo; como voltei de lesão e não fiz pré-temporada, fiquei um ano jogando sem conseguir treinar adequadamente. Por conta do calendário, tive de voltar logo. Não me sentia bem em relação ao que poderia entregar para o clube na minha volta — explica à Trivela.
Diego Costa atendeu a reportagem durante um de seus raros intervalos na Rússia, entre uma partida e outra do calendário nacional. Atual campeão da Premier League russa, o Krasnodar ultrapassou o Zenit e lidera novamente a competição; além disso, está na final da Copa da Rússia, onde enfrentará o Dínamo Moscou.
— Com o Dorival, consegui ter um pouco de sequência e jogar as partidas mais importantes daquela campanha da Copa do Brasil. Joguei também a Supercopa com o Carpini, porém ainda não me sentia 100% fisicamente ou com total confiança por conta da lesão. Quando comecei a voltar a jogar, já não estava tendo tanto espaço, e foi quando apareceu a proposta do Krasnodar — relembra o zagueiro.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fdiego-costa-krasnodar-scaled.jpg)
A escolha pela Rússia não foi à toa. Apesar de os clubes do país estarem banidos das competições da Uefa em função do conflito entre Rússia e Ucrânia iniciado em 2022 — que frustra os próprios torcedores, Diego Costa foi convencido pela direção do Krasnodar e pelo projeto apresentado.
Também entende que, no novo clube, teria mais possibilidades de alcançar o sonho de jogar em um campeonato top 5 da Europa (Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha ou França). Até aqui, nas duas temporadas pelo Krasnodar, Diego Costa disputou 64 partidas, e marcou três gols.
— Eles me apresentaram um projeto aqui na Rússia. Tudo o que me prometeram foi cumprido, cheguei muito bem respaldado. Eu vi que precisava disso: de um novo ambiente, de crescer, amadurecer e vir para a Europa. Queria conhecer outra cultura e um futebol muito físico. Sou muito grato por tudo o que vivi no São Paulo, mas este foi um passo importante na minha carreira que está me fazendo amadurecer bastante — aponta.
Diego Costa chegou à liderança no São Paulo de forma precoce
Tudo na vida de Diego Costa foi conquista de forma muito rápida. A mudança para a Rússia, além de uma nova cultura, fez com que, pela primeira vez, ele não trabalhasse em um CT do São Paulo. Também precisou reaprender aspectos sobre si mesmo, principalmente em relação à liderança.
Quando assumiu a braçadeira com Ceni, o zagueiro não poderia liderar pela “experiência”. Mas sim, pelo exemplo. No dia a dia, Diego é “brincalhão” — nutre amizades com Lucas Moura e Sabino, por exemplo, até hoje —, mas transmite uma imagem centrada e focada. Isso admirou o treinador à época, e também tem relação com seu amadurecimento precoce.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fdiego-costa-capitao-sao-paulo.webp)
Aos 12 anos, deixou sua casa. Sua mãe, Meire Costa, era solteira, com quatro filhos. No São Paulo, assumiu um papel de auxiliar sua família financeiramente muito cedo, fato que ajudou suas irmãs e irmão a completarem os estudos — sua mãe também está próxima de se graduar.
Não foi só esses fatores que Rogério Ceni enxergou. Em campo, mesmo com a baixa idade, conseguiu liderar veteranos do elenco. A dor da perda da Sul-Americana foi ainda maior porque, além de significar seu primeiro título continental, Diego também teria a responsabilidade de erguer o troféu como capitão.
— Rogério Ceni me deu a braçadeira de capitão por eu ser um cara que sempre trabalhou muito e buscou dar o melhor. Dentro de campo, sempre gostei de ajudar os companheiros os orientando no jogo. Como um líder muito novo, você aprende muito, mas também erra bastante. Felizmente, aprendi com os jogadores mais velhos — aponta.
Estes “erros”, citados por Diego, não necessariamente graves. Mas sim pela pouca experiência que tinha na carreira até aquele momento. “Às vezes você fala demais, outras vezes deixa de falar em um momento de dificuldade em que deveria ter se posicionado”, afirma.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Próximo passo de Diego Costa na carreira mira a Europa
Para um jogador brasileiro, alguns dos sonhos mais comuns são jogar na Europa, disputar a Champions League e uma Copa do Mundo. Com Diego Costa não é diferente. Inclusive, para o zagueiro, os objetivos nos clubes prevalecem diante de uma eventual convocação para a seleção brasileira.
Desde que foi vendido ao Krasnodar — à época, por 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 44 milhões) —, o zagueiro encontrou uma forma de amadurecer. O clube, sediado na cidade homônima, não fez com que ele tivesse um enorme choque cultural em relação ao Brasil.
O clima, em certas épocas do ano, conta com temperaturas próximas da capital paulista; a cidade também é cercada por rios, lagos e próxima ao Mar Negro, que é compartilhado por Rússia, Ucrânia, Geórgia e Turquia, além de países do Leste Europeu.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fdiego-costa-cordoba-krasnodar-scaled.jpg)
— Para se acostumar e entrar na cultura deles (russos), é difícil. Você sai do Brasil, daquele calor, da torcida, tem praia, sol o tempo todo e um clima bom. E aí você vem para cá. Querendo ou não, sente a mudança, mas em Krasnodar é muito quente. Inclusive, hoje passamos o dia inteiro com sol e um clima agradável — brinca o zagueiro.
Estar adaptado à Rússia não significa que Diego Costa não continue querendo alcançar outros objetivos. O primeiro já foi conquistado: encerrar a soberania do Zenit, com um bicampeonato russo podendo ser conquistado nesta temporada; o segundo, depende do interesse de outros clubes.
Diego Costa teve seu nome ligado ao Athletico-PR no final de 2025 — negociação esta que, segundo ele, não chegou ao seu conhecimento. Também é associado com um retorno ao São Paulo, devido às 161 partidas que somou com a camisa tricolor. Um retorno ao Brasil, no entanto, está descartado neste momento — ainda que, se voltasse ao Brasil, o “clube do coração” seria sua prioridade.
— Meu foco está totalmente nesta etapa final de campeonato. Quero conquistar essas taças pelo clube e voltar a fazer história aqui. É isso que talvez me leve para outro clube ou outro lugar no futuro, já que no futebol as coisas mudam muito depressa — conta.
— O meu sonho imediato é poder estar em uma liga mais competitiva em relação aos grandes campeonatos europeus. Trabalho diariamente para isso. Acredito que todos que estão aqui na Europa, ou mesmo na Rússia, quando pensam em um novo passo na carreira, enxergam esse caminho. É isso que passa pela minha cabeça hoje — revela Diego Costa.
Seu contrato com o Krasnodar se estende até 2029, mas existe a possibilidade de que, depois de dois anos, ele deixe o clube na próxima janela de transferências. Também se permite nutrir sonhos pela seleção brasileira no próximo ciclo, visto que Luiz Henrique e Douglas Santos, do Zenit, estão entre os convocados de Carlo Ancelotti. Mas Diego ainda dá “um passo por vez” em sua carreira. Com os aprendizados que carrega desde Cotia.