Copa do Brasil é democrática? Como torneio evoluiu com privilégios às equipes do Brasileirão
Novo formato da competição amplia número de clubes participantes, com vaga assegurada aos 20 times da primeira divisão a partir da quinta fase
A Copa do Brasil é, anualmente, divulgada pela CBF como o “torneio mais democrático do futebol brasileiro”. De fato, nenhuma outra competição do país reúne tantos clubes, dos mais diversos estados, em um único mata-mata. Por outro lado, apesar da expansão do número de equipes em 2026, com ao menos três representantes de cada unidade federativa, times da Série A expandiram seus privilégios nesta temporada.
O formato adotado em 2026 expandiu o número de participantes, de 92 para 126. Também modificou a forma de classificação para a disputa, garantindo vagas automáticas aos 20 clube da primeira divisão. Até então, o modelo adotado priorizava os Campeonatos Estaduais para a definição das vagas a cada ano, juntamente com o ranking da CBF.
Clubes da primeira divisão não tinham vaga automática até então. A partir de 2013, classificados para a Libertadores se juntaram à disputa, com o beneficio de entrar diretamente nas oitavas de final. Esse “privilégio” se manteve ao longo dos anos, e foi expandido para campeões regionais e de divisões inferiores do futebol brasileiro.
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Fato é que, com as mudanças, nenhum clube de divisões inferiores voltou a disputar uma final de Copa do Brasil. A última vez em que uma equipe além da Série A esteve na decisão foi em 2008, com o Corinthians. Já campeão, a última ocasião se deu em 2005, com o Paulista de Jundiaí — que disputava a Série B naquela temporada.
Expansão no número de equipes criou ‘funil’ na Copa do Brasil
Quando foi fundada, em 1989, a Copa do Brasil contava com 32 equipes. A partir de 2027, o número de participantes será quatro vezes maior (128), fator que restringe clubes menores de disputarem finais e conquistarem o título nacional.
Antes do Paulista de Jundiaí, Santo André (2004) e Criciúma (1991) também se sagraram campeões da Copa do Brasil, mesmo em divisões inferiores no cenário nacional. Desde sua criação, esse feito é raro, mas se tornou ainda mais difícil com as alterações no regulamento.
Até 2013, nenhum clube tinha a “regalia” de entrar em fases avançadas da Copa do Brasil. Isso foi alterado para incluir equipes que disputavam a Libertadores — e que, até então, não estavam incluídos no mata-mata. Atualmente, as 20 equipes da primeira divisão entram a partir da quinta fase (16-avos de final).
Esse fator faz com que, em 2026, apenas 12,5% dos 32 clubes da quinta fase sejam das Séries C ou D — Barra, Confiança, Paysandu e Jacuipense. Além disso, nenhum destes classificados disputou a competição desde a primeira fase, iniciada ainda em fevereiro. Também não houve representantes sem divisão nesta fase do torneio.
Pelo chaveamento, também é possível que, nas oitavas de final, tenha apenas uma equipe da Série B ainda em disputa. CRB e Fortaleza se enfrentam na quinta fase, com ao menos uma equipe da segunda divisão já garantida para continuar viva no mata-mata.
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Como são as copas em outros países do mundo?
A mudança proposta pela CBF, com a inclusão da Série A somente a partir da quinta fase, foi acompanhada pela reformulação do calendário do futebol brasileiro. Clubes da primeira divisão tiveram uma redução no número de partidas no torneio, e a CBF garantiu o aumento de participantes nas quatro primeiras fases.
Essa estratégia não é única do futebol brasileiro. Na Inglaterra, por exemplo, a FA Cup conta com 747 equipes, mas apenas 124 disputam as fases finais do torneio. As demais, de ligas inferiores e regionais do Reino Unido, passam pelas eliminatórias em busca de uma das 32 vagas, dentre as 124, na fase final.
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Todos os times da primeira à quarta divisão tem vaga assegurada na FA Cup, sem precisar disputar a fase eliminatória. Equipes que integram Premier League e Championship entram na disputa a partir da terceira rodada. Na temporada 2025/26, em comparação com o futebol brasileiro, 21,8% dos classificados à fase de 16-avos eram da terceira, quarta ou não tinham divisão no momento da disputa.
Na Alemanha, o cenário é semelhante. A fase final da Copa da Alemanha conta com 64 equipes, majoritariamente disputadas pela primeira e segunda divisão da Bundesliga, mas times de ligas menores e regionais também podem se dar ao “luxo” de competir por uma classificação contra os gigantes alemães.
Premiações da Copa do Brasil também criam diferenças entre os clubes
Além de ser o torneio mais democrático do futebol brasileiro — independentemente do quão diverso este, de fato, seja —, a Copa do Brasil também é a competição que melhor paga seus clubes em premiação na temporada. Ao campeão, os valores destinados pela CBF superam a casa dos R$ 100 milhões.
Os valores vão aumentando com o decorrer das fases. Todos aqueles que disputaram a primeira fase, por exemplo, garantem uma premiação de R$ 400 mil; em caso de classificação à fase seguinte, outros R$ 800 mil adicionais.
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A partir da quinta fase, todos os clubes classificados garantem R$ 2 milhões. Mas antes disso, a CBF separa, entre a segunda e quarta fase, os times em “grupos”, a fim de repassar diferentes valores nas cotas de premiação.
O Grupo 1 corresponde àqueles times da Série A. Na prática, ele não interfere na premiação, já que na quinta fase todos os classificados recebem o mesmo montante. No Grupo 2 estão equipes da Série B. No terceiro e último grupo, os demais clubes que não se enquadram nas duas primeiras divisões.
Se uma equipe da primeira fase avançar até a quinta — algo que não ocorreu neste ano —, ela asseguraria uma premiação de R$ 5,25 milhões; já para um clube da Série B, que entrar a partir da segunda fase, este montante seria equivalente a R$ 6,6 milhões. Este é o caso exclusivo do Jacuipense neste ano.