Conselho do Corinthians se resguarda em meio a guerra fria nos bastidores
Muitos conselheiros estão incomodados com a gestão administrativa do Timão, mas pregam cautela para blindar futebol e evitar problemas políticos
O Corinthians vive uma espécie de guerra fria nos seus bastidores.
A última reunião do Conselho Deliberativo corintiano, que aconteceu nesta segunda-feira (7), tratou com bastante contundência diversas ações da diretoria administrativa.
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Além disso, o encontro foi crucial para que os conselheiros tivessem maior clareza no desenho referente à votação para definir o futuro do processo de impeachment do presidente Augusto Melo, prevista para acontecer em novembro.
Algumas comissões internas estão contrariadas com a forma na qual o Corinthians vem sendo administrado, sobretudo financeiramente. Conselhos como os de Orientação e de Marketing apresentaram relatórios internos.
A maior preocupação está nos poderes concedidos à Alvarez & Marsal, empresa de consultoria contratada pela diretoria corintiana e que tem como um dos sócios Fred Luz, profissional que tem atuado como uma espécie de CEO do clube alvinegro – ainda que a função não tenha oficialmente essa nomenclatura.
Para uma parte considerável do Conselho Deliberativo corintiano, algumas orientações da Alvarez têm transpassado o regimento interno do Timão.
No fim, os conselheiros assinaram um termo de confidencialidade a pedido de Romeu Tuma Júnior, presidente do órgão.
Tuma foi eleito para ocupar a função apoiando o presidente Augusto Melo, mas tem dado indícios que a parceria é cada vez menor. Ele não pretende protelar o processo de impeachment de Melo.
Medo de interferências no campo e cautela nas movimentações políticas
Nos próximos dias, o Conselho Deliberativo do Corinthians deve receber o relatório da Comissão de Ética do clube com a defesa de Augusto Melo sobre o pedido de impeachment assinado por 86 conselheiros no fim de agosto.
A tendência é que a reunião extraordinária que delibere e vote a continuidade ou não do processo ocorra na primeira quinzena de novembro.
Em meio a um momento instável do Timão nas quatro linhas, os conselheiros optam pelo silêncio e cautela também para que as ações dos bastidores não ecoem ao campo e bola.
Enquanto luta para não ser rebaixado à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, a equipe alvinegra está nas semifinais da Copa do Brasil e Sul-Americana, com chances de ser campeã em ambas as competições, ainda que esteja em desvantagem na competição nacional. O Flamengo venceu a partida de ida, no Maracanã, por 1 a 0.

Além disso, há o entendimento que o processo de impeachment é algo político, que tem envolvido até antigos desafetos do clube alvinegro, assim qualquer “passo em falso” pode prejudicar o coletivo.
Até mesmo Tuma, que comanda o Conselho Deliberativo corintiano, é um dos apontados como possíveis sucessores no caso da destituição de Augusto Melo se confirmar.
No entanto, para que isso ocorra, precisará de passar não só pelos conselheiros, como também na assembleia de sócios. Em ambas as votações, vence a maioria mínima.
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Receio do Corinthians virar SAF é consenso entre conselheiros
Há um grande incômodo interno sobre a influência de Fred Luz na administração corintiana.
O entendimento de boa parte dos conselheiros é que atualmente o executivo tem mais poderes na gestão do clube alvinegro do que o presidente Augusto Melo.
Para algumas pessoas, a chegada de Fred Luz tirou o espaço que era aberto pelo mandatário corintiano dava para sugestões e desenvolvimento de projetos. E isso respinga no chamado “núcleo duro”, que ocupa a linha de frente na diretoria do Corinthians.
Ainda que o papel de maior destaque seja de Fred Luz, o diretor financeiro, Pedro Silveira, e o ex-secretário geral e que agora ocupa a função de diretor de projetos jurídicos, Vinicius Cascone, também fazem parte do time de profissionais que estão à frente de praticamente todos os assuntos referentes à administração corintiana.

Augusto Melo tem se referido diretamente ao trio e participado somente nas decisões finais sobre os principais assuntos acerca da gestão do clube alvinegro.
No futebol, Fabinho Soldado tem bastante autonomia, muito também por conta da “bênção” de Fred Luz, com quem trabalhou no Flamengo.
Esse papel e destaque em uma equipe técnica que, segundo parte dos conselheiros vão além até mesmo do âmbito da função de cada um, é tratado internamente como algo perigoso, pois se assemelha a uma condução
No entanto, o estauto social do Corinthians não permite na transformação do clube em SAF e uma adequação do regimento interno que permitisse até mesmo a venda de um percentual inferior a 50,1% da instituição é tratado como utopia, pois teria que passar por um Conselho Deliberativo redondamente contrário a isso.
Porém, muitas pessoas ligadas ao mundo do futebol observam esses movimentos com atenção, pois entendem que o Timão é um grande ativo de aquisição a ser explorado.



